Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de janeiro de 2010

Você entrega o dízimo?

Sim, certamente você já ouviu essa pergunta. A entrega do dízimo, como a décima parte daquilo que se recebeu como renda num determinado período, é uma das práticas mais antigas já entre os semitas, povo que servia a Deus no Velho Testamento bem antes das leis de Moisés. Prática que é bastante comum até hoje, inclusive no meio das igrejas cristãs, mas que envolve grande polêmica, como é comum em todo e qualquer tema que toque na (para muitos) delicada questão chamada DINHEIRO!

Diversos argumentos, extraídos ou não da Bíblia, são utilizados para justificar sua entrega. Um dos principais é o de que o dízimo é uma ordenança de Deus aos seus filhos, para que estes, entregando-o, provem assim a Ele que dependem somente d’Ele e que não amam o dinheiro mais do que a Deus (1 Timóteo 6:10).

Além disso, algumas igrejas afirmam categoricamente que os que não o entregam estão dando legalidade a demônios e roubando de Deus! Afirmam ainda que aqueles que o entregam, podem “provar” a Deus para que vejam que certamente receberão toda sorte de bênçãos. Para tais afirmações, pegam como base principalmente os versículos a seguir:

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Malaquias 3:8-11)

Esse trecho é tão repetido no nosso meio que até mesmo quem freqüentou uma igreja por não muito mais que um mês já o ouviu.

No meio de tudo que é dito e que foi citado aqui, surge a seguinte questão: até onde essas afirmações são verdade e o que é invenção humana? Vamos aferir isso, a partir de 4 afirmações feitas à luz da Bíblia.

1º O Dízimo foi uma ordenança ao povo de Deus do Velho Testamento: Como já dito, essa é uma prática milenar. A primeira vez que o dízimo aparece na Bíblia é em Gênesis, com o patriarca Abraão (Gênesis 14:20). Ao longo do Velho Testamento, vemos que não só ele, mas dali em diante, os outros povos também o entregaram. A título de exemplo, podemos citar os contemporâneos dos filhos de Levi (Números 18:21) e os que viveram no reinado de Salomão (2 Crônicas 31:5).

Assim, o dizimo têm uma legitimação, como prática, por todo o Velho Testamento, pois aparece desde Gênesis e é recomendado até em Malaquias, último livro do Velho Testamento.

Entretanto, o dízimo não aparece como recomendação aos cristãos no Novo Testamento!

2º As conseqüências de não se entregar o dizimo são para os judeus, não para os cristãos: A respeito do dízimo, há promessas para os que o entregam e duras repreensões para os que não o entregam, dentro do Velho Testamento. Nessas passagens, Deus promete aos filhos de Israel que abençoaria aqueles que obedecessem aos seus mandamentos e entregassem o dízimo. Os versículos de Malaquias 3, citados em vermelho anteriormente, é de aplicação aos judeus, a todos aqueles que se submetem ao jugo da lei.

O fato do dízimo não aparecer como ordenança no Novo Testamento, e de aparecerem nele disposições diferentes a respeito das contribuições, mostra que o dízimo não é uma obrigação dos cristãos. O próprio capítulo 7 de Hebreus, que também é muito citado por aqueles que defendem sua obrigatoriedade, nos exime das imposições da lei (Hebreus 7:12).

3º As contribuições no Novo Testamento são voluntárias, não decorrem de lei: O fato de não haver lei no Novo Testamento, impondo um valor fixo de contribuição para os cristãos, não quer dizer que é indiferente para Deus se o cristão é ou não fiel em suas contribuições.

O fato do dízimo não ser para nós uma exigência, demonstra que nós somos mordomos daquilo que recebemos pela graça de Deus. E, mais do que isso, somos ainda mais abençoados por não estarmos limitados a uma porcentagem para oferta. Mas se não há um valor percentual obrigatório, há duas ordenanças: a de que cada um contribua financeiramente para a obra de Deus e a de que essa contribuição seja conforme aquilo que a pessoa propôs em seu coração. Assim, deve haver um compromisso de dar e o de que essa doação seja algo constante (ou crescente), para que assim demonstre o compromisso daquele que entrega sua contribuição.

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” (2 Coríntios 9:7)

4º O Novo Testamento não impôs o dízimo, mas também não aboliu a contribuição proporcional.

“No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.” (1 Coríntios 16:2)

Veja que a recomendação de Paulo para os cristãos é a de que se faça uma contribuição proporcional. Não necessariamente de 10%, mas que cada um contribua de acordo com aquilo que lhe foi dado por Deus.

Isso vai ao encontro de algo que é um princípio bíblico (Lucas 12:48): a quem Deus dá pouco, Ele requer pouco. Mas pede muito àqueles a quem muito é dado.

É evidente que não vivemos mais sob o jugo da lei de Moisés. Mas isso não faz com que a oferta que venha a ser dada a Deus não deva se submeter a certos princípios, como os citados aqui, de que a oferta deve ser proporcional e ser constante, não-eventual.

Mas se o dízimo não é uma prática obrigatória para nós, surge outra pergunta: é errado uma igreja pedir o dízimo? Não. Contando que ela não o imponha como obrigação aos fiéis, nem apele a extremos, como acusar de ladrão os que não o fazem, não devendo ir além de uma postura que apenas sugira o dízimo como uma contribuição voluntária.

