domingo, 20 de junho de 2010

Os quatro pecados que impedem o fluir de Deus

Sabemos que o pecado não perdoado nos impede de ter plena comunhão com Deus. Além disso, sabemos também que não existe “hierarquia entre pecados”, ou seja, não há uma classificação de pecados em mais leves e mais graves. Existem pecados diferentes e que, por isso, possuem conseqüências diferentes. Mas todos eles nos afastam de um relacionamento pleno com Deus.

Assim, precisamos ser purificados dos pecados da carne. Mesmo não havendo pecados mais graves que outros, existem pecados que, por suas conseqüências, fazem com que o nosso canal de comunicação com Deus fique “entupido”, de forma que Deus não terá a oportunidade de fluir através de nós. A maioria das pessoas luta com quatro pecados da carne, os quais devem ser vencidos antes que o cristão seja capaz de operar ativamente com Deus.

1. O pecado do ódio. Uma das ordenanças de Cristo à igreja é a de que ela permaneça em oração e que evite o sentimento de ódio (1 Timóteo 2:8). Por quê? Porque o ódio impede o fluir de Deus, já que esse sentimento sempre está associado a um pecado ou a ausência de perdão, que também não deixa de ser um pecado. Quando odiamos outra pessoa, estamos colocando nós mesmos e nossos próprios conceitos no centro. O ódio caminha em direção oposta ao amor. Se a Bíblia nos diz que temos que amar ao próximo como a nós mesmos, e que o nosso Deus é amor, se nutrimos tais sentimentos em nosso coração, estamos negando a própria natureza de homens nascidos de novo que somos. Por isso a nossa comunicação com o Pai fica impedida.

Um comportamento não perdoador é o inimigo número um da nossa fé. Mágoas e ressentimentos com relação a pessoas nos prendem a elas. Todavia, o ódio destrói muito mais a pessoa que alimenta em si tal sentimento do que aquele que é odiado, mesmo porque este às vezes sequer sabe que está sendo odiado por alguém. Assim como temos que sujar nossas mãos de barro antes de jogá-lo em alguém, o ódio machuca primeiro aquele que carrega tal sentimento.

Além disso, a Bíblia compara o sentimento de ódio ao homicídio. Aquele que odeia uma pessoa está “matando” ela dentro de si. Na verdade, os homicídios reais nada mais são do que sentimentos de ódio que são externados contra a vida de uma pessoa.

“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 João 3:15)

Em nossa vida cristã, precisamos ser canal de benção na vida das pessoas. Contudo, nossas palavras e atitudes sempre irão refletir somente aquilo que está em nosso coração. Será impossível estar em contato com o Senhor e transmitir o amor dele a outras vidas se o nosso coração estiver contaminado com sentimentos de ódio. Apenas quando o ódio é substituído pelo perdão e pelo amor, podemos expressar o verdadeiro amor de Cristo para as pessoas.

2. O pecado do medo. O medo é outro grande inimigo do nosso crescimento espiritual. Se a pessoa carrega em si um temor específico, o poder da destruição começará a fluir a partir dele.

Existem diversos tipos de medos, que podem surgir dos mais diversos tipos de circunstâncias. Existem cristãos, por exemplo, que tem medo de manifestações demoníacas. Assim, se ele se deparar com alguém possesso, ele procurará meios de não orar sobre essa pessoa. Deixa, portanto, de reconhecer a autoridade que a nós é dada por Deus (Lucas 10:19)

Nós como seres humanos temos a infeliz tendência de olhar para as circunstâncias com nossos olhos e com nossos sentidos. Só que fazendo isso, Satanás nos destruirá com o medo. O medo sempre é fruto de uma olhar natural sobre as coisas. Se fechamos os olhos naturais e olhamos para Deus, a nossa fé é exercida e não há espaço para temores. Estando no amor d’Ele, não há motivos para ter medo.

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)

Logo, as pessoas devem ser instruídas a desistir do temor do seu ambiente e de suas circunstâncias. Se não o fizerem, não poderão desenvolver a fé nem Deus fluirá através delas.

A Bíblia diz que Deus não nos deu espírito de temor, mas de amor (2 Timóteo 1:7). O único temor que devemos ter é o de Deus (Provérbios 1:7).

Uma das recomendações que Deus sempre deu, desde os patriarcas até aos apóstolos, era a de que eles não temessem as dificuldades que haveriam de passar, pois Deus era com eles. Deus só age onde não há medo. Para que Ele venha a agir, o medo e a ansiedade devem ser substituídos pela paciência e pela fé (Salmos 40:1).

O temor nos liga a nossas dificuldades e limitações, e não àquilo que podemos ser em Cristo.

