Essa blog visa publicar quinzenalmente (aos domingos), um artigo sobre teologia, comportamento da igreja e/ou atualidades, defendendo sempre o evangelho de Jesus Cristo, o qual os "poderosos" deste tempo têm deliberadamente tentado afrontar (ITm 4:2). Tentaremos entender o que diz a Bíblia sobre muitos temas delicados de nosso tempo, analisar o que a igreja atual tem feito e o que ela deve fazer para não seguir doutrinas e crenças que a afastam do genuíno evangelho de Cristo (ITm. 6:3).
Acima de tudo, procuro dia após dia, conhecer mais de Jesus Cristo e fazer com que esse conhecimento chegue a outras pessoas, para que a verdade que conheço também liberte aqueles que estão na mornidão espiritual, conformados, ou simplesmente vulneráveis às armadilhas do diabo por não saberem o que realmente se passa no mundo. Tentarei, quinzenalmente e a cada artigo que escrever, abrir os olhos daqueles que não querem ser enganados e presos nas garras manipuladoras do mundo e da Nova Ordem Mundial, que têm, a olhos vistos, promovido a falência moral de nossa sociedade e das famílias e preparado o caminho para o Anticristo.
Sabemos que o pecado não perdoado nos impede de ter plena comunhão com Deus. Além disso, sabemos também que não existe “hierarquia entre pecados”, ou seja, não há uma classificação de pecados em mais leves e mais graves. Existem pecados diferentes e que, por isso, possuem conseqüências diferentes. Mas todos eles nos afastam de um relacionamento pleno com Deus.
Assim, precisamos ser purificados dos pecados da carne. Mesmo não havendo pecados mais graves que outros, existem pecados que, por suas conseqüências, fazem com que o nosso canal de comunicação com Deus fique “entupido”, de forma que Deus não terá a oportunidade de fluir através de nós. A maioria das pessoas luta com quatro pecados da carne, os quais devem ser vencidos antes que o cristão seja capaz de operar ativamente com Deus.
1. O pecado do ódio. Uma das ordenanças de Cristo à igreja é a de que ela permaneça em oração e que evite o sentimento de ódio (1 Timóteo 2:8). Por quê? Porque o ódio impede o fluir de Deus, já que esse sentimento sempre está associado a um pecado ou a ausência de perdão, que também não deixa de ser um pecado. Quando odiamos outra pessoa, estamos colocando nós mesmos e nossos próprios conceitos no centro. O ódio caminha em direção oposta ao amor. Se a Bíblia nos diz que temos que amar ao próximo como a nós mesmos, e que o nosso Deus é amor, se nutrimos tais sentimentos em nosso coração, estamos negando a própria natureza de homens nascidos de novo que somos. Por isso a nossa comunicação com o Pai fica impedida.
Um comportamento não perdoador é o inimigo número um da nossa fé. Mágoas e ressentimentos com relação a pessoas nos prendem a elas. Todavia, o ódio destrói muito mais a pessoa que alimenta em si tal sentimento do que aquele que é odiado, mesmo porque este às vezes sequer sabe que está sendo odiado por alguém. Assim como temos que sujar nossas mãos de barro antes de jogá-lo em alguém, o ódio machuca primeiro aquele que carrega tal sentimento.
Além disso, a Bíblia compara o sentimento de ódio ao homicídio. Aquele que odeia uma pessoa está “matando” ela dentro de si. Na verdade, os homicídios reais nada mais são do que sentimentos de ódio que são externados contra a vida de uma pessoa.
“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 João 3:15)
Em nossa vida cristã, precisamos ser canal de benção na vida das pessoas. Contudo, nossas palavras e atitudes sempre irão refletir somente aquilo que está em nosso coração. Será impossível estar em contato com o Senhor e transmitir o amor dele a outras vidas se o nosso coração estiver contaminado com sentimentos de ódio. Apenas quando o ódio é substituído pelo perdão e pelo amor, podemos expressar o verdadeiro amor de Cristo para as pessoas.
2. O pecado do medo. O medo é outro grande inimigo do nosso crescimento espiritual. Se a pessoa carrega em si um temor específico, o poder da destruição começará a fluir a partir dele.
Existem diversos tipos de medos, que podem surgir dos mais diversos tipos de circunstâncias. Existem cristãos, por exemplo, que tem medo de manifestações demoníacas. Assim, se ele se deparar com alguém possesso, ele procurará meios de não orar sobre essa pessoa. Deixa, portanto, de reconhecer a autoridade que a nós é dada por Deus (Lucas 10:19)
Nós como seres humanos temos a infeliz tendência de olhar para as circunstâncias com nossos olhos e com nossos sentidos. Só que fazendo isso, Satanás nos destruirá com o medo. O medo sempre é fruto de uma olhar natural sobre as coisas. Se fechamos os olhos naturais e olhamos para Deus, a nossa fé é exercida e não há espaço para temores. Estando no amor d’Ele, não há motivos para ter medo.
“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)
Logo, as pessoas devem ser instruídas a desistir do temor do seu ambiente e de suas circunstâncias. Se não o fizerem, não poderão desenvolver a fé nem Deus fluirá através delas.
A Bíblia diz que Deus não nos deu espírito de temor, mas de amor (2 Timóteo 1:7). O único temor que devemos ter é o de Deus (Provérbios 1:7).
Uma das recomendações que Deus sempre deu, desde os patriarcas até aos apóstolos, era a de que eles não temessem as dificuldades que haveriam de passar, pois Deus era com eles. Deus só age onde não há medo. Para que Ele venha a agir, o medo e a ansiedade devem ser substituídos pela paciência e pela fé (Salmos 40:1).
O temor nos liga a nossas dificuldades e limitações, e não àquilo que podemos ser em Cristo.
3. O pecado da inferioridade. Sempre que olhamos as circunstâncias, temos o hábito errado de nos sentir pequenos, impotentes. Também o sentimento de inferioridade é demonstração de falta de fé. É necessário que cada um entregue seu complexo de inferioridade a Deus e se permita ser reconstruído pelo amor d’Ele.
O complexo de inferioridade é muito destrutivo. Além de minar nosso potencial, nos torna vulneráveis e nos faz sujeitos a ameaças externas. Quem tem “complexo de inferioridade” sempre terá a tendência de se achar incapaz de tomar decisões e passos de fé, pois a inferioridade traz consigo o pessimismo. Não devemos nos sujeitar às circunstâncias, e sim ao nosso Deus.
“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)
Existe uma verdade que sempre deve estar em nossa mente: a de que nada é impossível ao que crê. Essa é uma palavra que, declarada, nos faz sentir fortalecidos em Deus.
