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domingo, 20 de junho de 2010

Os quatro pecados que impedem o fluir de Deus

Sabemos que o pecado não perdoado nos impede de ter plena comunhão com Deus. Além disso, sabemos também que não existe “hierarquia entre pecados”, ou seja, não há uma classificação de pecados em mais leves e mais graves. Existem pecados diferentes e que, por isso, possuem conseqüências diferentes. Mas todos eles nos afastam de um relacionamento pleno com Deus.

Assim, precisamos ser purificados dos pecados da carne. Mesmo não havendo pecados mais graves que outros, existem pecados que, por suas conseqüências, fazem com que o nosso canal de comunicação com Deus fique “entupido”, de forma que Deus não terá a oportunidade de fluir através de nós. A maioria das pessoas luta com quatro pecados da carne, os quais devem ser vencidos antes que o cristão seja capaz de operar ativamente com Deus.

1. O pecado do ódio. Uma das ordenanças de Cristo à igreja é a de que ela permaneça em oração e que evite o sentimento de ódio (1 Timóteo 2:8). Por quê? Porque o ódio impede o fluir de Deus, já que esse sentimento sempre está associado a um pecado ou a ausência de perdão, que também não deixa de ser um pecado. Quando odiamos outra pessoa, estamos colocando nós mesmos e nossos próprios conceitos no centro. O ódio caminha em direção oposta ao amor. Se a Bíblia nos diz que temos que amar ao próximo como a nós mesmos, e que o nosso Deus é amor, se nutrimos tais sentimentos em nosso coração, estamos negando a própria natureza de homens nascidos de novo que somos. Por isso a nossa comunicação com o Pai fica impedida.

Um comportamento não perdoador é o inimigo número um da nossa fé. Mágoas e ressentimentos com relação a pessoas nos prendem a elas. Todavia, o ódio destrói muito mais a pessoa que alimenta em si tal sentimento do que aquele que é odiado, mesmo porque este às vezes sequer sabe que está sendo odiado por alguém. Assim como temos que sujar nossas mãos de barro antes de jogá-lo em alguém, o ódio machuca primeiro aquele que carrega tal sentimento.

Além disso, a Bíblia compara o sentimento de ódio ao homicídio. Aquele que odeia uma pessoa está “matando” ela dentro de si. Na verdade, os homicídios reais nada mais são do que sentimentos de ódio que são externados contra a vida de uma pessoa.

“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 João 3:15)

Em nossa vida cristã, precisamos ser canal de benção na vida das pessoas. Contudo, nossas palavras e atitudes sempre irão refletir somente aquilo que está em nosso coração. Será impossível estar em contato com o Senhor e transmitir o amor dele a outras vidas se o nosso coração estiver contaminado com sentimentos de ódio. Apenas quando o ódio é substituído pelo perdão e pelo amor, podemos expressar o verdadeiro amor de Cristo para as pessoas.

2. O pecado do medo. O medo é outro grande inimigo do nosso crescimento espiritual. Se a pessoa carrega em si um temor específico, o poder da destruição começará a fluir a partir dele.

Existem diversos tipos de medos, que podem surgir dos mais diversos tipos de circunstâncias. Existem cristãos, por exemplo, que tem medo de manifestações demoníacas. Assim, se ele se deparar com alguém possesso, ele procurará meios de não orar sobre essa pessoa. Deixa, portanto, de reconhecer a autoridade que a nós é dada por Deus (Lucas 10:19)

Nós como seres humanos temos a infeliz tendência de olhar para as circunstâncias com nossos olhos e com nossos sentidos. Só que fazendo isso, Satanás nos destruirá com o medo. O medo sempre é fruto de uma olhar natural sobre as coisas. Se fechamos os olhos naturais e olhamos para Deus, a nossa fé é exercida e não há espaço para temores. Estando no amor d’Ele, não há motivos para ter medo.

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)

Logo, as pessoas devem ser instruídas a desistir do temor do seu ambiente e de suas circunstâncias. Se não o fizerem, não poderão desenvolver a fé nem Deus fluirá através delas.

A Bíblia diz que Deus não nos deu espírito de temor, mas de amor (2 Timóteo 1:7). O único temor que devemos ter é o de Deus (Provérbios 1:7).

Uma das recomendações que Deus sempre deu, desde os patriarcas até aos apóstolos, era a de que eles não temessem as dificuldades que haveriam de passar, pois Deus era com eles. Deus só age onde não há medo. Para que Ele venha a agir, o medo e a ansiedade devem ser substituídos pela paciência e pela fé (Salmos 40:1).

O temor nos liga a nossas dificuldades e limitações, e não àquilo que podemos ser em Cristo.

3. O pecado da inferioridade. Sempre que olhamos as circunstâncias, temos o hábito errado de nos sentir pequenos, impotentes. Também o sentimento de inferioridade é demonstração de falta de fé. É necessário que cada um entregue seu complexo de inferioridade a Deus e se permita ser reconstruído pelo amor d’Ele.

O complexo de inferioridade é muito destrutivo. Além de minar nosso potencial, nos torna vulneráveis e nos faz sujeitos a ameaças externas. Quem tem “complexo de inferioridade” sempre terá a tendência de se achar incapaz de tomar decisões e passos de fé, pois a inferioridade traz consigo o pessimismo. Não devemos nos sujeitar às circunstâncias, e sim ao nosso Deus.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

Existe uma verdade que sempre deve estar em nossa mente: a de que nada é impossível ao que crê. Essa é uma palavra que, declarada, nos faz sentir fortalecidos em Deus.

Mas muitos podem dizer que a Bíblia afirma que devemos procurar ser o menor, ou ainda, diminuir a nós mesmos. Mas ser o menor nos fala de adquirir para nós a posição de servo. E diminuir a nós mesmos diz respeito a termos uma postura de humildade, sempre preferindo em honra aos irmãos (Romanos 12:10), e não a nós mesmos. Nenhuma dessas idéias é compatível com a de nos achar inferiores a tudo e a todos.

Temos que, como Paulo, entender que não somos nada, que a nossa vida não tem valor, mas que também há em nós um Espírito que nos faz ser capazes para toda boa obra (2 Timóteo 2:21).

4. O pecado da culpa. Enquanto a pessoa estiver abatida por sentimentos de culpa, Deus jamais fluirá através dela. Precisamos fazer as pessoas compreender que, quando se sentem indignas e cheias de culpa, simplesmente podem ir ao Senhor, e Ele as limpará.