3. O pecado da inferioridade. Sempre que olhamos as circunstâncias, temos o hábito errado de nos sentir pequenos, impotentes. Também o sentimento de inferioridade é demonstração de falta de fé. É necessário que cada um entregue seu complexo de inferioridade a Deus e se permita ser reconstruído pelo amor d’Ele.

O complexo de inferioridade é muito destrutivo. Além de minar nosso potencial, nos torna vulneráveis e nos faz sujeitos a ameaças externas. Quem tem “complexo de inferioridade” sempre terá a tendência de se achar incapaz de tomar decisões e passos de fé, pois a inferioridade traz consigo o pessimismo. Não devemos nos sujeitar às circunstâncias, e sim ao nosso Deus.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

Existe uma verdade que sempre deve estar em nossa mente: a de que nada é impossível ao que crê. Essa é uma palavra que, declarada, nos faz sentir fortalecidos em Deus.

Mas muitos podem dizer que a Bíblia afirma que devemos procurar ser o menor, ou ainda, diminuir a nós mesmos. Mas ser o menor nos fala de adquirir para nós a posição de servo. E diminuir a nós mesmos diz respeito a termos uma postura de humildade, sempre preferindo em honra aos irmãos (Romanos 12:10), e não a nós mesmos. Nenhuma dessas idéias é compatível com a de nos achar inferiores a tudo e a todos.

Temos que, como Paulo, entender que não somos nada, que a nossa vida não tem valor, mas que também há em nós um Espírito que nos faz ser capazes para toda boa obra (2 Timóteo 2:21).

4. O pecado da culpa. Enquanto a pessoa estiver abatida por sentimentos de culpa, Deus jamais fluirá através dela. Precisamos fazer as pessoas compreender que, quando se sentem indignas e cheias de culpa, simplesmente podem ir ao Senhor, e Ele as limpará.

O pecado nos separa de Deus. Mas a culpa é exatamente o sentimento que tenta nos remeter à condição de quem ainda carrega o peso do pecado, ignorando o perdão que já nos foi concedido. É como aquele presidiário que, mesmo após ter cumprido toda a sua pena, continua recluso no presídio por achar que seu crime foi mais grave do que pensou o juiz, sem se lembrar do fato que a sua dívida já foi paga com a sociedade.

Ao livrar-se de seu sentimento de culpa, manifestando entendimento do perdão de Deus e da liberdade que temos para sujeitar todas as acusações do Diabo, o poder de Deus poderá fluir.

“Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o SENHOR.” (1 Coríntios 4:4)

domingo, 6 de junho de 2010

O princípio da honra

“Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão.” (2 João 1:8)

O versículo citado nos fala que existe uma recompensa que é obtida por esforço, e que devem ser tomadas precauções para que essa recompensa seja recebida de forma completa. Ora, se há uma recomendação para buscarmos um galardão inteiro, é sinal de que há um galardão “pelas metades”. Cristo fala algo mais detalhado a respeito desse galardão:

“Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo. E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.” (Mateus 10:40-42)

Assim, para recebermos a Cristo, é necessário que recebamos aqueles que foram enviados por Ele, tanto o profeta quanto o justo, para que recebamos todo o galardão que nos é proposto.

Receber aqui significa honrar. E honrar é ouvir, respeitar, admirar, dar crédito ao que eles diziam. Nessa passagem, Cristo outorgou aos seus discípulos a mesma posição que Ele tinha: a de anunciador da mensagem de Deus. Por isso, as pessoas deveriam honrá-lo, recebendo a cada um deles como se estivessem recebendo ao próprio Cristo.

Mas a Bíblia nos conta que até o próprio Cristo, em determinadas situações, não foi honrado como deveria:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” (Marcos 6:4-5)

No próprio lugar onde Cristo nasceu, as pessoas não o reconheciam. Por terem lhe visto crescer, conhecendo seus pais e irmãos, as pessoas não davam a Ele a mesma honra que recebia quando Ele pregava em outras cidades. Por isso, a Bíblia conta que ali não foram feitas obras maravilhosas.

Entre os judeus o problema foi ainda maior, pois eles se negaram receber a Cristo como Messias. Mesmo sendo o Enviado de Deus, Cristo estava numa “embalagem” de homem simples e humilde e por isso os judeus não aceitaram o presente que Deus havia enviado a eles. Diante disso, Cristo afirmou:

“Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.” (Mateus 23:39)

Ou seja, como os judeus não honraram a Cristo quando Ele se mostrou como um homem simples e acessível, eles agora só voltarão a vê-lo quando derem a Ele a devida honra! A honra de reconhecerem a Ele como aquele que é bendito e que vem em nome do Senhor.

Do que foi falado até aqui, é possível concluir duas coisas: a primeira é a de que Cristo precisa ser honrado para que possa agir; a segunda é a de que, como o próprio Cristo afirmou, os seus discípulos, que são enviados em Seu Nome, tem que ser honrados e recebidos assim como o próprio Cristo!