Mas muitos podem dizer que a Bíblia afirma que devemos procurar ser o menor, ou ainda, diminuir a nós mesmos. Mas ser o menor nos fala de adquirir para nós a posição de servo. E diminuir a nós mesmos diz respeito a termos uma postura de humildade, sempre preferindo em honra aos irmãos (Romanos 12:10), e não a nós mesmos. Nenhuma dessas idéias é compatível com a de nos achar inferiores a tudo e a todos.
Temos que, como Paulo, entender que não somos nada, que a nossa vida não tem valor, mas que também há em nós um Espírito que nos faz ser capazes para toda boa obra (2 Timóteo 2:21).
4. O pecado da culpa. Enquanto a pessoa estiver abatida por sentimentos de culpa, Deus jamais fluirá através dela. Precisamos fazer as pessoas compreender que, quando se sentem indignas e cheias de culpa, simplesmente podem ir ao Senhor, e Ele as limpará.
O pecado nos separa de Deus. Mas a culpa é exatamente o sentimento que tenta nos remeter à condição de quem ainda carrega o peso do pecado, ignorando o perdão que já nos foi concedido. É como aquele presidiário que, mesmo após ter cumprido toda a sua pena, continua recluso no presídio por achar que seu crime foi mais grave do que pensou o juiz, sem se lembrar do fato que a sua dívida já foi paga com a sociedade.
Ao livrar-se de seu sentimento de culpa, manifestando entendimento do perdão de Deus e da liberdade que temos para sujeitar todas as acusações do Diabo, o poder de Deus poderá fluir.
“Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o SENHOR.” (1 Coríntios 4:4)
Nós não merecemos o perdão de Deus. Assim como a salvação, o perdão por nossos pecados é algo que recebemos pela graça. Graça essa advinda do sacrifício de alguém que deu seu próprio sangue inocente para que nós fossemos livres de toda culpa a partir do momento em que confessamos nossos pecados (Colossenses 2:14).
No Direito, a comprovação da culpa de um criminoso só existe após a acusação. Diante das leis humanas, todos são inocentes, até o momento em que são acusadas e são encontradas provas de que essa acusação é verdadeira, e aí sim a pessoa é condenada. Nem todo que é processado é culpado, alguns são absolvidos, e outros condenados. No mundo espiritual, as coisas acontecem de forma semelhante: há alguém que, quer estejamos certos ou errados, ele sempre nos acusa, que é o chamado de “acusador de nossos irmãos” e que, segundo a Bíblia, dia e noite nos acusa diante de Deus (Apocalipse 12:10)
Assim, o perdão é um favor para nós concedido, ainda que imerecidamente. Por isso sempre que você olhar para si mesmo pensando que pode se justificar diante de Deus por seus erros, você estará errado! Eu conheço uma pessoa que diz que sempre que ouve uma pessoa se justificar muito, ela pensa que ele certamente está mentindo, porque a verdade não precisa ser justificada, apenas apresentada. E isso pode não ser uma regra, mas se aplica em muitos casos.
Muitos de nós estabelecemos “hierarquia de pecados”. Achamos que Deus facilmente nos perdoa de pecados leves, mas que Ele “dificulta” o perdão no caso de pecados mais graves. É claro que isso não existe! O perdão de Deus abrange todo e qualquer pecado, por mais grave que seja, desde que aquele que o confesse demonstre arrependimento, confessando e deixando de praticar aquele pecado (1 Coríntios 6:9-11). Se existe diferença, essa reside nas conseqüências do pecado! Diante de Deus, no dia do juízo, e agora, diante dos homens, é evidente que nós temos responsabilidades e por isso, temos que prestar contas de nossos atos e colher frutos advindos de nossos erros. As conseqüências variam, mas o perdão de Deus é o mesmo e abrange qualquer pecado cometido contra nossos irmãos, ainda que estes se neguem a nos perdoar.
Um personagem da Bíblia que já entendia que poderia ser perdoado, mesmo antes da morte de Cristo, foi Davi. Davi foi um homem que cometeu inúmeros pecados. Alguns deles bastante reprováveis. Cometeu adultério e inclusive provocou a morte de outra pessoa. Enfim, cometeu pecados que maioria de nós jamais cometerá. Mas além de ser alguém que pecava, ele era um homem que sabia se arrepender de seus pecados e que chegou a ser chamado de “homem segundo o coração de Deus”.
Davi cometeu os piores pecados, mas ainda assim foi chamado homem segundo o coração de Deus. Em muitas vezes que o diabo culpou Davi diante de Deus, as acusações não eram sem fundamento. Mas Davi sabia reconhecer seus próprios erros e a clamar pelo perdão de Deus.
“Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. (Selá.) Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. (Selá.) (Salmo 32:4-5)
Naquele tempo, Cristo ainda não havia morrido pelos pecados dos homens. Assim, o perdão não era algo tão fácil como nos nossos dias. Mesmo assim, Davi clamava pela misericórdia de um Deus que poderia apagar as suas transgressões (Isaías 43:25; Ezequiel 18:21-22)
Davi pecou, mas encontrou liberdade dos seus pecados e sentimentos de culpa diante de Deus. E é diante de Deus, e não do diabo, que somos livres de nossa culpa.
Mas a primeira coisa que pode vir à nossa mente é o fato de que com esse perdão que Deus nos dá nós podemos pecar de forma desmedida que ainda assim seremos perdoados. A princípio esse pensamento pode parecer verdadeiro, mas esse jamais deve ser o pensamento do crente, nascido de novo. Aquele que nasceu de novo, deixa o pecado. Essa é uma demonstração clara na vida daquele que serve a Cristo. Se a pessoa tem o pecado como uma prática sistemática em sua vida, é sinal de que a sua consciência está cauterizada, como se ainda estivesse no mundo. Seria como dizer a Cristo que o aceita como Senhor de sua vida, mas demonstrar com seus próprios atos que não guarda as suas palavras. Uma das maiores demonstrações de amor à Deus está na obediência à seus mandamentos, e aquele que ama mais o pecado do que as ordenanças de Deus, mostra que ainda não ama a Deus da maneira um filho deve amar um pai (João 14:21). Por mais que pareça que o perdão de Deus não exija mudanças de nós, é necessário entender que ter o pecado como um costume e dizer que ama a Deus é por demais contraditório! Não dá para dizer que é nascido de novo sem deixar para trás as obras do velho homem, pois aquele que é nascido de Deus anda em novidade de vida (Romanos 6:4)
Prova disso era a maneira que Cristo lidava com os pecadores que Ele curava: Ele não os condenava por seu passado, mas dizia a eles para não pecarem mais (João 5:14; João 8:11). E a questão do pecado reiterado é séria. Quem peca demais ou tem o pecado como hábito, dá legalidade para demônios agirem contra sua vida. Quem não está em comunhão com Deus, vivendo em pecado, tem em seu coração um espaço aberto para demônios agirem de forma cada vez mais “legalizada” (Lucas 11:26).