O pecado nos separa de Deus. Mas a culpa é exatamente o sentimento que tenta nos remeter à condição de quem ainda carrega o peso do pecado, ignorando o perdão que já nos foi concedido. É como aquele presidiário que, mesmo após ter cumprido toda a sua pena, continua recluso no presídio por achar que seu crime foi mais grave do que pensou o juiz, sem se lembrar do fato que a sua dívida já foi paga com a sociedade.

Ao livrar-se de seu sentimento de culpa, manifestando entendimento do perdão de Deus e da liberdade que temos para sujeitar todas as acusações do Diabo, o poder de Deus poderá fluir.

“Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o SENHOR.” (1 Coríntios 4:4)

domingo, 6 de junho de 2010

O princípio da honra

“Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão.” (2 João 1:8)

O versículo citado nos fala que existe uma recompensa que é obtida por esforço, e que devem ser tomadas precauções para que essa recompensa seja recebida de forma completa. Ora, se há uma recomendação para buscarmos um galardão inteiro, é sinal de que há um galardão “pelas metades”. Cristo fala algo mais detalhado a respeito desse galardão:

“Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo. E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.” (Mateus 10:40-42)

Assim, para recebermos a Cristo, é necessário que recebamos aqueles que foram enviados por Ele, tanto o profeta quanto o justo, para que recebamos todo o galardão que nos é proposto.

Receber aqui significa honrar. E honrar é ouvir, respeitar, admirar, dar crédito ao que eles diziam. Nessa passagem, Cristo outorgou aos seus discípulos a mesma posição que Ele tinha: a de anunciador da mensagem de Deus. Por isso, as pessoas deveriam honrá-lo, recebendo a cada um deles como se estivessem recebendo ao próprio Cristo.

Mas a Bíblia nos conta que até o próprio Cristo, em determinadas situações, não foi honrado como deveria:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” (Marcos 6:4-5)

No próprio lugar onde Cristo nasceu, as pessoas não o reconheciam. Por terem lhe visto crescer, conhecendo seus pais e irmãos, as pessoas não davam a Ele a mesma honra que recebia quando Ele pregava em outras cidades. Por isso, a Bíblia conta que ali não foram feitas obras maravilhosas.

Entre os judeus o problema foi ainda maior, pois eles se negaram receber a Cristo como Messias. Mesmo sendo o Enviado de Deus, Cristo estava numa “embalagem” de homem simples e humilde e por isso os judeus não aceitaram o presente que Deus havia enviado a eles. Diante disso, Cristo afirmou:

“Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.” (Mateus 23:39)

Ou seja, como os judeus não honraram a Cristo quando Ele se mostrou como um homem simples e acessível, eles agora só voltarão a vê-lo quando derem a Ele a devida honra! A honra de reconhecerem a Ele como aquele que é bendito e que vem em nome do Senhor.

Do que foi falado até aqui, é possível concluir duas coisas: a primeira é a de que Cristo precisa ser honrado para que possa agir; a segunda é a de que, como o próprio Cristo afirmou, os seus discípulos, que são enviados em Seu Nome, tem que ser honrados e recebidos assim como o próprio Cristo!

E esse segundo ponto é sem dúvida o mais difícil de ser aplicado. Os membros das igrejas de hoje estão acostumados a reconhecer os pregadores que vêm de fora, bem como o principal pastor da congregação local, mas poucos reconhecem devidamente os seus líderes imediatos, ou ainda, os membros que lhe são mais próximos. Recebem o galardão de profeta, mas não recebem o galardão de justo, pois não honram aqueles que Deus colocou ao seu lado, para falar da parte d’Ele em suas vidas. Existem então, cinco motivos pelos quais as pessoas resistem honrar seus líderes mais próximos e receberem o galardão completo.

O primeiro deles está na idéia de que o líder não corresponde ao padrão que consideramos aceitável. Isso acontece sempre que o líder tem características das quais não gostamos. Aí deixamos de olhar aquilo que Ele nos fala, para olhar aquilo que achamos que é um defeito. Com João Batista aconteceu isso. Os judeus não o viam com bons olhos porque ele era um homem rude, pouco sociável, de palavras duras. Também não aceitavam a Cristo porque, apesar de ser um homem sociável, manso e humilde, era um homem de origem modesta e que andava com pecadores. Assim, os judeus não aceitariam ninguém que não correspondesse ao tipo de Messias que eles esperavam. Não estavam interessados naquele em que Deus queria enviar, mas sim, naquele que viesse da forma que lhes agradassem.

O segundo motivo é porque pensam que o homem de Deus não é digno de honra. O exemplo de Ana e Eli nos fala a respeito disso. Eli era um péssimo sacerdote. Deus falou a Samuel com 5 anos de idade, mas não falava com Eli. Portanto, ele talvez não fosse o modelo de líder ideal. A Bíblia diz que Eli, ao ver Ana clamando a Deus, a repreendeu duramente, pensando que ela estivesse bêbada. Mas a posição de Ana não foi de repreender ao sacerdote, como muitos de nós poderia fazer, mas sim de honrá-lo, chamando de senhor (1 Samuel 1:15). Por se sentir honrado, Eli liberou sobre ela a benção.

O terceiro motivo é que as pessoas acreditam que não foi Deus quem colocou o líder em posição de autoridade. Mas a Bíblia diz em Romanos 13:1 exatamente o contrário. As autoridades que são constituídas sobre nós, assim o são por Deus. Exemplo disso foi Saul. É costume pensar que foi o povo que pediu um rei e que por isso foi o povo quem escolheu a Saul. Mas não foi. A Bíblia diz que Saul foi escolhido por Deus (I SM. 15:11). Um escolhido que perdeu o trono justamente por ter deixado de honrar a Deus, cumprindo fielmente suas palavras.

O quarto motivo é que as pessoas imaginam que o ato de honrar um líder é um ato indigno. Muitos vêem como um ato de mera bajulação, mas a verdadeira honra não significa isso. Uma das atitudes que demonstra isso é daquela mulher de Marcos 14:3, que ungiu a cabeça de Jesus com um perfume muito caro. As pessoas que viram esse ato, talvez enxergaram uma bajulação ou um desperdício, de algo que poderia ser vendido e doado aos pobres. Mas o próprio Cristo os repreendeu. Não porque é ilegítimo ajudar aos pobres, mas sim, por não ser em vão despendermos esforços para honrarmos os que são enviados da parte de Deus.