E esse segundo ponto é sem dúvida o mais difícil de ser aplicado. Os membros das igrejas de hoje estão acostumados a reconhecer os pregadores que vêm de fora, bem como o principal pastor da congregação local, mas poucos reconhecem devidamente os seus líderes imediatos, ou ainda, os membros que lhe são mais próximos. Recebem o galardão de profeta, mas não recebem o galardão de justo, pois não honram aqueles que Deus colocou ao seu lado, para falar da parte d’Ele em suas vidas. Existem então, cinco motivos pelos quais as pessoas resistem honrar seus líderes mais próximos e receberem o galardão completo.

O primeiro deles está na idéia de que o líder não corresponde ao padrão que consideramos aceitável. Isso acontece sempre que o líder tem características das quais não gostamos. Aí deixamos de olhar aquilo que Ele nos fala, para olhar aquilo que achamos que é um defeito. Com João Batista aconteceu isso. Os judeus não o viam com bons olhos porque ele era um homem rude, pouco sociável, de palavras duras. Também não aceitavam a Cristo porque, apesar de ser um homem sociável, manso e humilde, era um homem de origem modesta e que andava com pecadores. Assim, os judeus não aceitariam ninguém que não correspondesse ao tipo de Messias que eles esperavam. Não estavam interessados naquele em que Deus queria enviar, mas sim, naquele que viesse da forma que lhes agradassem.

O segundo motivo é porque pensam que o homem de Deus não é digno de honra. O exemplo de Ana e Eli nos fala a respeito disso. Eli era um péssimo sacerdote. Deus falou a Samuel com 5 anos de idade, mas não falava com Eli. Portanto, ele talvez não fosse o modelo de líder ideal. A Bíblia diz que Eli, ao ver Ana clamando a Deus, a repreendeu duramente, pensando que ela estivesse bêbada. Mas a posição de Ana não foi de repreender ao sacerdote, como muitos de nós poderia fazer, mas sim de honrá-lo, chamando de senhor (1 Samuel 1:15). Por se sentir honrado, Eli liberou sobre ela a benção.

O terceiro motivo é que as pessoas acreditam que não foi Deus quem colocou o líder em posição de autoridade. Mas a Bíblia diz em Romanos 13:1 exatamente o contrário. As autoridades que são constituídas sobre nós, assim o são por Deus. Exemplo disso foi Saul. É costume pensar que foi o povo que pediu um rei e que por isso foi o povo quem escolheu a Saul. Mas não foi. A Bíblia diz que Saul foi escolhido por Deus (I SM. 15:11). Um escolhido que perdeu o trono justamente por ter deixado de honrar a Deus, cumprindo fielmente suas palavras.

O quarto motivo é que as pessoas imaginam que o ato de honrar um líder é um ato indigno. Muitos vêem como um ato de mera bajulação, mas a verdadeira honra não significa isso. Uma das atitudes que demonstra isso é daquela mulher de Marcos 14:3, que ungiu a cabeça de Jesus com um perfume muito caro. As pessoas que viram esse ato, talvez enxergaram uma bajulação ou um desperdício, de algo que poderia ser vendido e doado aos pobres. Mas o próprio Cristo os repreendeu. Não porque é ilegítimo ajudar aos pobres, mas sim, por não ser em vão despendermos esforços para honrarmos os que são enviados da parte de Deus.

Um último motivo é o fato de que as pessoas se sentem superiores ou até melhores do que seus líderes. Comportamento esse que é totalmente contrário à Palavra de Deus, que recomenda que nós tenhamos a todos como superiores a nós mesmos (Filipenses 2:3). Andar com Cristo é assumir uma constante posição de servo. Nós só aprendemos com as pessoas quando nos colocamos em posição menor ou igual a elas. Se olhamos aos outros como superiores, não daremos ouvidos ao que elas dizem e não aprendemos nada com elas. Por isso, é fundamental ter uma postura de servo e honrar aos outros antes mesmo de julgá-los.

Diante disso tudo, vemos que a honra não é um sentimento, mas uma decisão. Uma decisão de aceitar que as pessoas que Deus colocou próximas a nós são valiosas e precisam ser honradas, como o próprio Cristo é honrado por nós. No Novo Testamento, é ensinado que nós demonstramos a maneira que amamos e honramos a Cristo da mesma maneira que fazemos tais coisas aos irmãos mais simples que estão perto de nós (Romanos 13:9; 1 Timóteo 6:1; 1 Coríntios 12:23-25). Honrar então significa uma atitude, algo que precisa ser mostrado diariamente e mesmo nos momentos que implicar em renúncia. Mais importante que o galardão de profeta, é o galardão de justo, pois esse é diário e mais difícil de ser alcançado.

“Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, e atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? (...) Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores.” (Tiago 2:2-4;8-9)

“Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.” (1 Samuel 2:30b)