O dízimo não é “a regra”. Mas também não é errado entregá-lo. Há pessoas, dentre as quais me incluo, que há vários anos entregam 10% dos seus salários na igreja, além das ofertas. Essa prática é correta, desde que você não esteja “pagando pra ver” Malaquias 3 na sua vida, como se estivesse querendo negociar ou provar a Deus. Desde que também sejam esses 10% o valor que você propôs no seu coração (2 Coríntios 9:7). E se temos um propósito de contribuir determinada proporção de nosso salário, e deixamos de fazê-lo em alguns meses onde a situação financeira “aperta”, também incorremos em grave erro, pois estamos, nesses meses, descumprindo com aquilo que nós mesmos propomos e agindo de forma leviana em nossos compromissos com Deus (Jeremias 48:10). Fidelidade é um princípio que envolve constância. Não é fiel o marido que honra seus compromissos com a sua esposa em apenas 364 dias no ano, assim como não é fiel aquele que não cumpre o que propôs em determinados meses do ano, sob a desculpa de pagar suas dívidas, já que os compromissos feitos com Deus são maiores e mais importantes do que os que fazemos com homens.

Além disso, sinceramente não acredito que Deus se agradará que os que sempre entregaram dízimo, deixem de fazê-lo ou o reduza simplesmente porque um dia descobriram que não se trata de uma obrigação.

Talvez por isso Cristo não impôs valores mínimo ou máximo das contribuições: pra ver o quanto aqueles que se dizem ser seus servos estão dispostos a contribuir e o quanto eles ainda estão presos ao sedutor poder do dinheiro.

A lição do Cristo do Novo Testamento nunca foi a do legalismo e da imposição, mas da liberdade (2 Coríntios 3:17). Mas uma liberdade que não há de se confundir com o liberalismo de um coração avarento, mas com a mais ampla generosidade, como aquela ensinada por aquele que deu até a sua própria vida por seus irmãos, e que nem mesmo se preocupou em providenciar para si uma cama para dormir, tamanho era o seu desprendimento àquilo que era material (Mateus 8:20).

domingo, 7 de junho de 2009

A volta das indulgências

Indulgência. Uma palavra forte e que marcou negativamente a história do cristianismo. No século XVI, tratava-se de um pedaço de papel emitido pela igreja católica, que supostamente livraria o fiel dos seus pecados. Não obstante, o recebimento desse papel não era uma graça da igreja. Era preciso que o individuo pagasse uma quantia em dinheiro, uma espécie de “livramento pago” que o fiel fazia pelos seus pecados.

Contra essa abominável prática, Lutero escreveu 95 teses e as pregou na Catedral de Wittenberg, num enfrentamento que anos à frente iria culminar na maior reforma religiosa da história humana. Algumas de suas teses merecem ser citadas a título de exemplo:

41: “Deve-se pregar com cuidado sobre as indulgências apostólicas, para que o povo, equivocadamente, não as entenda como sendo preferíveis às outras boas obras do amor.”

43: “Deve-se ensinar aos Cristãos, que aquele que vê alguém em necessidade e o negligencia, e gasta [seu dinheiro em indulgências], não adquire indulgências do Papa, mas a ira de Deus.”

53: “Inimigos de Cristo e do Papa são aqueles que propõem que a Palavra de Deus seja de todo silenciada em algumas igrejas, de modo que as indulgências possam ser pregadas.”

É claro que após o período medieval, o pedido de desculpas pelo ocorrido por parte do Vaticano e a exposição crítica desse tema, iniciada por Lutero, essa prática teve que ser reformulada se quisesse subsistir. E foi o que aconteceu. Já no século XVII, a indulgência passou também a consistir em obras de caridade ao invés de doações materiais, que ainda eram possíveis se fosse para esses fins.

Nos tempos atuais, a indulgência ainda existe como “perdão ao cristão das penas temporais devidas a Deus pelos pecados cometidos, mas já perdoados pelo sacramento da Confissão, na vida terrena”. A igreja continua ignorando o valor da obra da cruz e insistindo em dizer que o cristão tem que pagar um preço por seu pecado - como se Cristo já não tivesse pago um preço de sangue (Mateus 8:17; Isaías 53:4-5) - sob o argumento de que o perdão obtido pela confissão não significa a eliminação do mal causado como conseqüência do pecado já perdoado. Essa prática da doutrina católica, em sua essência, atribui uma competência aos padres de perdoar pecados e estabelecer penas, muitas vezes baseadas em vãs repetições (Mateus 6:7). Estabelecendo uma comparação com o Direito Penal brasileiro, o sacerdote católico age nas atribuições completas de um juiz criminal. Julga a atitude do réu e estabelece a pena que, depois de cumprida, limpa a ficha do fiel, ou tapa os buracos que o pecado dele deixou. Uma verdadeira impropriedade, já que a Bíblia afirma que Deus é quem julga, vivos e mortos. Se é Ele quem julga, só Ele pode estabelecer penas. Jamais o homem pode se imiscuir nessa função (Atos dos Apóstolos 10:42; Tiago 4:12; Romanos 14:10). Os próprios romanos, ao defenderem essa prática, não encontram nenhum respaldo bíblico para justificar tal atitude. Lendo alguns sites que defendem a indulgência atual, não encontrei em nenhum deles algum versículo bíblico que justifique ou ao menos cite uma prática semelhante entre os apóstolos. Uma prova de que as indulgências, ainda que sem os excessos medievais, não passa de uma doutrina puramente humana.

Mas os séculos se passaram. E a indulgência católica se multiplicou assim como o cristianismo, assumindo diferentes faces. E a mais preocupante delas está bem perto de nossos olhos. Primeiro, vejamos o que diz a Bíblia.

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:1-3)

Como os medievais, temos nos dias de hoje homens que se usam dos recursos da pregação para colher frutos de sua ganância e avareza. Como os homens do passado, que diziam ter o poder de expiar a culpa de um fiel por dinheiro, os homens de agora, com nível não menor de certeza, garantem ter o poder de abrir as janelas dos céus sobre a vida financeira daqueles que seguirem suas receitas de prosperidade. E os métodos são os mais variáveis possíveis. Citarei apenas dois exemplos aqui, omitindo os nomes, para que não suscitar a polêmica entre leitores que possam ter em grande estima algum desses “pregadores”.