Um último motivo é o fato de que as pessoas se sentem superiores ou até melhores do que seus líderes. Comportamento esse que é totalmente contrário à Palavra de Deus, que recomenda que nós tenhamos a todos como superiores a nós mesmos (Filipenses 2:3). Andar com Cristo é assumir uma constante posição de servo. Nós só aprendemos com as pessoas quando nos colocamos em posição menor ou igual a elas. Se olhamos aos outros como superiores, não daremos ouvidos ao que elas dizem e não aprendemos nada com elas. Por isso, é fundamental ter uma postura de servo e honrar aos outros antes mesmo de julgá-los.

Diante disso tudo, vemos que a honra não é um sentimento, mas uma decisão. Uma decisão de aceitar que as pessoas que Deus colocou próximas a nós são valiosas e precisam ser honradas, como o próprio Cristo é honrado por nós. No Novo Testamento, é ensinado que nós demonstramos a maneira que amamos e honramos a Cristo da mesma maneira que fazemos tais coisas aos irmãos mais simples que estão perto de nós (Romanos 13:9; 1 Timóteo 6:1; 1 Coríntios 12:23-25). Honrar então significa uma atitude, algo que precisa ser mostrado diariamente e mesmo nos momentos que implicar em renúncia. Mais importante que o galardão de profeta, é o galardão de justo, pois esse é diário e mais difícil de ser alcançado.

“Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, e atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? (...) Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores.” (Tiago 2:2-4;8-9)

“Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.” (1 Samuel 2:30b)

domingo, 23 de maio de 2010

O terrível sentimento de culpa (II)

Nós não merecemos o perdão de Deus. Assim como a salvação, o perdão por nossos pecados é algo que recebemos pela graça. Graça essa advinda do sacrifício de alguém que deu seu próprio sangue inocente para que nós fossemos livres de toda culpa a partir do momento em que confessamos nossos pecados (Colossenses 2:14).

No Direito, a comprovação da culpa de um criminoso só existe após a acusação. Diante das leis humanas, todos são inocentes, até o momento em que são acusadas e são encontradas provas de que essa acusação é verdadeira, e aí sim a pessoa é condenada. Nem todo que é processado é culpado, alguns são absolvidos, e outros condenados. No mundo espiritual, as coisas acontecem de forma semelhante: há alguém que, quer estejamos certos ou errados, ele sempre nos acusa, que é o chamado de “acusador de nossos irmãos” e que, segundo a Bíblia, dia e noite nos acusa diante de Deus (Apocalipse 12:10)

Assim, o perdão é um favor para nós concedido, ainda que imerecidamente. Por isso sempre que você olhar para si mesmo pensando que pode se justificar diante de Deus por seus erros, você estará errado! Eu conheço uma pessoa que diz que sempre que ouve uma pessoa se justificar muito, ela pensa que ele certamente está mentindo, porque a verdade não precisa ser justificada, apenas apresentada. E isso pode não ser uma regra, mas se aplica em muitos casos.

Muitos de nós estabelecemos “hierarquia de pecados”. Achamos que Deus facilmente nos perdoa de pecados leves, mas que Ele “dificulta” o perdão no caso de pecados mais graves. É claro que isso não existe! O perdão de Deus abrange todo e qualquer pecado, por mais grave que seja, desde que aquele que o confesse demonstre arrependimento, confessando e deixando de praticar aquele pecado (1 Coríntios 6:9-11). Se existe diferença, essa reside nas conseqüências do pecado! Diante de Deus, no dia do juízo, e agora, diante dos homens, é evidente que nós temos responsabilidades e por isso, temos que prestar contas de nossos atos e colher frutos advindos de nossos erros. As conseqüências variam, mas o perdão de Deus é o mesmo e abrange qualquer pecado cometido contra nossos irmãos, ainda que estes se neguem a nos perdoar.

Um personagem da Bíblia que já entendia que poderia ser perdoado, mesmo antes da morte de Cristo, foi Davi. Davi foi um homem que cometeu inúmeros pecados. Alguns deles bastante reprováveis. Cometeu adultério e inclusive provocou a morte de outra pessoa. Enfim, cometeu pecados que maioria de nós jamais cometerá. Mas além de ser alguém que pecava, ele era um homem que sabia se arrepender de seus pecados e que chegou a ser chamado de “homem segundo o coração de Deus”.

Davi cometeu os piores pecados, mas ainda assim foi chamado homem segundo o coração de Deus. Em muitas vezes que o diabo culpou Davi diante de Deus, as acusações não eram sem fundamento. Mas Davi sabia reconhecer seus próprios erros e a clamar pelo perdão de Deus.

“Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. (Selá.) Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. (Selá.) (Salmo 32:4-5)

Naquele tempo, Cristo ainda não havia morrido pelos pecados dos homens. Assim, o perdão não era algo tão fácil como nos nossos dias. Mesmo assim, Davi clamava pela misericórdia de um Deus que poderia apagar as suas transgressões (Isaías 43:25; Ezequiel 18:21-22)

Davi pecou, mas encontrou liberdade dos seus pecados e sentimentos de culpa diante de Deus. E é diante de Deus, e não do diabo, que somos livres de nossa culpa.

Mas a primeira coisa que pode vir à nossa mente é o fato de que com esse perdão que Deus nos dá nós podemos pecar de forma desmedida que ainda assim seremos perdoados. A princípio esse pensamento pode parecer verdadeiro, mas esse jamais deve ser o pensamento do crente, nascido de novo. Aquele que nasceu de novo, deixa o pecado. Essa é uma demonstração clara na vida daquele que serve a Cristo. Se a pessoa tem o pecado como uma prática sistemática em sua vida, é sinal de que a sua consciência está cauterizada, como se ainda estivesse no mundo. Seria como dizer a Cristo que o aceita como Senhor de sua vida, mas demonstrar com seus próprios atos que não guarda as suas palavras. Uma das maiores demonstrações de amor à Deus está na obediência à seus mandamentos, e aquele que ama mais o pecado do que as ordenanças de Deus, mostra que ainda não ama a Deus da maneira um filho deve amar um pai (João 14:21). Por mais que pareça que o perdão de Deus não exija mudanças de nós, é necessário entender que ter o pecado como um costume e dizer que ama a Deus é por demais contraditório! Não dá para dizer que é nascido de novo sem deixar para trás as obras do velho homem, pois aquele que é nascido de Deus anda em novidade de vida (Romanos 6:4)

Prova disso era a maneira que Cristo lidava com os pecadores que Ele curava: Ele não os condenava por seu passado, mas dizia a eles para não pecarem mais (João 5:14; João 8:11). E a questão do pecado reiterado é séria. Quem peca demais ou tem o pecado como hábito, dá legalidade para demônios agirem contra sua vida. Quem não está em comunhão com Deus, vivendo em pecado, tem em seu coração um espaço aberto para demônios agirem de forma cada vez mais “legalizada” (Lucas 11:26).