Mesmo sabendo que o diabo nos acusa até por pecados pelos quais já arrependemos e confessamos, há situações em que o sentimento de culpa que se passa em nosso interior tem razão. São situações em que estamos em pecado. Aqui o problema não é simplesmente entender o perdão de Deus e rejeitar a acusação maligna, e sim tomar atitudes práticas, arrependendo-se e confessando o pecado cometido. Perceba que o arrependimento precede a confissão, pois não adianta confessarmos nossos erros com os lábios sem que tomemos a decisão de não dar mais espaço para o pecado em nossas vidas! Em Salmos 32, Davi pecou, sabia que o sentimento de culpa não era em vão, mas se arrependeu e depois clamou pelo perdão de Deus. Assim, quando o pecado é um problema crônico em nossas vidas, ele deve ser enfrentado, para que o arrependimento seja real e implique em mudança de comportamento.
Devemos também pedir a Deus que nos mostre quais são os pecados que cometemos e que precisam ser confessados, pedindo perdão de forma sincera e ao mesmo tempo específica. Repare abaixo que Davi clamou a Deus para que perdoasse até mesmo os pecados que ele não se lembrava. Isso é bastante comum no caso de novos convertidos, que evidentemente não se lembrarão de todos os pecados que cometerem. Aqui o mais importante não é ter uma excelente memória para lembrar de todos os pecados, mas sim, desejar, de coração sincero, abandonar a prática de cada um dos pecados que cometeu até conhecer a Cristo.
“Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.” (Salmos 19:12)
É importante termos em nós a certeza de que Deus nos perdoou dos pecados que confessamos. Sempre que sentimentos de culpa vierem sobre nossa mente e forem relativos a pecados que já confessamos, devemos rejeitar esses sentimentos de culpa como sendo falsos! Ora, se Deus mesmo apagou nossas transgressões com o seu perdão, não somos nós que precisamos ficar lembrando daquilo que já foi deixado.
Sabemos que Deus não mente. Ao contrário, Ele é fiel ao que diz em Sua Palavra. Se ele diz que a Sua misericórdia se renova diariamente e que Ele perdoa os pecados que são confessados, temos o direito de tomar posse desse perdão para nós. E mais do que isso: temos autoridade dada por Deus para repreender aquele que falsamente nos acusa, tentando nos impedir de ter paz e alegria que só são completas quando estamos livres da escravidão do pecado e em plena comunhão com Deus.
“Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade. Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” (Salmos 103:8)
“Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Isaías 1:18)
“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1)
No último domingo, durante o momento da ceia, um de meus discípulos se negou a receber o pão e o vinho, quando a mesma foi distribuída. Dias antes, ele mesmo havia me contado que vinha sendo tomado em sua mente por sentimentos de culpa. E depois entendi que foi esse mesmo sentimento que o fez não querer participar daquele momento do culto.
Sentimentos de culpa entre os cristãos sempre existiram. É muitas vezes é o nível de culpa na consciência do cristão que pauta o seu comportamento na igreja. É típico daqueles que carregam tal sentimento a tendência ao isolamento, seja por não se sentirem dignos de estarem em comunhão com os demais ou por terem medo de ter suas falhas expostas. É possível analisar o sentimento de culpa dividindo-o em três tipos básicos de comportamentos comuns, todos igualmente errados, de alguém que se sente culpado.
O primeiro é o grupo dos que fogem da culpa. São aqueles que levam uma vida permissiva, sem se preocupar com as implicações de seus atos. Individualistas, geralmente são estes os que negam que existe pecado. Negam sua existência, para negar a culpa proveniente da sua prática. A consciência das pessoas desse grupo é cauterizada, e fazem parte dele apenas pessoas que ainda não nasceram de novo, e que portanto não têm clara consciência do pecado e suas conseqüências.
Há um segundo grupo, daqueles que ao invés de aceitar a culpa, acreditam que podem amenizar os seus efeitos sobre sua consciência através da prática de boas obras. O pensamento íntimo desse tipo de pessoa é semelhante ao dos fariseus. Pensam que podem ser considerados como homens bons se praticarem atos bons aos seus próprios olhos. Dentro desse grupo, há ainda aqueles que acreditam na reencarnação e no entendimento destes, se praticarem muitos atos de solidariedade, poderão ser beneficiados com um nascimento em condição melhor numa “próxima vida”.
Um último grupo é o daqueles que sustentam um pensamento medieval, de auto-flagelação, acreditando que podem remir a si mesmos, na medida que em imponham sofrimento a si mesmos. Na Idade Média e até mesmo ainda hoje, algumas pessoas chicoteiam o próprio corpo, amarram metais pontiagudos em si ou aplicam outros tipos de flagelos sobre seus corpos, na esperança de voltarem a um estado anterior de inocência, livres da culpa trazida pela prática do pecado.
Mas como eu disse anteriormente, todos os três representam comportamentos inadequados e que pouco contribuem para a extinção definitiva desse sentimento ou de seus efeitos. Se no primeiro a conseqüência do pecado será surpreendente e mortal, nos demais a culpa resultante do pecado sempre será um fardo a ser carregado diariamente.
Existe uma verdade bíblica: todos nós pecamos, e o pecado traz consigo morte espiritual, nos afastando de Deus (Romanos 3:23; Romanos 6:23; Isaías 59:2). Se nós pecamos, evidentemente estamos sujeitos a sermos culpados. Assim como um homicida fica em dívida com a sociedade até que sua pena de prisão seja totalmente cumprida, nós também ficamos “em dívida” com Deus a partir do momento em que pecamos.
Mas ao contrário do homicida, que necessariamente terá que passar pela cadeia, nós temos um meio de ficar livres do castigo eterno resultante do pecado. E a Bíblia nos diz que meio é esse:
“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”(Isaías 53:5).
Veja que Jesus Cristo foi ferido em razão de nossos pecados. O auto-sacrifício de Jesus pagou o preço por nossos pecados. É como se existisse uma sentença de pena de morte decretada contra todos nós, para cobrir nossa culpa pelos pecados que nós todos praticamos. Aí vem um homem, reconhecidamente inocente, nos tira do corredor da morte, e entra em nosso lugar. Isso é uma das expressões mais maravilhosas do amor de Deus por nós. Conheço um sábio pastor que diz que amor de verdade não é aquele que aparece no final de filmes hollywoodianos românticos, mas sim, o retrato de um homem pregado numa cruz. E é esse amor de verdade que apaga aquilo que nos condena e que traz verdadeira paz para dentro de nós, como se não tivéssemos pecado.