O primeiro deles é de um pregador internacional. Famoso por ser um dos grandes oradores dos Estados Unidos e no meio evangélico por sua sabedoria e por ter a chamada “unção da prosperidade” (um tipo de dom que, assim como a indulgência, não encontra nenhum paralelo na Bíblia), ele dá receitas de como alcançar o enriquecimento. Quando ele esteve em minha cidade, tive a oportunidade de ir ao primeiro dia de uma Conferencia em que ele ministrava. Não senti a menor vontade de voltar nos dias seguintes. Já no primeiro dia ele já estabeleceu uma determinada (alta) quantia e determinou que todos os que doassem aquele valor para o ministério dele, teriam a mesma “unção” que estava sobre a vida dele. Ora, além de incentivar o mesmo erro de Simão, que pecou ao tentar “herdar” os dons dos apóstolos através do seu dinheiro (Atos dos Apóstolos 8:18-19), esse pregador atual ensina algo semelhante, ao enganar os que o ouvem ao afirmar que tem o poder de transferir a unção que está sobre sua vida a todos quantos quiserem e que ainda pode estabelecer um preço para isso. Além disso, esse mesmo homem possui diversos livros, a maioria deles ensinando como ser rico. Como se esse fosse o plano de Deus para todos e bastasse apenas seguir “receitas prontas” para conseguirmos.

Um outro famoso pregador pentecostal brasileiro não fica muito atrás. Ele garante o milagre financeiro a todos aqueles que doarem R$ 7,00 e fazer uma campanha de oração num horário determinado do dia, estipulado por ele. Citando distantes exemplos do Velho Testamento, ele argumenta que todo milagre de Deus requer que seja seguida uma instrução (isso me parece diversas coisas, menos um milagre divino), que a instrução dele é profética e fará com que seja operado o milagre na vida de todos aqueles que a seguirem.

Os exemplos não param por aí. Diversos outros pregadores propõem ofertas milagrosas, contribuições proféticas, unções do dinheiro e tantas outras invenções heréticas. Citar todas as conhecidas nos faria ter páginas e páginas para serem lidas. Mas paremos por aqui e passemos à seguinte pergunta: em que essas práticas são menores ou menos graves do que a medieval venda de indulgências? Confesso que a meu ver, não há nenhuma diferença.

O pior disso tudo não é pelos que falam, mas pelos que escutam. As pessoas se prendem tanto a uma idéia fixa de prosperidade financeira, que não fazem nenhuma análise, seja bíblicamente crítica ou racional, daquilo que estão fazendo, na simples crença de que terão a benção financeira. Parte disso em razão da maioria estar presa ao evangelho ao conformismo de um evangelho voltado quase que exclusivamente para resultados financeiros. Muitos se orgulham por sempre aderirem a qualquer tipo de ofertas alçadas (o que não é errado, dependendo da motivação), ou porque tem em seus quartos o lenço da prosperidade, o sal que espanta demônios na cozinha, e o óleo da unção das bençãos financeiras em suas salas. Mas mesmo portando um verdadeiro arsenal de “simpatias cristãs”, ainda se confundem ao serem questionadas do porquê de ainda não terem se enriquecido.

A igreja cristã hoje pratica um tipo de indulgência muito mais sutil e por isso bem mais perigosa. Lideres praticam táticas obscuras de arrecadação de dinheiro, apesar de não etiquetar os valores. Muitos dizem aos fiéis para que dêem o quanto quiser, mas a incisão dos argumentos, ás vezes embasados em versículos bíblicos totalmente descontextualizados, fazem muitos a acreditarem que a forma de arrecadação está totalmente de acordo com a Bíblia e que quanto mais eles ofertarem, maior será a chance deles ganharem mais.

Não se ensina nas igrejas que Deus não vai dar riqueza financeira a todos. Alguns podem dar até tudo que têm que ainda assim jamais enriquecerão. Até porque, a maioria dos que se dispõem a dar tudo para ficarem ricos, são os que primeiro deixariam a dependência de Deus e a comunhão na igreja caso se enriquecessem. Exatamente por isso, por não ser um Deus que se contradiz, o Senhor jamais prometeu ao seu povo que todos seriam ricos. A Bíblia diz sim, através do salmista, que este nunca viu o justo mendigar o pão (Salmos 37:25). E pára por aí.

A triste verdade é que tem gente demais na igreja buscando a bijuteria (o dinheiro e as bênçãos financeiras) e esquecido a verdadeira jóia rara que é a sabedoria e a revelação do incorruptível evangelho de Cristo. Como deixado por Lutero em sua tese de número 53, a verdadeira palavra de Deus vem sendo silenciada para que a voz das enganosas palavras de ilimitadas bênçãos financeiras sejam ministradas, fazendo com que a fé de homens e mulheres sejam objeto de negócio. Assim como há 5 séculos atrás, a igreja cristã do nosso tempo clama por uma nova reforma, antes que cresça ainda mais o número de pessoas manipuladas pelo “evangelho do dinheiro”.

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Timóteo 6:10)

domingo, 12 de abril de 2009

Dinheiro, a “pedra de tropeço” da humanidade na história

A Bíblia nos conta que tanto no ministério de Cristo como na sua continuação, através da pregação dos apóstolos, o cristianismo sempre bateu de frente com a questão do dinheiro. Um dos pilares do cristianismo está estabelecido sobre a idéia de que, ao contrário do que para as pessoas em geral, o dinheiro não deve ocupar qualquer nível de prioridade na vida dos homens que desejam seguir a Deus.