Mesmo sabendo que o diabo nos acusa até por pecados pelos quais já arrependemos e confessamos, há situações em que o sentimento de culpa que se passa em nosso interior tem razão. São situações em que estamos em pecado. Aqui o problema não é simplesmente entender o perdão de Deus e rejeitar a acusação maligna, e sim tomar atitudes práticas, arrependendo-se e confessando o pecado cometido. Perceba que o arrependimento precede a confissão, pois não adianta confessarmos nossos erros com os lábios sem que tomemos a decisão de não dar mais espaço para o pecado em nossas vidas! Em Salmos 32, Davi pecou, sabia que o sentimento de culpa não era em vão, mas se arrependeu e depois clamou pelo perdão de Deus. Assim, quando o pecado é um problema crônico em nossas vidas, ele deve ser enfrentado, para que o arrependimento seja real e implique em mudança de comportamento.

Devemos também pedir a Deus que nos mostre quais são os pecados que cometemos e que precisam ser confessados, pedindo perdão de forma sincera e ao mesmo tempo específica. Repare abaixo que Davi clamou a Deus para que perdoasse até mesmo os pecados que ele não se lembrava. Isso é bastante comum no caso de novos convertidos, que evidentemente não se lembrarão de todos os pecados que cometerem. Aqui o mais importante não é ter uma excelente memória para lembrar de todos os pecados, mas sim, desejar, de coração sincero, abandonar a prática de cada um dos pecados que cometeu até conhecer a Cristo.

“Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.” (Salmos 19:12)

É importante termos em nós a certeza de que Deus nos perdoou dos pecados que confessamos. Sempre que sentimentos de culpa vierem sobre nossa mente e forem relativos a pecados que já confessamos, devemos rejeitar esses sentimentos de culpa como sendo falsos! Ora, se Deus mesmo apagou nossas transgressões com o seu perdão, não somos nós que precisamos ficar lembrando daquilo que já foi deixado.

Sabemos que Deus não mente. Ao contrário, Ele é fiel ao que diz em Sua Palavra. Se ele diz que a Sua misericórdia se renova diariamente e que Ele perdoa os pecados que são confessados, temos o direito de tomar posse desse perdão para nós. E mais do que isso: temos autoridade dada por Deus para repreender aquele que falsamente nos acusa, tentando nos impedir de ter paz e alegria que só são completas quando estamos livres da escravidão do pecado e em plena comunhão com Deus.

“Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade. Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” (Salmos 103:8)

“Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Isaías 1:18)

“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1)

domingo, 9 de maio de 2010

O terrível sentimento de culpa (I)

No último domingo, durante o momento da ceia, um de meus discípulos se negou a receber o pão e o vinho, quando a mesma foi distribuída. Dias antes, ele mesmo havia me contado que vinha sendo tomado em sua mente por sentimentos de culpa. E depois entendi que foi esse mesmo sentimento que o fez não querer participar daquele momento do culto.

Sentimentos de culpa entre os cristãos sempre existiram. É muitas vezes é o nível de culpa na consciência do cristão que pauta o seu comportamento na igreja. É típico daqueles que carregam tal sentimento a tendência ao isolamento, seja por não se sentirem dignos de estarem em comunhão com os demais ou por terem medo de ter suas falhas expostas. É possível analisar o sentimento de culpa dividindo-o em três tipos básicos de comportamentos comuns, todos igualmente errados, de alguém que se sente culpado.

O primeiro é o grupo dos que fogem da culpa. São aqueles que levam uma vida permissiva, sem se preocupar com as implicações de seus atos. Individualistas, geralmente são estes os que negam que existe pecado. Negam sua existência, para negar a culpa proveniente da sua prática. A consciência das pessoas desse grupo é cauterizada, e fazem parte dele apenas pessoas que ainda não nasceram de novo, e que portanto não têm clara consciência do pecado e suas conseqüências.

Há um segundo grupo, daqueles que ao invés de aceitar a culpa, acreditam que podem amenizar os seus efeitos sobre sua consciência através da prática de boas obras. O pensamento íntimo desse tipo de pessoa é semelhante ao dos fariseus. Pensam que podem ser considerados como homens bons se praticarem atos bons aos seus próprios olhos. Dentro desse grupo, há ainda aqueles que acreditam na reencarnação e no entendimento destes, se praticarem muitos atos de solidariedade, poderão ser beneficiados com um nascimento em condição melhor numa “próxima vida”.

Um último grupo é o daqueles que sustentam um pensamento medieval, de auto-flagelação, acreditando que podem remir a si mesmos, na medida que em imponham sofrimento a si mesmos. Na Idade Média e até mesmo ainda hoje, algumas pessoas chicoteiam o próprio corpo, amarram metais pontiagudos em si ou aplicam outros tipos de flagelos sobre seus corpos, na esperança de voltarem a um estado anterior de inocência, livres da culpa trazida pela prática do pecado.

Mas como eu disse anteriormente, todos os três representam comportamentos inadequados e que pouco contribuem para a extinção definitiva desse sentimento ou de seus efeitos. Se no primeiro a conseqüência do pecado será surpreendente e mortal, nos demais a culpa resultante do pecado sempre será um fardo a ser carregado diariamente.

Existe uma verdade bíblica: todos nós pecamos, e o pecado traz consigo morte espiritual, nos afastando de Deus (Romanos 3:23; Romanos 6:23; Isaías 59:2). Se nós pecamos, evidentemente estamos sujeitos a sermos culpados. Assim como um homicida fica em dívida com a sociedade até que sua pena de prisão seja totalmente cumprida, nós também ficamos “em dívida” com Deus a partir do momento em que pecamos.

Mas ao contrário do homicida, que necessariamente terá que passar pela cadeia, nós temos um meio de ficar livres do castigo eterno resultante do pecado. E a Bíblia nos diz que meio é esse:

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:5).