Exatamente por causa desse sacrifício, é que nós, que recebemos a Cristo e reconhecemos o seu poder para nos perdoar, não precisamos carregar o peso da culpa. O tratamento de Deus conosco não é segundo a Lei, mas de acordo com a Graça. Por ela somos salvos, e graciosamente também somos perdoados (1 João 1:9), na medida em que nos arrependemos. O caminho do pecado em nós, a partir do momento em que tomamos consciência dele, é confessá-lo, deixando de praticá-lo, e ser perdoado. Não há espaço para sentimentos de culpa. A culpa só gera remorso, e remorso é diferente de arrependimento.
Enquanto o arrependimento é motivado por um desejo de mudança de postura, o remorso é motivado pelo medo. Quem sente remorso, sabe que cometeu ato injusto, e acredita que será submetido a punição severa. Por isso, na origem da auto-flagelação não está o arrependimento, mas sim o remorso, já que a pessoa impõe a si uma punição “suportável”, acreditando que assim poderá fugir de uma punição futura, a qual acredita ser mais difícil de suportar.
O grande problema do sentimento de culpa é que esse sentimento é sempre fruto de um entendimento errado. Das duas, uma: ou a pessoa sente apenas remorso pelo pecado cometido (não se arrependendo, e assim não desejando, de fato, abandonar o pecado) ou ela simplesmente ignora o poder do perdão divino, que é o único meio dela ser livre da culpa!
Nesse final de semana eu evangelizava uma pessoa, e ela me dizia que até achava interessante ir na igreja, mas ela não conseguia permanecer seguindo a Deus porque não conseguia deixar a mentira. Na ocasião eu disse a ela que mesmo após nascidos de novo nós pecamos, mas a diferença é que não pecamos mais deliberada, e sim acidentalmente. Além disso, entregamos nossas fraquezas a Deus, para que Ele tome o controle e nos ajude a vencer o pecado, pois o Senhor é quem transforma, através da sua maravilhosa graça, cada um dos problemas e pecados em nosso coração.
Entender nossas próprias fraquezas e nossa total incapacidade de anular sozinho a culpa resultante de nossos pecados é o primeiro passo para entender a grandiosidade do amor e do perdão que temos direito desde o momento em que Cristo deu Sua Vida por nós. É a cruz que nos livra da culpa! Precisamos entender que não podemos “compensar” o pecado que gera esses sentimentos de culpa, mas conhecendo a Palavra de Deus podemos ficar livre das acusações do diabo, sejam elas falsas ou verdeiras. Não precisamos nos penitenciar, achando que assim vamos aplacar o sentimento de culpa. Todo o sacrifício para “limpar nossos antecedentes” diante de Deus já foi feito, na cruz do Calvário, e a eficácia desse sacrifício é eterna.
No próximo artigo, falarei a respeito de um homem da Bíblia que soube se comportar diante da culpa resultante de seus pecados.
“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” (Hebreus 10:14)
“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:13-15)
No último domingo, durante o momento da ceia, um de meus discípulos se negou a receber o pão e o vinho, quando a mesma foi distribuída. Dias antes, ele mesmo havia me contado que vinha sendo tomado em sua mente por sentimentos de culpa. E depois entendi que foi esse mesmo sentimento que o fez não querer participar daquele momento do culto.
Sentimentos de culpa entre os cristãos sempre existiram. É muitas vezes é o nível de culpa na consciência do cristão que pauta o seu comportamento na igreja. É típico daqueles que carregam tal sentimento a tendência ao isolamento, seja por não se sentirem dignos de estarem em comunhão com os demais ou por terem medo de ter suas falhas expostas. É possível analisar o sentimento de culpa dividindo-o em três tipos básicos de comportamentos comuns, todos igualmente errados, de alguém que se sente culpado.
O primeiro é o grupo dos que fogem da culpa. São aqueles que levam uma vida permissiva, sem se preocupar com as implicações de seus atos. Individualistas, geralmente são estes os que negam que existe pecado. Negam sua existência, para negar a culpa proveniente da sua prática. A consciência das pessoas desse grupo é cauterizada, e fazem parte dele apenas pessoas que ainda não nasceram de novo, e que portanto não têm clara consciência do pecado e suas conseqüências.
Há um segundo grupo, daqueles que ao invés de aceitar a culpa, acreditam que podem amenizar os seus efeitos sobre sua consciência através da prática de boas obras. O pensamento íntimo desse tipo de pessoa é semelhante ao dos fariseus. Pensam que podem ser considerados como homens bons se praticarem atos bons aos seus próprios olhos. Dentro desse grupo, há ainda aqueles que acreditam na reencarnação e no entendimento destes, se praticarem muitos atos de solidariedade, poderão ser beneficiados com um nascimento em condição melhor numa “próxima vida”.
Um último grupo é o daqueles que sustentam um pensamento medieval, de auto-flagelação, acreditando que podem remir a si mesmos, na medida que em imponham sofrimento a si mesmos. Na Idade Média e até mesmo ainda hoje, algumas pessoas chicoteiam o próprio corpo, amarram metais pontiagudos em si ou aplicam outros tipos de flagelos sobre seus corpos, na esperança de voltarem a um estado anterior de inocência, livres da culpa trazida pela prática do pecado.
Mas como eu disse anteriormente, todos os três representam comportamentos inadequados e que pouco contribuem para a extinção definitiva desse sentimento ou de seus efeitos. Se no primeiro a conseqüência do pecado será surpreendente e mortal, nos demais a culpa resultante do pecado sempre será um fardo a ser carregado diariamente.
Existe uma verdade bíblica: todos nós pecamos, e o pecado traz consigo morte espiritual, nos afastando de Deus (Romanos 3:23; Romanos 6:23; Isaías 59:2). Se nós pecamos, evidentemente estamos sujeitos a sermos culpados. Assim como um homicida fica em dívida com a sociedade até que sua pena de prisão seja totalmente cumprida, nós também ficamos “em dívida” com Deus a partir do momento em que pecamos.
Mas ao contrário do homicida, que necessariamente terá que passar pela cadeia, nós temos um meio de ficar livres do castigo eterno resultante do pecado. E a Bíblia nos diz que meio é esse:
“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”(Isaías 53:5).
Veja que Jesus Cristo foi ferido em razão de nossos pecados. O auto-sacrifício de Jesus pagou o preço por nossos pecados. É como se existisse uma sentença de pena de morte decretada contra todos nós, para cobrir nossa culpa pelos pecados que nós todos praticamos. Aí vem um homem, reconhecidamente inocente, nos tira do corredor da morte, e entra em nosso lugar. Isso é uma das expressões mais maravilhosas do amor de Deus por nós. Conheço um sábio pastor que diz que amor de verdade não é aquele que aparece no final de filmes hollywoodianos românticos, mas sim, o retrato de um homem pregado numa cruz. E é esse amor de verdade que apaga aquilo que nos condena e que traz verdadeira paz para dentro de nós, como se não tivéssemos pecado.