Em diversas passagens, são citados os efeitos que o dinheiro causa se não encarado da forma adequada, apenas como um simples recurso, e dada a ele apenas a importância que lhe é devida.

Por dinheiro, mais precisamente por 30 moedas de prata, Judas traiu a Jesus Cristo, entregando-o nas mãos daqueles que intentavam prendê-lo e crucificá-lo. (Mateus 26:12). Vendo a forma com que os homens ricos se portavam e a maneira com que eles tratavam as outras pessoas quando o assunto era dinheiro, Cristo proferiu uma frase que se tornou célebre:

“Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Lucas 18:25)

Um outro homem – a quem muitos estudiosos entendiam ser uma espécie de feiticeiro - biblicamente conhecido como “Simão, o Mago”, teria crido na palavra pregada pelos apóstolos, sido batizado e andado com um dos apóstolos. Esse homem, ao ver o mover do Espírito Santo manifestado nas pessoas ao receberem as orações dos apóstolos, ofereceu dinheiro aos apóstolos para também ter o mesmo dom, no que foi duramente repreendido por Pedro (Atos dos Apóstolos 8:20), já que dons de Deus não são passíveis de serem comprados.

Estabelecendo o evangelho de Cristo, em carta a Timóteo, Paulo assim descrevia as conseqüências do amor ao dinheiro:

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Timóteo 6:10)

Preste atenção na parte em negrito do texto acima: o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Uma expressão forte, mas que pode passar despercebida numa leitura rápida. Paulo aqui aponta que a origem de tudo aquilo de ruim que ocorre à humanidade está no amor ao dinheiro. Não precisa ir muito longe para provarmos que essa palavra se encaixa como uma luva para os nossos dias. Os tipos crimes mais cometidos em nosso país, como seqüestros, roubos, tráfico de drogas, assassinatos, receptação, acertos de contas, improbidade administrativa, corrupção, enfim, praticamente todos os crimes têm como causa direta ou indireta a obtenção ou acumulação de dinheiro, o aumento do lucro, a necessidade de ter mais do que é justo. Se os homens não amassem tanto o dinheiro, ou se preocupassem apenas em satisfazer suas necessidades vitais, a desigualdade não seria tão grande em nosso mundo. Não aconteceria a repetição de cenas como grandes investidores adquirindo bens e mais bens enquanto milhões de famílias na África permanecem à beira da miséria. Se não amassem tanto o dinheiro, evitariam gastos de valores absurdos em investimentos totalmente desnecessários, como despesas na indústria bélica e na pesquisa espacial, e transfeririam esses recursos para a agricultura e indústria de alimentos e sua distribuição às pessoas carentes. Mas esse amor ao dinheiro e a todo tipo de prazer que ele pode comprar, que faz com que os homens dos últimos dias sejam tão avarentos (2 Timóteo 3:2).

No mesmo versículo, Paulo faz ainda outra afirmação: a de que a cobiça ao dinheiro fez com que muitos se desviassem da fé (certamente fé em Cristo). Mais uma vez temos algo que é bem comum nos nossos dias. Todos nós conhecemos pessoas que diziam seguir a Cristo, oravam, freqüentavam uma igreja, mas que a partir do momento em que conseguiram uma certa “autonomia financeira” largaram tudo, passando a investir seu tempo em formas de se ganhar mais dinheiro ou multiplicar o que já têm. Uns arrumam vários empregos, sem reservarem um tempo para se relacionarem com Deus. Outros simplesmente se esquecem de Deus, e colocam o dinheiro como única motivação de tudo que fazem em sua vida.

Outros dois versículos da Bíblia nos ensinam mais a respeito da atração que o dinheiro pode exercer sobre nossas vidas:

“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos.” (1 Timóteo 6:17)

“E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.” (Mateus 13:22)

No primeiro versículo, do livro de I Timóteo, Paulo tenta fazer com que os ricos sejam orientados a não colocar a sua esperança nas riquezas, que são efêmeras, incertas, temporárias. Da mesma forma que um homem pode ser rico e abastado, pode também perder tudo do dia para noite, assim como ocorreu com Jó. Só que, como sabemos, Jó perdeu tudo o que tinha em bens materiais, mas não perdeu a sua esperança, que não estava nas riquezas, mas no Deus que deu tudo o que ele tinha. É interessante notar que Jó, ao saber que perdeu todos os seus bens e seus próprios filhos, sequer pecou contra Deus. Pelo contrário, ele adorou a Deus e reconheceu que Deus só levou aquilo que Ele mesmo havia dado (Jó 1:20-22). O que certamente não aconteceria com a grande maioria dos homens ricos que conhecemos, que tem sua esperança naquilo que têm. E é essa esperança no dinheiro, a falsa tranqüilidade em se achar que se tem tudo e não se precisa de mais nada, que faz com que os homens sejam altivos e ignorem o plano de Deus para suas vidas.

No versículo de Mateus, o apóstolo conta que Cristo explica em parábola que a palavra de Deus semeada no coração dos ricos não gera frutos. O clamor das riquezas para estes é muito maior e mais atrativo do que o do evangelho. Aqueles que têm dinheiro suficiente para comprar tudo aquilo que seus olhos vêem, dificilmente têm a coragem de negar a importância disso tudo para eles e seguir um evangelho de fé, naquele que não se vê em carne e osso. Assim, a sedução das riquezas faz com que esses homens sejam atraídos para o caminho oposto ao da palavra de Deus.