Veja que Jesus Cristo foi ferido em razão de nossos pecados. O auto-sacrifício de Jesus pagou o preço por nossos pecados. É como se existisse uma sentença de pena de morte decretada contra todos nós, para cobrir nossa culpa pelos pecados que nós todos praticamos. Aí vem um homem, reconhecidamente inocente, nos tira do corredor da morte, e entra em nosso lugar. Isso é uma das expressões mais maravilhosas do amor de Deus por nós. Conheço um sábio pastor que diz que amor de verdade não é aquele que aparece no final de filmes hollywoodianos românticos, mas sim, o retrato de um homem pregado numa cruz. E é esse amor de verdade que apaga aquilo que nos condena e que traz verdadeira paz para dentro de nós, como se não tivéssemos pecado.

Exatamente por causa desse sacrifício, é que nós, que recebemos a Cristo e reconhecemos o seu poder para nos perdoar, não precisamos carregar o peso da culpa. O tratamento de Deus conosco não é segundo a Lei, mas de acordo com a Graça. Por ela somos salvos, e graciosamente também somos perdoados (1 João 1:9), na medida em que nos arrependemos. O caminho do pecado em nós, a partir do momento em que tomamos consciência dele, é confessá-lo, deixando de praticá-lo, e ser perdoado. Não há espaço para sentimentos de culpa. A culpa só gera remorso, e remorso é diferente de arrependimento.

Enquanto o arrependimento é motivado por um desejo de mudança de postura, o remorso é motivado pelo medo. Quem sente remorso, sabe que cometeu ato injusto, e acredita que será submetido a punição severa. Por isso, na origem da auto-flagelação não está o arrependimento, mas sim o remorso, já que a pessoa impõe a si uma punição “suportável”, acreditando que assim poderá fugir de uma punição futura, a qual acredita ser mais difícil de suportar.

O grande problema do sentimento de culpa é que esse sentimento é sempre fruto de um entendimento errado. Das duas, uma: ou a pessoa sente apenas remorso pelo pecado cometido (não se arrependendo, e assim não desejando, de fato, abandonar o pecado) ou ela simplesmente ignora o poder do perdão divino, que é o único meio dela ser livre da culpa!

Nesse final de semana eu evangelizava uma pessoa, e ela me dizia que até achava interessante ir na igreja, mas ela não conseguia permanecer seguindo a Deus porque não conseguia deixar a mentira. Na ocasião eu disse a ela que mesmo após nascidos de novo nós pecamos, mas a diferença é que não pecamos mais deliberada, e sim acidentalmente. Além disso, entregamos nossas fraquezas a Deus, para que Ele tome o controle e nos ajude a vencer o pecado, pois o Senhor é quem transforma, através da sua maravilhosa graça, cada um dos problemas e pecados em nosso coração.

Entender nossas próprias fraquezas e nossa total incapacidade de anular sozinho a culpa resultante de nossos pecados é o primeiro passo para entender a grandiosidade do amor e do perdão que temos direito desde o momento em que Cristo deu Sua Vida por nós. É a cruz que nos livra da culpa! Precisamos entender que não podemos “compensar” o pecado que gera esses sentimentos de culpa, mas conhecendo a Palavra de Deus podemos ficar livre das acusações do diabo, sejam elas falsas ou verdeiras. Não precisamos nos penitenciar, achando que assim vamos aplacar o sentimento de culpa. Todo o sacrifício para “limpar nossos antecedentes” diante de Deus já foi feito, na cruz do Calvário, e a eficácia desse sacrifício é eterna.

No próximo artigo, falarei a respeito de um homem da Bíblia que soube se comportar diante da culpa resultante de seus pecados.

“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” (Hebreus 10:14)

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:13-15)

No último domingo, durante o momento da ceia, um de meus discípulos se negou a receber o pão e o vinho, quando a mesma foi distribuída. Dias antes, ele mesmo havia me contado que vinha sendo tomado em sua mente por sentimentos de culpa. E depois entendi que foi esse mesmo sentimento que o fez não querer participar daquele momento do culto.

Sentimentos de culpa entre os cristãos sempre existiram. É muitas vezes é o nível de culpa na consciência do cristão que pauta o seu comportamento na igreja. É típico daqueles que carregam tal sentimento a tendência ao isolamento, seja por não se sentirem dignos de estarem em comunhão com os demais ou por terem medo de ter suas falhas expostas. É possível analisar o sentimento de culpa dividindo-o em três tipos básicos de comportamentos comuns, todos igualmente errados, de alguém que se sente culpado.

O primeiro é o grupo dos que fogem da culpa. São aqueles que levam uma vida permissiva, sem se preocupar com as implicações de seus atos. Individualistas, geralmente são estes os que negam que existe pecado. Negam sua existência, para negar a culpa proveniente da sua prática. A consciência das pessoas desse grupo é cauterizada, e fazem parte dele apenas pessoas que ainda não nasceram de novo, e que portanto não têm clara consciência do pecado e suas conseqüências.

Há um segundo grupo, daqueles que ao invés de aceitar a culpa, acreditam que podem amenizar os seus efeitos sobre sua consciência através da prática de boas obras. O pensamento íntimo desse tipo de pessoa é semelhante ao dos fariseus. Pensam que podem ser considerados como homens bons se praticarem atos bons aos seus próprios olhos. Dentro desse grupo, há ainda aqueles que acreditam na reencarnação e no entendimento destes, se praticarem muitos atos de solidariedade, poderão ser beneficiados com um nascimento em condição melhor numa “próxima vida”.

Um último grupo é o daqueles que sustentam um pensamento medieval, de auto-flagelação, acreditando que podem remir a si mesmos, na medida que em imponham sofrimento a si mesmos. Na Idade Média e até mesmo ainda hoje, algumas pessoas chicoteiam o próprio corpo, amarram metais pontiagudos em si ou aplicam outros tipos de flagelos sobre seus corpos, na esperança de voltarem a um estado anterior de inocência, livres da culpa trazida pela prática do pecado.

Mas como eu disse anteriormente, todos os três representam comportamentos inadequados e que pouco contribuem para a extinção definitiva desse sentimento ou de seus efeitos. Se no primeiro a conseqüência do pecado será surpreendente e mortal, nos demais a culpa resultante do pecado sempre será um fardo a ser carregado diariamente.

Existe uma verdade bíblica: todos nós pecamos, e o pecado traz consigo morte espiritual, nos afastando de Deus (Romanos 3:23; Romanos 6:23; Isaías 59:2). Se nós pecamos, evidentemente estamos sujeitos a sermos culpados. Assim como um homicida fica em dívida com a sociedade até que sua pena de prisão seja totalmente cumprida, nós também ficamos “em dívida” com Deus a partir do momento em que pecamos.