Exatamente por causa desse sacrifício, é que nós, que recebemos a Cristo e reconhecemos o seu poder para nos perdoar, não precisamos carregar o peso da culpa. O tratamento de Deus conosco não é segundo a Lei, mas de acordo com a Graça. Por ela somos salvos, e graciosamente também somos perdoados (1 João 1:9), na medida em que nos arrependemos. O caminho do pecado em nós, a partir do momento em que tomamos consciência dele, é confessá-lo, deixando de praticá-lo, e ser perdoado. Não há espaço para sentimentos de culpa. A culpa só gera remorso, e remorso é diferente de arrependimento.
Enquanto o arrependimento é motivado por um desejo de mudança de postura, o remorso é motivado pelo medo. Quem sente remorso, sabe que cometeu ato injusto, e acredita que será submetido a punição severa. Por isso, na origem da auto-flagelação não está o arrependimento, mas sim o remorso, já que a pessoa impõe a si uma punição “suportável”, acreditando que assim poderá fugir de uma punição futura, a qual acredita ser mais difícil de suportar.
O grande problema do sentimento de culpa é que esse sentimento é sempre fruto de um entendimento errado. Das duas, uma: ou a pessoa sente apenas remorso pelo pecado cometido (não se arrependendo, e assim não desejando, de fato, abandonar o pecado) ou ela simplesmente ignora o poder do perdão divino, que é o único meio dela ser livre da culpa!
Nesse final de semana eu evangelizava uma pessoa, e ela me dizia que até achava interessante ir na igreja, mas ela não conseguia permanecer seguindo a Deus porque não conseguia deixar a mentira. Na ocasião eu disse a ela que mesmo após nascidos de novo nós pecamos, mas a diferença é que não pecamos mais deliberada, e sim acidentalmente. Além disso, entregamos nossas fraquezas a Deus, para que Ele tome o controle e nos ajude a vencer o pecado, pois o Senhor é quem transforma, através da sua maravilhosa graça, cada um dos problemas e pecados em nosso coração.
Entender nossas próprias fraquezas e nossa total incapacidade de anular sozinho a culpa resultante de nossos pecados é o primeiro passo para entender a grandiosidade do amor e do perdão que temos direito desde o momento em que Cristo deu Sua Vida por nós. É a cruz que nos livra da culpa! Precisamos entender que não podemos “compensar” o pecado que gera esses sentimentos de culpa, mas conhecendo a Palavra de Deus podemos ficar livre das acusações do diabo, sejam elas falsas ou verdeiras. Não precisamos nos penitenciar, achando que assim vamos aplacar o sentimento de culpa. Todo o sacrifício para “limpar nossos antecedentes” diante de Deus já foi feito, na cruz do Calvário, e a eficácia desse sacrifício é eterna.
No próximo artigo, falarei a respeito de um homem da Bíblia que soube se comportar diante da culpa resultante de seus pecados.
“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” (Hebreus 10:14)
“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:13-15)
Não existe geração de vida sem que haja morte. Essa foi uma das mais importantes lições de Cristo, demonstrada através de sua morte na cruz. Nunca existiu e tampouco chegará a existir uma demonstração maior de amor do que o sacrifício de Jesus Cristo (João 15:13).
Em sua vida, sabemos que Jesus escolheu 12 homens para multiplicar o evangelho na terra. Esses homens não eram discípulos de Cristo somente porque andavam com Ele por todos os lugares que passava, mas porque foram homens nos quais Cristo olhou e viu disposição semelhante à que Ele tinha: a de entregar suas próprias vidas pela salvação de outras pessoas. E por estarem dispostos a não amarem suas vidas, se entregaram em favor da expansão do reino. Nenhum dos apóstolos morreu em camas quentes, de velhice ou morte natural, ao lado dos seus parentes. Morreram sim das formas mais tristes possíveis. Presos, exilados, crucificados em posições humilhantes. Esse foi o destino que recebeu os primeiros discípulos de Cristo.
Se a história da igreja primitiva foi banhada de sangue, no passar dos séculos a situação não mudou muito. Em Roma, cristãos eram mortos de formas bizarras, devorados por animais, queimados vivos. Na Idade Média, a religião se institucionalizou, perverteu-se, e voltou-se justamente contra os verdadeiros servos de Deus. E ainda nos dias de hoje, em dezenas de países do grupo da “igreja perseguida”, continua sendo derramado sangue de homens que amam a obra de Deus e que, como os apóstolos, se dispõem a dar seus próprios corpos pela salvação de outras pessoas.
Estes homens, que deram um verdadeiro testemunho de entrega, através de suas próprias vidas, são lembrados em Apocalipse:
“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.” (Apocalipse 6:9-11)
Repare que estes homens que morreram em favor do evangelho estão em posição de honra. Adquiriram o direito de repousarem tranquilos após a morte e receberem vestes brancas.
Mas a pergunta que surge é: e nós? Será que podemos bater no peito e declarar, a nós mesmos, que somos verdadeiros discípulos de Cristo? Aqui se requer uma análise mais detalhada.
Um primeiro ponto que merece ser destacado é o de que todo aquele que deseja ser discípulo de Cristo, tem que estar disposto ao sacrifício, diário e contínuo de suas próprias vontades. Veja o que o próprio Cristo disse:
“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me.” (Mateus 16:24)
Tomar a cruz é carregar um peso de algo que pode ser maior do que a sua própria vida. Quando Cristo literalmente carregou sua cruz ao Monte Calvário, Ele nada mais estava carregando o madeiro no qual Ele próprio seria pregado e morto. Qualquer um que quiser levar uma vida “carregando sua cruz”, deve saber que está levando uma vida que o levará para a morte física, na medida em que deverá deixar os projetos, desejos, sonhos da vida para trás. Isso não quer dizer que quem segue a Cristo não pode ter nenhum bem material e levar uma vida miserável, mas sim, que todo aquele que deseja ser discípulo de Cristo não pode ter o seu coração nestas coisas. Outrossim, tem que estar disposto a renunciar tudo o que tem se isso for necessário para a salvação de outras pessoas.
Paulo ensinou a Tito que o verdadeiro discípulo deveria renunciar à impiedade e a toda a concupiscência mundana (Tito 2:12). Jesus Cristo, antes dele, já havia sido ainda mais enfático: ninguém que não estiver disposto a renunciar tudo que tem não poderia ser discípulo d’Ele (Lucas 14:33).
Além do sacrifício, a Bíblia nos ensina também a lição do amor ao próximo. Veja o que Cristo dizia:
“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.” (Marcos 12:29-33)
Repare que toda a lei do Velho Testamento pôde ser reduzida a apenas dois mandamentos: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo. Quem leva uma vida de sacrifício na terra, negando aquilo que é do mundo, está demonstrando que ama a Deus. Mas demonstrar apenas o amor a Deus não é suficiente.