Toda essa prioridade dada pelo homem às riquezas é exatamente oposta às recomendações da Bíblia. Jesus Cristo ensinava aos seus discípulos a viver da fé, não levando consigo nada em dinheiro ou alimentos (Lucas 9:3), o que para os nossos dias, onde os próprios ministros do evangelho estão acostumados com a abundância, é algo praticamente inimaginável. Em outra passagem, a Bíblia conta que o apóstolo Pedro entrava no tempo para orar e um certo homem, pobre e coxo, pedia esmolas a todos os que entravam no templo. Ora, já dissemos aqui que os apóstolos não andavam com dinheiro, como o próprio Cristo recomendava a eles. Se o coxo pedia esmolas e Pedro nada tinha, passaria ele então de largo? A Bíblia diz que não. Pedro afirmou que não tinha nada para lhe dar de esmolas, mas tinha algo melhor e isso lhe deu: a cura para o seu problema físico (Atos dos Apóstolos 3:6), o que fez com que ele ficasse mais satisfeito do que se recebesse qualquer tipo de esmola.

Não só nesta, mas em diversas outras partes da Bíblia, fica claro aquilo que é um dos pontos centrais daquilo que cremos: a nossa fé em Cristo e na verdade de seu evangelho, que deve ser a base de todas as nossas esperanças. O amor ao dinheiro, um clamor tão atrativo em toda a história, apesar de ser a principal, é apenas mais uma das armadilhas existentes no mundo para nos tirar nosso foco da esperança da glória de Deus, que é Cristo em nós (Romanos 5:2; Colossenses 1:27).

“Eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.” (1 Coríntios 9:25b)

No próximo artigo falaremos de outro artifício desconhecido e inimaginável no tempo dos apóstolos, mas que hoje tem contribuído, sem dúvida nenhuma, para a multiplicação da iniqüidade, da corrupção, com a expansão de valores invertidos e promovendo a falência moral de nossa sociedade. E que certamente também seria combatido pelos apóstolos com semelhante veemência com que combateram o amor ao dinheiro.

Nota: A expressão “pedra de tropeço” é recorrente na Bíblia (Isaías 8:14; Romanos 9:32; 1 Pedro 2:7), apontando para Jesus Cristo, que foi uma pedra de tropeço aos judeus, que n’Ele não creram e assim não reconheceram o cumprimento da profecia bíblica que apontava que aquele era o Messias. Não há um significado preciso para este termo tomado de forma isolada, mas muitos entendem se tratar de um ponto, detalhe ou elemento que, se não tratado com a sua devida importância, pode levar aquele que o esquece á ruína.

domingo, 29 de março de 2009

Tempos penosos

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.” (2 Timóteo 3:1-7)

Hoje em dia, mesmo nos países onde o evangelho não é motivo de perseguição, é possível afirmarmos seguramente que nunca foi tão difícil servir a Deus. Mesmo o evangelho tendo se difundido e alcançado lugares outrora isolados do conhecimento cristão, vivemos num tempo onde os ataques à igreja deixaram de ser exclusivamente provenientes do mundo exterior. Muitas das maiores dificuldades enfrentadas pela igreja do nosso tempo têm brotado dentro dela. Como a igreja de Laodicéia (Apocalipse 3:18), muitas igrejas brasileiras que perderam suas vestes de pureza, vem sendo expostas à vergonha nos meios de comunicação, com seus líderes presos, envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro, extorsão e diversos outros. A igreja de Cristo nunca foi tão desrespeitada moralmente como na atualidade. Muito diferente dos tempos de nossos pais e avós, onde os cristãos eram reconhecidos de longe, como homens íntegros e honestos, hoje a maioria dos líderes cristãos não tem se importado com os seus testemunhos de vida.

Se isso não bastasse, o mundo também nunca apresentou tantos impecilhos para se servir à Deus como agora. Feiras, parques e shoppings são alguns dos exemplos de programas tem se tornado, para muitos, mais atrativos do que passar as horas do domingo na presença de Deus. A maioria dos cristãos é incapaz de reservar um único dia na igreja ou em atividades evangelísticas. Para muitos, falar em jejuns e vigílias chega a soar como fanatismo. Vivemos num tempo onde tudo é relativizado, negociado, passível de se dar um jeito. Damos um jeito de sermos aprovados na escola ou faculdade, um jeitinho no trabalho para ganharmos um pouco mais e achamos que é possível também dar um jeitinho para servir à Deus da nossa maneira, como se isso fosse possível. Se aparece algum programa com amigos no domingo, nem pensamos duas vezes antes de faltarmos o culto, afinal “Deus entende”. Para muitos, a igreja virou um mero local de entretenimento. Deixa então de ser prioridade envolver-se nos trabalhos e achamos suficiente ficar sentados nos bancos, conferindo minuto a minuto o horário no relógio o tempo para acabar o culto. E assim, achamos que estamos servindo a Deus e fazendo Sua vontade.

Há ainda um outro problema que confunde muita gente: a diversidade de crenças e doutrinas nas igrejas. Se fôssemos contar a quantidade de diferentes denominações de igrejas espalhada pelo Brasil, chegaríamos a vários milhares. Muitas se orgulham quanto mais afastam ou diferem em sua doutrina da de outras igrejas. Há igrejas onde mulher pode pregar, outras não. Igrejas onde a mulher pode cortar o cabelo, outras não. Igrejas em células, outras não. Igreja que se divide em grupos de 12, outras não. Igrejas que pregam somente a Bíblia, outras que criam suas próprias tradições. Enfim, a diversidade de práticas e de prioridades que cada igreja dá em seus cultos, faz com que as igrejas “construam” um verdadeiro mercado, fazendo da fé um verdadeiro negócio (2 Pedro 2:3). Ganha o “leilão da fé” e aumenta mais o número de seus fiéis aquela igreja que oferecer o que o “cliente” quer, a que defender as doutrinas que ele achar mais interessante ou que pregar o que ele quer ouvir. Nesse “mercado”, a igreja como um todo perde a credibilidade, pois o apóstolo Paulo recomendou que as igrejas pregassem a mesma coisa, não evangelhos segmentados ou adaptados (1 Coríntios 1:10).