Mas ao contrário do homicida, que necessariamente terá que passar pela cadeia, nós temos um meio de ficar livres do castigo eterno resultante do pecado. E a Bíblia nos diz que meio é esse:

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:5).

Veja que Jesus Cristo foi ferido em razão de nossos pecados. O auto-sacrifício de Jesus pagou o preço por nossos pecados. É como se existisse uma sentença de pena de morte decretada contra todos nós, para cobrir nossa culpa pelos pecados que nós todos praticamos. Aí vem um homem, reconhecidamente inocente, nos tira do corredor da morte, e entra em nosso lugar. Isso é uma das expressões mais maravilhosas do amor de Deus por nós. Conheço um sábio pastor que diz que amor de verdade não é aquele que aparece no final de filmes hollywoodianos românticos, mas sim, o retrato de um homem pregado numa cruz. E é esse amor de verdade que apaga aquilo que nos condena e que traz verdadeira paz para dentro de nós, como se não tivéssemos pecado.

Exatamente por causa desse sacrifício, é que nós, que recebemos a Cristo e reconhecemos o seu poder para nos perdoar, não precisamos carregar o peso da culpa. O tratamento de Deus conosco não é segundo a Lei, mas de acordo com a Graça. Por ela somos salvos, e graciosamente também somos perdoados (1 João 1:9), na medida em que nos arrependemos. O caminho do pecado em nós, a partir do momento em que tomamos consciência dele, é confessá-lo, deixando de praticá-lo, e ser perdoado. Não há espaço para sentimentos de culpa. A culpa só gera remorso, e remorso é diferente de arrependimento.

Enquanto o arrependimento é motivado por um desejo de mudança de postura, o remorso é motivado pelo medo. Quem sente remorso, sabe que cometeu ato injusto, e acredita que será submetido a punição severa. Por isso, na origem da auto-flagelação não está o arrependimento, mas sim o remorso, já que a pessoa impõe a si uma punição “suportável”, acreditando que assim poderá fugir de uma punição futura, a qual acredita ser mais difícil de suportar.

O grande problema do sentimento de culpa é que esse sentimento é sempre fruto de um entendimento errado. Das duas, uma: ou a pessoa sente apenas remorso pelo pecado cometido (não se arrependendo, e assim não desejando, de fato, abandonar o pecado) ou ela simplesmente ignora o poder do perdão divino, que é o único meio dela ser livre da culpa!

Nesse final de semana eu evangelizava uma pessoa, e ela me dizia que até achava interessante ir na igreja, mas ela não conseguia permanecer seguindo a Deus porque não conseguia deixar a mentira. Na ocasião eu disse a ela que mesmo após nascidos de novo nós pecamos, mas a diferença é que não pecamos mais deliberada, e sim acidentalmente. Além disso, entregamos nossas fraquezas a Deus, para que Ele tome o controle e nos ajude a vencer o pecado, pois o Senhor é quem transforma, através da sua maravilhosa graça, cada um dos problemas e pecados em nosso coração.

Entender nossas próprias fraquezas e nossa total incapacidade de anular sozinho a culpa resultante de nossos pecados é o primeiro passo para entender a grandiosidade do amor e do perdão que temos direito desde o momento em que Cristo deu Sua Vida por nós. É a cruz que nos livra da culpa! Precisamos entender que não podemos “compensar” o pecado que gera esses sentimentos de culpa, mas conhecendo a Palavra de Deus podemos ficar livre das acusações do diabo, sejam elas falsas ou verdeiras. Não precisamos nos penitenciar, achando que assim vamos aplacar o sentimento de culpa. Todo o sacrifício para “limpar nossos antecedentes” diante de Deus já foi feito, na cruz do Calvário, e a eficácia desse sacrifício é eterna.

No próximo artigo, falarei a respeito de um homem da Bíblia que soube se comportar diante da culpa resultante de seus pecados.

“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” (Hebreus 10:14)

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:13-15)

domingo, 28 de março de 2010

A mulher de verdade segundo a Bíblia

No artigo anterior falou-se a respeito das características do verdadeiro padrão de homem segundo a Palavra de Deus que, como vimos, é bem diferente da idéia de masculinidade que o mundo propõe como estilo de comportamento. Com os padrões de feminilidade, a sociedade moderna fez uma inversão de valores semelhante, e é isso que será abordado aqui.

As mais fiéis seguidoras de Jesus foram as mulheres. Foi uma mulher que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas (Lucas 7:44). Foi também uma mulher a primeira pessoa a quem Cristo aparecer após ter ressuscitado (Marcos 16:9). As mulheres sempre estavam entre aqueles que perseveravam (Atos dos Apóstolos 1:14) e que tinham o coração aberto para a pregação (Atos dos Apóstolos 16:14). Mulheres sempre estavam entre o grupo dos que trabalhavam pelo evangelho (Filipenses 4:3) e, talvez por isso, à mulher é comparada a igreja, como uma esposa fiel e amorosa que se apronta para seu marido (Apocalipse 21:2).

Em face de tudo isso e de diversas outras citações honrosas que a Bíblia faz da mulher, é que podemos perceber o papel de destaque que a mulher tem dentro do contexto bíblico. Não naquilo que a aproxima do homem, mas naquilo que a diferencia. Deus criou homem e mulher, cada um com um papel, e sendo honrado (a) na medida em que se ajusta ao fim que foi criado (a) por Deus.

Mas, como sempre, o mundo perverteu os valores e padrões anunciados na Bíblia. As jovens do nosso tempo sofrem de um outro problema: a falta de padrão. A nossa “moderna” sociedade tem ensinado que o papel que a mulher sempre desempenhou na família até o inicio do século passado está ultrapassado. Ensina-se que deve ser ignorado o passado e se construir um novo modelo de mulher, avessa à submissão e a qualquer tipo de dependência do sexo masculino.