Cristo não ensinou o sacrifício puro e simples, mas um sacrifício motivado. Não se trata de fazer penitências ou violentar a si mesmo, mas de um sacrifício em benefício de outras pessoas. Quando amamos ao próximo como a nós mesmos, não nos ficamos tranqüilos com a idéia que nós estamos salvos e outras pessoas não. Se você ama duas pessoas de forma igual, você quer que ambas tenham benefícios semelhantes. Os que se negam a trabalhar pela salvação de outros, não é discípulo, porque ser discípulo é entender que a salvação da alma do seu próximo vale tanto, que se for preciso dar a sua própria vida por ela, você dará.
Entretanto, pouca gente está disposta a amar o evangelho de Cristo e a vida de outras pessoas a ponto de oferecer a sua própria vida para isso. Existem muitos “cristãos por conveniência”, que não demonstram uma fé verdadeira, como a de Paulo, que mesmo nunca tendo visto a Cristo, creu n’Ele e não se intimidava diante da morte (Filipenses 1:21). E essa é uma marca de uma fé genuína: ela resiste à morte.
Cristo não nos livrou do peso da lei simplesmente por ser bonzinhos conosco ou por amar mais a nós do que aos judeus, mas para nos dar uma tarefa não menos fácil do que seguir a lei: o encargo de amar a vida dos outros. Só experimenta uma vida cristã real e íntima aquele que entende que a maior prioridade de Deus não é abençoá-lo, mas usar a sua vida para abençoar outras pessoas.
Na Alemanha nazista, muitos judeus não estavam dispostos a morrer nos campos de concentração ou nas câmaras de gás de Hitler. Assim, muitos preferiram se esconder ou pior, se vestiam como nazistas para escapar da perseguição e restarem vivos após a guerra. Negavam de onde vieram e o que acreditavam para continuarem vivos. E assim faz hoje a maioria dos cristãos. Querem continuar sendo cristãos, mas não querem pagar o preço que o verdadeiro discípulo paga, de sacrifício contínuo e de amar a vida daquele que às vezes sequer conhece.
Deixar de pregar o evangelho, de levar uma vida de sacrifício e de amar o próximo, é uma negligência de graves conseqüências. Milhões de pessoas no mundo deixarão de ser salvas porque outros milhões de cristãos terão se prendido numa “vida cristã” egoísta, que não terá ido além da mera busca de atendimento de mesquinhas necessidades pessoais. A Bíblia diz que aqueles que não serão salvos, não o serão porque não receberam o amor da verdade para se salvarem (2 Tessalonicenses 2:10). Muitos não são salvos, porque simplesmente jamais puderam ver o que é esse amor, porque os cristãos que ele conheceu em vida não lhe mostraram isso. O amor de Deus só é expresso aos homens através de seus servos, e o número de salvos deixará de crescer na medida em que os filhos de Deus se esquecerem do seu principal papel: levar o amor de Deus para aqueles que não o conhecem.
Não é fácil viver uma vida de renúncias. Negar a si mesmo não é tarefa simples num mundo cheio de facilidades e ofertas sedutoras como o nosso. Mas asseguro que muito mais difícil e dolorosa do que qualquer transitória vida de sacrifício, será chegar na eternidade e não ter frutos dos quais se orgulhar, nem vestes brancas para receber.
“O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)
Por fim, uma última pergunta: você ama mesmo a Cristo? Antes de responder a essa pergunta e mesmo antes de entoar cânticos prontos dizendo que ama a Deus, entenda o que isso significa, e que se isso realmente for verdade em seu coração, você certamente será cobrado e testado pelo que disse. O amor não se manifesta sendo falado, mas em ações práticas e eficazes. E a única forma de demonstrar o amor a Deus é através da disposição em seguir um evangelho que gera vida à custa da morte daquele que ama às verdades da palavra que segue..
“Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.” (Mateus 10:39)
O homem não dá o valor que merecem os conselhos. Popularmente se diz que “se conselho fosse bom não eram dados, mas vendidos”. Mas se o homem não valoriza muito os conselhos de outras pessoas, Deus recomenda que muitas vezes devíamos dar ouvidos ao que os outros tem a dizer.
Se Deus não desse tanto valor à importância dos conselhos, certamente não teria inspirado o homem para que escrevesse livros como Provérbios e Eclesiastes, formados quase que exclusivamente por conselhos e recomendações, nem tampouco teria feito com que o homem os colocasse na Sua Palavra.
Por isso que precisamos tanto da comunhão da igreja e do discipulado. Andando junto aos irmãos e compartilhando nossos problemas com eles, saberemos o que o outro pensa de nossos problemas, e o que ele vê de positivo ou negativo neles. Geralmente o outro, que está fora da nossa realidade, vê nos nossos problemas, aspectos que não percebemos, pois temos tendência de ser cegos quando nossos sentimentos e emoções são afetados.
Quem anda sozinho, erra mais fácil. Eu diria que quem anda só, é como o cavalo que anda com aquela viseira (ou “tapa”), que nele é colocada para puxar carroça. O cavalo, ao contrário do homem, não possui os olhos próximos entre si, mas um em cada lado da fronte. Portanto, apesar de ver de forma mais “desorganizada”, tem um campo de visão mais amplo. O dono coloca a viseira para que ele enxergue só o que lhe aparece na frente, o que dá ao animal mais foco na dianteira. Mas ao mesmo tempo que ele ganha em foco, ele perde em referência, pois com a viseira, o cavalo não terá mais a capacidade de ver as ameaças que vem dos lados. Assim é quem anda só, sem ouvir os conselhos. Tem a visão limitada e não consegue ver certos tipos de ameaças e problemas que o ser humano não vê sem ser alertado pelo outro. Como um cavalo com uma viseira colocada em seus olhos.
Não interessa qual o homem, sua posição social, idade ou religião. Todos precisam de conselhos. Jesus Cristo dizia que até mesmo um rei precisava tomar conselho antes de tomar decisões difíceis (Lucas 14:31).
A falta de um bom conselho faz muitos homens tropeçarem. E foi exatamente isso que aconteceu com Absalão. Através de parte de sua história, descrita em II Samuel 17, podemos tirar pelo menos 6 lições importantes a respeito do valor dos conselhos.
1. Devemos seguir o conselho correto. Absalão não seguiu o conselho correto. Apesar de Husai ser um homem sábio, ele não era um profeta de Deus. Por isso, por mais sábio que possa parecer um homem, não podemos sempre guiar nossa conduta pelo que ele fala se ele não for um profeta de Deus. O conselho correto geralmente vêm sempre das mesmas pessoas. Pessoas que tem autoridade sobre nossas vidas e nos conhece, geralmente são as mais qualificadas para nos dar conselhos. Nossos pastores e líderes na igreja e nossos pais (principalmente se forem cristãos) são bons exemplos. O problema é que muitas vezes ouvimos conselhos diferentes, cada um nos recomendando coisas opostas ao outro.Existem situações que são de difícil resolução, que dependem muitas vezes de oração, para se ter revelação da Vontade de Deus. Mas outras são resolvidas facilmente, bastando olhar a Bíblia. A Palavra de Deus nos recomenda, por exemplo, que não devemos andar sob o conselho de ímpios (Salmos 1:1; Provérbios 12:5). Se um ímpio nos diz para fazer algo, e as pessoas que nos acompanham na igreja recomendam algo diferente, quase sempre o melhor conselho vem da igreja.