As próprias igrejas fazem uso muitas vezes de métodos de evangelismo de eficácia cada vez mais duvidosa. Promovem shows, festas temáticas – a exemplo das festas seculares – investem em publicidade e em um novo tipo de entretenimento: o “entretenimento gospel”. Dizem que tudo no mundo é errado, proibido. Mas as mesmas coisas que os líderes combatem, eles mesmos procuram “cristianizar”. Freqüentar uma festa trance ou uma boite são condenáveis, mas se permite freqüentar esses mesmos lugares se eles forem, pelo menos no nome, gospel. Com a desculpa de atrair os que estão no mundo, muitos líderes cristãos promovem a “cristianização” de eventos seculares mas ao mesmo tempo promovendo tais eventos do mesmo jeito e com o mesmo ritmo de música usado no mundo, o que não diferencia um do outro (1 Tessalonicenses 5:22). Tudo isso ao final só traz confusão à cabeça daqueles que ainda não amadureceram no conhecimento do evangelho, o que gera cristãos mornos, sem compromisso, que seguem apenas movimentos, e que acabam deixando precocemente à igreja, por não verem algo de atrativo nas práticas da igreja, que a faça realmente parecer diferente do mundo (João 17:14).

Além disso, crescem os ataques do mundo ao evangelho de Cristo. Não é muito difícil você encontrar algum estudioso, filósofo, ou mesmo um filme ou um documentário que diga que o cristianismo é uma farsa, uma enganação, que Jesus Cristo é um mito, que religiões foram todas criadas para manipular as pessoas, que a justiça de Deus não existe e absurdos do gênero. É grande também a quantidade de pessoas que deixam de seguir o evangelho por buscarem uma adequação filosófica e científica na religião, ao invés de buscar o amor da verdade (2 Tessalonicenses 2:10).

O que aumenta ainda mais o descrédito das pessoas com o cristianismo é a crescente presença de evangélicos nos cargos políticos. Muitos se elegem contando exclusivamente com os votos de uma grande igreja, um novo tipo de “curral eleitoral”, quando líderes manipulam os votos de seus fiéis a candidatos que se comprometam a defender os direitos de sua denominação. Além de se criar um verdadeiro oxímoro com a Bíblia – cristãos se envolvendo com os negócios da corrupta política desse mundo (2 Timóteo 2:4) –, ou ainda, se dizendo pastores e ao mesmo tempo governantes (cometendo o mesmo erro de Saul), facilita também a desmoralização da igreja, já que a imprensa tem o trabalho de identificar quem são os políticos que se declaram evangélicos e a denominação a qual eles pertencem. E quando algum destes, inocente ou culpado, está direta ou indiretamente envolvido em alguma espécie de corrupção, eles são apontados e “rotulados” por sua religião, como se sua opção religiosa fosse mais importante na notícia do que seu próprio nome.

Some-se a isso a política do crescimento a todo custo das igrejas, presente em muitas igrejas. Muitas igrejas deixaram de perseguir objetivos espirituais para seguir tão somente objetivos numéricos. Querem “ganhar” um número X de novos fiéis, mas não se preocupam na consolidação deste, preferindo investir seu tempo em conquistar novos fiéis, o que gera um verdadeiro círculo de pessoas entrando na igreja dia após dia e outro sem número de pessoas saindo da igreja e voltando para as velhas práticas do mesmo jeito de antes, como se estivesse estado na igreja apenas de passagem, sem saber o porquê de ter estado ali. Além disso, a orientação à propósitos numéricos e a pouca preocupação com o ensino e edificação do corpo acabam gerando cristãos doentes, pobres em conhecimento, que muitas vezes nem sabem o que estão seguindo. É comum encontrarmos alguém que se diz cristão, que diz que isso ou aquilo é do diabo, que o que eles estão falando é a verdade, mas não sabem argumentar biblicamente o que eles dizem e seguem, sendo meros reprodutores das palavras que ouvem dos pregadores. Muitos são tão ignorantes em princípios básicos de fé quanto os que estão fora da igreja.

Uma das grandes causas desses fenômenos que tem acontecido na igreja tem sido também a mudança de prioridades. Em muitas igrejas, a pregação da sã doutrina foi suplantada há muito pela Teologia da Prosperidade. Milhões de cristãos cuja motivação ao irem para a igreja é usufruir de um Deus de bênçãos, que pode lhe fazer ser bem sucedido financeiro, como se o propósito de Deus para todos os seus filhos fosse esse. Essa troca de ensinos só tem cooperado para o enfraquecimento dos cristãos da igreja, que pouco amam a Deus e pouco trabalham na obra, pois o foco agora é ser próspero, numa noção arcaica e ultrapassada de que ser cristão e rico fosse um sinal de ser um “escolhido” e salvo por Deus. Esse mesmo tipo de pregação tem gerado crise nas chamadas práticas de “bom samaritano”, dentro da igreja. Os próprios cristãos, numa contradição existencial, passaram também a ser “amantes de si mesmos, avarentos, [..] sem amor para com os bons, [...] tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.” Pouco são os que estão na igreja e tem iniciativa em ajudar um irmão necessitado. Nesse tipo cristianismo individualista que contaminou a muitos, fica difícil associar muitas igrejas de hoje à igreja primitiva, pois no nosso tempo, muitos se enganam ao achar que devem somente agradar a Deus, e que isso é possível sem servir o próximo (Romanos 15:2).