Muito disso começou como o corrompido movimento feminista, iniciado há cerca de um século atrás e agravado a partir da década de 60. No início, as mulheres buscavam apenas exercer a cidadania, através do voto. Mas em um segundo momento, as mulheres passaram a exigir uma “igualdade social” com os homens, o que consistiu numa reação das mulheres ao papel que desempenhavam no passado. Assim como Lúcifer achou que poderia ser igual a Deus e tentou usurpar ser igual a Ele, as feministas também quiseram ser iguais aos homens. Tanto o anjo de luz quanto as mulheres erraram. Aquele, por achar que deveria ser mais do que realmente era e estas por ignorarem a posição de honra que a própria Bíblia deu a elas, achando enganosamente que se desfrutassem de um papel exatamente igual ao do homem poderiam ser mais realizadas, negando assim os padrões estabelecidos desde a Criação.

Como a experiência sempre mostra que o ser humano jamais pode fazer algo melhor (ou sequer igual) ao que Deus idealizou, as conseqüências desse movimento têm sido funestas. O feminismo trouxe consigo um aumento significativo dos índices de homossexualismo, depressão e descontentamento entre as mulheres. Foi exatamente a partir da segunda fase do feminismo que a nossa sociedade experimentou uma das piores fases de decadência moral de sua história, culminando nos últimos cinquenta anos em tudo aquilo que temos visto hoje.

Dentro dessa falsa idéia de igualdade, as mulheres passaram a ser fruto dos modelos impostos pela mídia, nas propagandas de grandes lojas, nas entrevistas de modelos famosas e principalmente nas novelas, que mostram mulheres que se orgulham de ser independentes, mas ao mesmo tempo tratam seus próprios corpos como objeto de conquista e levam uma vida deprimida e vazia. A ilusão de um enganoso feliz último capítulo, faz as mulheres acharem que esse é o melhor modelo a ser seguido.

Ensina-se que a mulher de verdade deve ser, antes de tudo, independente. Constrói-se o mito de que a mulher só se realiza e só é reconhecida socialmente se trabalhar fora de casa. Além disso, ensina-se que a mulher deve ter um estilo tão permissivo e leviano quanto os homens do mundo. Para o mundo, a mulher deve ser autoritária e submeter todos os homens aos seus pés.

Mas será esse o tipo de mulher que a Bíblia recomenda? Será esse o modelo cristão de feminilidade? É óbvio que não. Então vejamos algumas das características da mulher de verdade segundo a Bíblia.

A mulher deve ser boa dona de casa: A Bíblia ensina que a mulher deve saber cuidar de sua casa. Em Provérbios, a Bíblia diz que a mulher está sempre pronta a dar de comer aos de casa a qualquer hora do dia (Provérbios 31:15) e não come o pão da preguiça (Provérbios 31:27).

Deve cuidar da sua aparência e família: Além de ser boa dona de casa, a mulher de verdade cuida bem da sua própria aparência e daqueles que dela dependem, providenciando para que eles estejam sempre bem vestidos (Provérbios 31:21-22).

Deve edificar com sabedoria: Ainda segundo Provérbios, a mulher deve saber edificar sua casa com sabedoria, sabendo a hora certa de falar (Provérbios 31:26). Enquanto a mulher sábia edifica o lar, a tola o destrói (Provérbios 14:1).

Deve ser companheira e auxiliadora idônea: Desde a Criação da mulher, Deus estabeleceu que a mulher seria uma companheira idônea do homem (Gênesis 2:18). E isso não coloca a mulher em posição de desonra, mas em lugar de honra e de importância única e insubstituível. A obra da Criação estava incompleta até que a mulher foi criada e com ela veio a mais bela das instituições: a família.

Deve ser mãe: O mais importante papel da mulher é ser mãe. Antes que sociedade se corrompesse, esse era o sonho de toda mulher. A mulher entende a importância de seu papel quando se torna mãe. Todos os grandes homens, e mesmo Jesus Cristo, foram gerados do ventre de uma mulher.

Deve ser intercessora: A mulher deve ser alguém que intercede por seu esposo e por sua família. Ela não se cansa de orar incessantemente por eles, e “sua lâmpada não se apaga de noite” (Provérbios 31:18).

Deve ser temente ao Senhor: Por fim, a mulher de verdade é temente ao Senhor.

“Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.” (Provérbios 31:30).

Esse é o padrão de mulher segundo a Bíblia: sábia, boa dona de casa, companheira, mãe, intercessora e temente a Deus. Não são os valores que estão em moda, mas são valores eternos, comuns às mulheres que fizeram parte da Bíblia.

Cabe a você mulher analisar qual o melhor modelo a ser seguido. Valeria a pena cair no engano de que a Bíblia está ultrapassada, retrógrada? Será mesmo que a mulher feliz é a mulher independente, que não precisa de homem nenhum e que ignora o modelo de comportamento bíblico? Para todas essas perguntas, a melhor resposta é a negativa. E feliz e virtuosa será a mulher que entender que na Bíblia está o verdadeiro modelo de conduta para a mulher.

“Salvar-se-á, porém [a mulher], dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação.” (1 Timóteo 2:15)

domingo, 14 de março de 2010

O homem de verdade segundo a Bíblia

A nossa sociedade passa por uma crise moral. Como predito pela Bíblia, a iniqüidade tomou conta do coração dos homens e estes perderam sua afeição e tornaram-se egoístas. A família, instituição criada por Deus no Jardim do Éden, não é mais respeitada como nos séculos anteriores. O resultado disso é a falência moral da sociedade, que perdeu suas bases e referenciais.

Uma das razões disso está no fato de que os seres humanos perderam sua identidade. Os homens não são mais verdadeiros e respeitáveis como a Bíblia recomenda que fossem e as mulheres têm rejeitado o modelo de comportamento que a Bíblia estabeleceu como sendo o melhor para elas.

A nossa geração não sabe se relacionar, tampouco tem entendido o papel de cada sexo. Se assim não o fosse, não precisaríamos falar de homossexualismo, homofobia e temas tão desnecessários de serem falados como esses (principalmente se olharmos nossas gerações passadas), fruto de um desajustamento do homem diante do propósito para o qual ele foi criado.

Na criação, Deus estabeleceu dois gêneros: macho e fêmea. Não houve meio termo. Há poucos dias num programa de televisão, um pastor disse, acertadamente, que não existe nenhum gene ou cromossomo que determine que um homem, ao crescer, será atraído por mulheres ou será homossexual. Tudo isso é fruto de escolhas. O homem passa por diversas experiências em sua vida, nas quais ele se vê diante de um comportamento de acordo com a Palavra de Deus de um lado e, de outro lado, de um caminho pecaminoso. Assim, não existe justificativa para que um homem se entregue à prática de pecados sexuais, pois a própria Bíblia diz que o homem foi biologicamente criado para se comportar da forma que a Bíblia prevê que se comporte, no tempo e na forma estabelecida por ela.