Além dos que estão na igreja, pessoas próximas de nós podem ser usadas por Deus para nos dar um bom conselho. E geralmente essas pessoas são mais velhas, têm maior experiência de vida (às vezes até passaram por problemas semelhantes), e por isso podem nos aconselhar sabiamente. O próprio Moisés se deparou com uma situação de dúvida e acertou ao seguir o conselho de seu sogro (Êxodo 18:24).
2. Devemos pensar bem antes de seguir conselhos que nos agradam. Absalão se deparou com dois conselhos: o de Husai e o de Aitofel. Aitofel propôs uma ação imediata dos exércitos de Absalão contra Davi, enquanto Husai propôs que Absalão adiasse o combate, para que houvesse tempo de Absalão formar um exército mais numeroso, que lhe desse uma vitória mais expressiva, e promovesse sua imagem frente o povo. Como sabemos, Absalão, certamente por vaidade, seguiu o conselho de Husai.
Mas o erro de Absalão é cometido por muitos de nós. Muitas vezes seguimos o conselho que mais nos agrada ou que coloca nosso ego em evidência. A Bíblia nos diz que mesmo o caminho do insensato parece ser bom aos seus próprios olhos (Provérbios 12:15). Por isso, seguir o conselho que mais nos agrada nem sempre pode ser a melhor opção. É em situações como essas em que mais nos sentimos independentes para tomar decisões sozinhos. Contudo, mesmo que a boa escolha pareça lógica, precisamos de conselhos de pessoas usadas por Deus sempre que nos depararmos com escolhas que influenciarão significativamente o nosso futuro, para que não corramos o risco de sermos levados por nossas duvidosas impressões pessoais.
3. Precisamos de conselho em situações difíceis, por que há situações em que não sabemos tomar a melhor decisão. O desejo que Absalão tinha de abater o exército de Davi e alcançar o trono, o pôs em um dilema no qual ele não conseguiu pensar com sabedoria. Nós como seres humanos, somos constantemente movidos por emoções. Emoções que são aguçadas em situações de pressão, que fazem com que não consigamos pensar direito. Quando pressionado, o homem toma decisões que podem ir até mesmo contra os seus próprios valores morais. A ambição pelo poder, alimentada por Absalão, era tão grande que fez com que ele não se importasse sequer com a vida de seu próprio pai. Só importava a ele usurpar o poder, ainda que isso custasse a própria vida de Davi.
4. Os conselhos de Deus nos livram de problemas futuros. Enquanto Absalão tentava escolher qual era o sábio que tinha o melhor conselho, Davi buscou o bom conselho. Orou a Deus, e pediu que Ele interviesse na questão, e fizesse com que Absalão não seguisse o melhor conselho, pois isso implicaria na morte de Davi. E Deus o atendeu, como atende todos aqueles que dependem do conselho d’Ele para suas vidas. Em 1 Samuel 25:33, Davi agradeceu a Deus por ter enviado a ele Abigail, que o impediu de derramar sangue inocente, vingando com suas próprias mãos.
5. Quem discerne o bom conselho, não tem do que se preocupar. Davi confiava em Deus. Apesar de sua tristeza, ele submeteu-se à Vontade de Deus, ao dizer "faça de mim como melhor lhe parecer". Não buscou sábios, como fez Absalão, mas entendeu que o melhor para sua vida era o cumprimento do propósito de Deus naquele momento. E foi exatamente por ter passado por essa situação, em que teve que fugir de Absalão, que ele pôde escrever o 3º capítulo de Salmos, em que ressaltou a confiança que tinha em Deus.
6. Não há conselho melhor que o de Deus.O meio que Deus usou para livrar a vida de Davi foi permitindo que Absalão seguisse o conselho errado. Todos nós seguimos conselhos errados sempre que não damos ouvidos ao conselho de Deus, pois como somos homens, temos dificuldade de reconhecer os caminhos que são inadequados para nós (Provérbios 16:2). Não há ninguém que nos conheça tão bem, nem que saiba exatamente o que o futuro nos reserva quanto Deus. Por isso é que não encontraremos, em lugar algum, conselhos melhores que o d’Ele. Devemos entregar nossos caminhos a Deus, para sermos guiados pelo melhor conselho e Ele faça acontecer o melhor d’Ele em nossas vidas, como está escrito no livro de Salmos:
“Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará.” (Salmos 37:5)
Dizem que Deus trata com as pessoas de duas formas: pelo “amor” ou pela “dor”. Eu vejo isso de uma forma um pouco diferente. Existem pessoas que seguem a Deus e estão dispostas aceitar os conselhos e a Vontade de Deus para suas vidas. Outros querem andar pelas próprias pernas, não aceitam aquilo que Deus deseja delas, e por isso acabam pagando caro no futuro. Submeter-se à Deus é uma escolha, mas é inegável que os frutos colhidos que uma pessoa que segue as ordenanças de Deus pra sua vida são muito melhores do que os que são colhidos por aqueles que querem seguir aquilo que acham que é certo. Com estes, Deus não trata senão pelo forma dolorosa, através de dores, perdas, vergonhas.
O meu conselho é que você, que lê este artigo, aprenda a conhecer a Vontade de Deus e aceitá-la, ainda que lhe seja exigido que tome decisões drásticas ou faça mudanças que você não planejava. A Bíblia nos ensina que é melhor obedecer do que sacrificar (1 Samuel 15:22) e, de fato, é melhor seguir os conselhos de Deus, do que acreditar na incerteza dos frutos de nossas próprias decisões.
“Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança.” (Provérbios 11:14)
“Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio.” (Provérbios 19:20)
O amor se prova pela renúncia. Quando amamos de verdade uma pessoa, renunciamos muitos momentos com outras pessoas para ficar ao lado da pessoa amada. O amor faz com que deixemos de lado muitas coisas que para os outros parecem ser importantes demais, mas para nós não é.