Em face disso, não restam dúvidas que o tempo da apostasia já está instalado em nosso tempo e o pecado tem tomado conta inclusive de muitas igrejas. E é por essas e outras que eu tenho absoluta certeza de que estamos muito perto do tempo em que Deus virá julgar este mundo e aqueles que dizem ser parte do Seu povo.

“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Apocalipse 3:18-20)

domingo, 9 de novembro de 2008

Pedindo e recebendo de Deus

Um dos maiores problemas da igreja de nosso tempo é que ela tem perdido o foco daquilo que é o mais importante. Num tempo onde o ensino da sã doutrina da palavra de Deus deixou de ser ensinada com excelência em muitas igrejas, criou-se um grande número de pessoas que estão na igreja, mas seus anseios e projetos são os mesmos das pessoas comuns não-cristãs. O cristão hoje mudou de cara, e se misturou na sociedade, a ponto de ser difícil saber quem serve e quem não serve a Deus no meio da multidão.

Com tais mudanças, veio também um hábito mundano para dentro da igreja. A maioria dos cristãos tem fugido do compromisso com a palavra e com a igreja e tem tão somente procurado aproveitar somente das situações em benefício próprio.

Fruto ou causa disso é a tão conhecida “Teologia da Prosperidade”, que tem feito muitos templos ficarem lotados, com orações prometem ser “poderosas”, campanhas milagrosas, para trazer uma vida regalada para aqueles que são herdeiros de Cristo. Criou-se uma mentalidade errônea, baseada em distorcidas interpretações bíblicas, de que aqueles que servem a Deus tem o direito de serem abastados. Assim, basta a fé e a perseverança em campanhas que o milagre financeiro chegará na vida de todos os que crêem. Estes dizem que se o seu milagre não chegou é porque você ainda não teve fé suficiente.

Ao mesmo tempo, na proporção em que aumenta o número daqueles que vêm requerer de Deus sua fatia no bolo da prosperidade financeira, diminui o número daqueles que buscam, a exemplo dos apóstolos, aquilo que de fato é incorruptível (1 Coríntios 9:25).

Nas igrejas de hoje, uma das poucas pregações que atrai as pessoas aos cultos é a promessa de um Deus que multiplica o dinheiro dos seus filhos. Poucas das grandes igrejas conseguem crescer sem “apelar” ao discurso da prosperidade, como se fizesse parte do plano de Deus para nossas vidas nos tornar ricos.

Em paralelo à busca por bens, há um outro tipo de cristão, não menos oportunista: aquele que só vai atrás de Deus, ou só lembra que Ele existe, quando estão passando por algum tipo de problema.

Lembro-me de quando eu liderava uma reunião semanal de oração e ali, mesmo num grupo de 20 a 25 pessoas, era possível identificar dois grupos de pessoas. Haviam aqueles que tinham um compromisso com aquela reunião e com Deus, e que semanalmente estavam presentes ali. Mas havia um outro grupo, não menor, de pessoas que não tinham o mesmo compromisso semanal, mas sempre que compareciam à reunião vinham com um problema diferente a contar e pedindo oração.

É claro que esse segundo grupo de pessoas tinha fé, pois se não tivessem, nem ali compareceriam. Mas na fé deles havia um problema: “limitavam” Deus à sua necessidade. Só acreditavam no Deus como um Pai zeloso, que sempre está de plantão para abençoar. Mas não tinham um compromisso efetivo com esse Deus no qual criam. Não se preocupavam em ter uma convivência com Deus, tendo o louvor e o estudo da palavra como hábito em suas vidas, nem tampouco em buscar os frutos do Espírito para suas vidas. Por isso, por não ter obra alguma diante de Deus, a fé destes, ainda que seja “exercida” no momento da adversidade, é morta (Tiago 2:26).

A palavra de Deus traz também um exemplo semelhante desse tipo de comportamento nos tempos de Cristo:

“E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia; E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe; E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós. E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz; E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano. E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.” (Lucas 17:11-19)

Nessa passagem, 10 homens apareceram diante de Jesus, clamando por cura. Cristo então ordenou que eles fizessem um exercício de fé: fossem ao sacerdote, que então seriam curados. Seguindo tal instrução, todos então foram curados. Mas apenas um voltou para glorificar a Deus. Apenas um soube reconhecer que foi curado por Cristo e lembrando d’Ele, voltou para agradecer.

É claro que aqueles 10 homens ouviram falar das curas que Cristo operava naqueles tempo. Todos eles conheciam a fama de um Homem que fazia cegos enxergarem, coxos andarem e surdos ouvirem. Por isso, sabiam que se chegassem a Ele seriam curados. Assim também, muitas pessoas ficam sabendo de cultos e campanhas. As igrejas de hoje fazem pesados trabalhos de divulgação, e um sem número de pessoas carregadas de problemas e pedidos chegam nas igrejas para serem abençoados, assim como aqueles 10 homens se aproximaram de Cristo. Mas a dura verdade é que o final da história também se repete. A maioria dessas pessoas não está interessada em se estabelecer numa igreja e gerar frutos a Deus, mas sim, tem o único e exclusivo interesse de receber a benção que almeja. Como a maioria deles não recebe, e nem tem o devido esclarecimento de como a obra de Deus funciona, cria-se uma multidão de pessoas frustradas, que não conhecem a Deus, e que saem por aí falando mal das igrejas, proferindo as piores acusações contra pastores e obreiros, como se estes tivessem mentido a respeito de Deus, e não eles é que chegaram na igreja com falsas expectativas.