Mas sabemos que as exceções a essas regras bíblicas são inúmeras e há milhões de homens em nosso país que não assumem seu papel na sociedade como deveriam assumir, ainda que sejam heterossexuais. As causas que dão origem a isso são inúmeras.

Uma delas é a de que somos filhos de pais que não eram comunicativos. Muitos de nós fomos criados por pais e mães que em nossa infância e adolescência deixaram a desejar ao tratar de assuntos sensíveis na formação de nosso caráter. Por não discernirem o tempo de aconselhar os filhos em assuntos frágeis, como a área sexual, muitos de seus filhos acabam seguindo caminhos errados, como o da prostituição e do homossexualismo.

Além disso, a nossa geração de jovens e adolescentes não sabe o que fazer. Por não saber fazer suas escolhas e por não terem referenciais verdadeiros de caráter e conduta, muitos adolescentes se tornam rebeldes e auto-permissivos demais, não sabendo tomar decisões que acabam alterando significativamente seu futuro, levando muitos a morrerem jovens, no caminho das drogas e das doenças sexualmente transmissíveis. Alguns dos principais ídolos da juventude dos anos 80 e 90 morreram assim – através da AIDS, do suicídio e de overdose – dando os piores exemplos possíveis a jovens que não têm referenciais a seguir.

Some-se a isso o altíssimo índice de divórcio em nossa sociedade, fruto da inversão de valores nesse tempo. Assim como as mulheres já não estão dispostas a respeitar seus maridos, os homens também têm se negado a amar incondicionalmente suas esposas e não têm pensado duas vezes antes de praticar o adultério.

Assim, diferente do modelo de homem descrito na Bíblia, no nosso tempo surge, mesmo dentro da própria igreja, dois mitos de masculinidade: o emasculado e o machão.

Emasculado: é aquele homem que não é inteiramente masculino, abrindo mão de sua posição de masculinidade. Não se trata do efeminado, que é o mesmo que homossexual, e que a própria a Bíblia afirma que sequer será salvo (1 Coríntios 6:10). Este tipo de homem é geralmente frágil, inseguro e vulnerável. É o tipo de homem que não se altera jamais, mas também é indeciso e fraco em momentos que precisam tomar decisões difíceis. Muitos casamentos não têm sucesso porque os homens não assumem sua posição, como homens de verdade. São homens às vezes simpáticos, bons líderes na igreja, mas não possuem a vitalidade necessária para dirigir sua família.

Esse tipo de homem nasce do mito do eterno galã e cavalheiro. Como a esse homem falta o poder de decidir oportunamente e de ser firme quando necessário, ele acaba sendo um homem que jamais contraria a mulher e que está sempre disponível para servi-la. Assim, acabam não tendo liderança e não são respeitados por suas esposas, já que não demonstram autoridade de chefe de família. São quase tão doces quanto uma mulher, mas por outro lado são covardes, que se omitem do seu papel de líderes de sua família.

É verdade que o homem às vezes deve ser gentil e tenro, mas ele deve discernir o tempo de falar grosso e ter posição, mesmo porque as mulheres, até mesmo por terem corpos com ciclos diferentes, costumam ser mais instáveis emocionalmente e precisam de homens que as amem e saibam tomar decisões pelas quais eles se tornem responsáveis por elas.

O maior exemplo de liderança masculina foi Jesus Cristo. Soube tratar os pobres, e também os mestres, com a mesma humildade. Mas também expressou suas emoções, chorando quando seu amigo Lázaro faleceu e expulsando os cambistas do templo quando estes comerciavam ali.

Machista: o homem machista é exatamente o modelo oposto do anterior. São homens que sempre agem de forma varonil. Esse homem é bravo, autoritário. As pessoas o vêem como o machão, “o dono do pedaço”, mas muitos deles acabam não sabendo tratar suas esposas com amor. Esse tipo de homem pensa que é um homem de verdade, mas na verdade não é.

Muitas vezes, é a própria mídia que gera um tipo de homem como esse. Homens fisicamente fortes, que tem dinheiro e que tem que mostrar pra todo mundo que é “macho”. Aprendem na TV que devem ser melhores que os outros homens para terem todas as mulheres e, quando as conseguem, acabam tratando-as como se fossem mercadorias que lhes pertencessem. Mas a verdade é que a mulher, assim como não se satisfaz com um homem emasculado, também não fica satisfeita com um homem que a oprime, que a subjuga a todo tempo e que não sabe atender as suas necessidades como esposa e como mulher.

Mas afinal, qual é o padrão de homem segundo a Bíblia? A resposta está no equilíbrio.

“Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com amor.” (1 Coríntios 16:13-14)

Esse é o modelo de homem que a Bíblia recomenda. Aquele que é varonil, forte, mas em todos os seus atos manifesta o amor.

Além disso, o homem segundo a palavra de Deus não está preso aos mitos do mundo, como o daquele que diz que “homem não chora”. É claro que o homem não deve ser “chorão”, mas ele pode e deve chorar quando for conveniente, assim como Cristo também chorou quando se entristeceu (João 11:35).

Antes de fazer a obra de Deus, deve o homem também saber governar sua casa, pois aqueles que não sabem governar sua casa adequadamente, também não saberão fazer discípulos de uma forma que agrade ao Senhor (1 Timóteo 3:5).

Por último e mais difícil, todo homem que quer se casar e constituir uma família, deve estar disposto a amar sua esposa de uma forma incondicional, a ponto de dar a vida por ela se for necessário, como o próprio Cristo fez por amor à igreja (Efésios 5:25).

Assim, homens de verdade não são aqueles que se impõem pela força, sujeitando suas esposas com um autoritarismo exacerbado. Também não é aquele que não tem postura firme e que “deixa a esposa mandar”. O verdadeiro homem, dentro do padrão de Deus, é equilibrado, sóbrio (1 Timóteo 3:2) e moderado (Tito 1:8). É firme, mas sabe ser tenro. Lidera sem ser áspero. É seguro sem ser ignorante. E é forte sem perder a sensibilidade.

Os filhos e esposas de nosso tempo esperam pela figura do homem como Deus o estabeleceu, a sua imagem e semelhança. Que não é autoritário, mas possui autoridade sobre sua família na medida em que se comporta como aquele que sabe que é responsável, diante de Deus e dos homens, por toda a sua família.

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” (1 Timóteo 5:8)