Como uma decorrência disso, o amor envolve prioridades. Como seres humanos não-imparciais, por mais que tentemos negar, não podemos amar de forma igual duas ou mais pessoas ou coisas. Há momentos em que nós temos que fazer escolhas difíceis. E é exatamente nesse momento que demonstramos aquilo que amamos mais. Assim acontece na vida e a própria Bíblia cita um exemplo bastante conhecido:
“Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe. E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me. Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico. E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Lucas 18:20-25)
O exemplo do jovem rico vale muito para os nossos dias. Como ele, não faltam pessoas na igreja de hoje capazes de cumprir todos os requisitos de um religioso fiel. Nas igrejas, há pessoas e mais pessoas dispostas a falar que é cristão, a pular, cantar, gritar, falar em línguas, profetizar, pregar, chorar. Mas há poucas, muito poucas pessoas dispostas a renunciar aquilo que amam na terra para servir a Deus. Não hesitamos em estudar um pouco mais, arrumar um emprego a mais, assumir um compromisso a mais, ainda que isso diminua o nosso tempo com Deus. E ainda somos capazes de dizer que amamos a Deus acima de todas as coisas. Contradizemos a nós mesmos ao dizermos que amamos a Deus e não provamos isso ao não renunciar praticamente nada!
Existe algo que todos nós precisamos entender: Deus é auto-suficiente, e é o único que não depende de nada nem de ninguém para continuar existindo, seja de nós, dos anjos ou de qualquer ente por Ele criado. Absolutamente nada. Dele é tudo aquilo que existe de precioso ou de importante que a você possa “pertencer” (Ageu 2:8). Os homens, bons ou maus, só estão vivos porque ele permite isso. Por mais que você tenha casas, carros ou diversas posses, coisas simples como uma pequena célula cancerosa que se multiplique, um pequeno vírus que se alastre no seu corpo, ou até mesmo um passo errado que leve você a tropeçar numa escada, pode levar você a “perder” tudo aquilo que você acha que é seu. Por isso, não há nada que pertença a você, que você possa dar a Deus, simplesmente porque nada do que está conosco pertence a nós, por mais rico que você possa parecer aos homens. O salmista ainda faz essa mesma pergunta (“Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?”). Uma pergunta que todos nós também deveríamos fazer. E é por isso, por não sermos donos absolutos de nada que está em nossas mãos e pela impossibilidade de dar algo a Deus, é que a única coisa que podemos fazer a Deus, como prova de nosso amor por Ele, é renunciar aquilo que Ele mesmo tem nos dado. Podemos renunciar as primícias da renda que Ele nos dá, ou parte do tempo dos dias que ele nos acrescenta para passarmos na Sua presença, ou ainda renunciarmos a nós mesmos, aos nossos prazeres e vontades e submetermos à vontade d’Ele. A quantidade de vezes que fazemos renúncias desse tipo é então proporcional ao amor que temos ou que estamos dispostos a oferecer a Ele. Se não fazemos nada semelhante isso, a dura verdade é que não amamos a Deus, pois não demonstramos isso, ou que o nosso amor a Ele não passa de discurso.
Convido você nesse momento a fazer uma análise sincera nas suas atitudes no último ano. Quais foram as decisões importantes que você tomou no ano passado? Em quantas delas você se decidiu, não pela conveniência, mais por aquela opção que te aproximava mais a Deus, que te dava mais tempo com Ele, e não contrário? Pergunto mais: será que em todos os meses do ano você foi fiel a Cristo com suas finanças, conforme o que está escrito na Bíblia? Em quantas dessas decisões você consultou a Deus antes de tomá-las? A resposta a essas perguntas pode nos dar a noção aproximada da prioridade que damos a Deus em nossas vidas.
O amor de Deus por nós também é exigente. Assim como Deus provou o seu amor aos homens da forma mais intensa que poderia fazer, oferecendo a vida de Seu próprio Filho (João 3:16), Ele também requer que nós façamos algumas renúncias. Requer que renunciemos àquilo que o mundo oferece (Tito 2:12), à nossa tranqüilidade (2 Timóteo 3:12) e até mesmo às nossas próprias vidas (Mateus 16:24).
Sobre o amor a Deus, cabe aqui mais uma observação: o amor a Deus está intimamente ligado à fé que temos n’Ele. Veja:
“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.” (Gálatas 5:6)
Fé e amor andam juntos. Não há fé sem amor, seja ao próximo ou a Deus. Um dos motivos que nos leva à falta de renúncia é a nossa falta de fé. Por mais que possa parecer estranho, mas uma parcela significativa das pessoas que estão nas igrejas não têm certeza absoluta da existência de Deus, de que Jesus Cristo morreu na cruz e da eficácia desse sacrifício. Estes estão ali talvez porque amigos ou familiares estão ali também, por medo de ir para o inferno, por se sentirem bem ali ou talvez esperando que Deus se revele isso a ele para que se convença da Sua Existência. Prova disso, é a grande quantidade de pessoas que vão à igreja, mas não tem interesse nenhum em se envolver no trabalho ou assumir encargos na obra de Deus. Pela fé destes ser infrutífera, não firmadas na verdade da palavra de Deus, muitos desses sucumbem, dia após dia, e saem por aí falando coisas absurdas sobre a igreja de Deus. Por não entenderem a verdade de Deus sobre a renúncia às primícias do fruto de seu trabalho, falam que os líderes são ladrões e só querem roubar o dinheiro dos fiéis. Assim, estes que outrora se disseram cristãos, acabam por engrossar as fileiras daqueles que se tornaram inimigos do evangelho de Deus.
Há ainda um outro grupo de pessoas na igreja. É o grupo daqueles que estão plenamente convencidos de que Deus existe e que Jesus Cristo morreu na cruz por nossos pecados. Mas param por aí. Não tomam atitudes que demonstrem que a sua fé é real e que é capaz de fazer diferença na sua vida e na vida dos outros, fazendo com que a sua fé não tenha a menor eficácia (Tiago 2:17). Nisto reside um outro problema: o da fé que não gera frutos, pois não está acompanhada do amor, que é um elemento que deve estar presente em tudo aquilo que fazemos a Deus e ao próximo, pois é a demonstração da inspiração de Deus em nossas atitudes, já que Ele mesmo é, em sua essência, o amor (1 João 4:12).
Em face disso, permita-me uma última pergunta: Você estaria pronto para dias em que o seu amor e a sua fé sejam provados? Pode estar muito perto o tempo de você tenha que renunciar a sua própria vida por amor a Jesus Cristo. E aí, você daria sua cabeça a prêmio, ou agiria como o jovem rico, que não quis optar por aquilo que para ele certamente pareceu como trocar o “certo pelo duvidoso”? Pense nas escolhas que você hoje tem feito e se você realmente tem uma fé e um amor tão amadurecido a ponto de renunciar a tudo e a todos pelo amor a Deus e ao Seu Evangelho, pois esse dia da renúncia pode chegar mais cedo do que você pode estar pensando. Quem hoje renuncia pouco, certamente não estará pronto para renunciar tudo no futuro. No próximo artigo, falaremos um pouco mais sobre isso.
“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” (Hebreus 12:1-2)