A própria Bíblia diz que Cristo não tem parte com aqueles que só vivem pedindo. Além de afirmar que a fé sem obras é morta, a Bíblia ainda diz que “nem todo aquele que diz Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus”, mas somente aquele que faz a vontade de Deus (Mateus 7:21). E a vontade maior de Deus não é que a sua vida seja sempre repleta de bênçãos ou que você não tenha problemas. Sua vontade é que o maior número de pessoas sejam salvas (João 6:39). Há pregadores que insistem no engano de que Deus quer filhos que saibam pedir, que venham diante de Deus “requerer o que é seu”. Não há parte alguma no Novo Testamento que diz isso. Muito pelo contrario, a garantia que Deus deu aos que desejam viver em Cristo passa bem longe de uma vida regalada (2 Timóteo 3:12). Muitos se esquecem de que aquele que quiser seguir a Deus deve tomar sua cruz, e não exigir um quinhão, como se Deus estivesse disposto a fazer algum tipo de negócio. Senhor não faz negócio com servo.Pelo contrário, servo que confia no seu senhor faz somente sua vontade, sem exigir recompensas imediatas ou futuras.

Numa outra passagem interessante, a Bíblia diz que nós sequer sabemos como orar a Deus (Romanos 8:26). Não sabemos também nem como pedir porque as nossas intenções nem sempre são aprovadas diante de Deus (Tiago 4:3).

Muito mais do que ter fé para pedir, há uma fé que consiste em acreditar em Deus e na Sua Vontande. Temos muita impaciência em ver nossos desejos realizados, sem nem saber se eles serão bons ou ruins para nós, que acabamos nos esquecendo que Deus é o Senhor de nossas vidas e Ele que sabe de nossas necessidades. A Bíblia recomenda que devemos entregar nossas vidas a Ele, e confiar, pois Ele bem sabe o que é melhor para nós e o que fazer para realizar em nós o melhor de Sua Vontade (Salmos 37:5). Ele, e somente Ele, sabe quais de nossos pedidos serão bons ou ruins para nós no futuro, por isso, não deve caber a nós melhor pedido do que o simples cumprimento da vontade de Deus em nossas vidas.

Sou daqueles que não acredita em campanhas de prosperidade. Até porque a motivação da prosperidade que se busca na maioria dos casos é a financeira. E ser prospero financeiramente não significa ser mais próximo de Deus. Pelo contrário, dinheiro nunca foi sinônimo de salvação (Mateus 19:24). O que vejo em campanhas milagrosas, são sempre as mesmas pessoas, que não entenderam que a prosperidade não estar em ser insistente, mas em entender o real significado do que é ser próspero. Deus que ver todos os seus servos prósperos. Não ricos, mas prósperos. Prósperos na fé, na graça, no amor e no conhecimento da verdade de Deus. Bênçãos financeiras seguramente não são parte do melhor de Deus para a vida de seus servos.

Também é verdade que Deus não quer que seus filhos vivam na pobreza, passando por necessidades (Salmos 37:25). Deus deseja também que sejamos fartos, mas que acima de tudo não tenhamos mais do que o bastante, para não corrermos o risco colocar os bens que temos à frente da nossa dependência que devemos ter de Deus. Antes de sermos mestres nas exigências à Deus, precisamos ainda aprender a lição da fidelidade, e aprender a provar que somos fiéis antes de querer pedir que Deus abra as janelas dos céus para nos abençoar (Malaquias 3:10). Fidelidade vem antes de qualquer tipo de exigência.

A Bíblia nos mostra que existem coisas muito mais maravilhosas do que um bom emprego, um carro melhor ou uma casa nova. E essas maravilhosas coisas sim, mereciam estar diariamente em nossas orações e são dignas de fazermos “campanhas” para alcançá-las.

“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.” (Apocalipse 3:18)

domingo, 22 de junho de 2008

Você tem desejado mesmo a volta de Cristo?

O mundo em que vivemos é bastante convidativo. A vida por si só é atrativa. Não é difícil encontrarmos pessoas que já freqüentaram igrejas e de lá saíram. Ás vezes por motivos bastante tolos, como por “ter achado coisa melhor para fazer domingo à noite” ou porque “trabalham demais”. Já vi várias pessoas gritando, chorando, tendo visões na igreja e meses depois se afastando de Deus e nunca mais voltaram. Prova do que está escrito na Bíblia, de que Deus chamou a muitos, mas poucos são os escolhidos (Mateus 22:14).

Mas é claro que o fato da pessoa estar freqüentando uma igreja todo domingo não lhe carimba o passaporte para a vida eterna. Muitas igrejas liberais defendem isso, com o qual não concordo (vejam Mateus 7:22-23). Para eles, aceitando a Jesus uma só vez implica a salvação e essa é imperdível. Afinal, se assim o fosse, até mesmos vários maçons seriam perfeitamente salvos, o que por si só seria contraditório.

Mas, quem são os verdadeiros vencedores? Quem são aqueles que de fato serão salvos e que reinarão com Cristo na Nova Jerusalém? Vejamos o que Paulo fala sobre isso:

“Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2 Timóteo 4:8)

A palavra de Deus aqui se faz clara! A coroa que aguada os servos fiéis de Cristo é reservada aqueles que amam a vinda d’Ele! Mas o que é amar a sua vinda?

Quando amamos alguém ou alguma coisa, não nos contentamos com nada diferente dela. Onde quer que estejamos, nos sentiremos incomodados com a falta dela. Por isso, maridos que amam suas esposas não conseguem ficar muito tempo longe dela, por exemplo. Simplesmente porque sua vida não é a mesma se ela não estiver por perto. Assim deveria ser na cabeça dos servos de Cristo: amar a vinda d’Ele e viver “incomodado” até encontrar com Ele nas alturas.

Mas amar a vinda de Cristo traz consigo um conseqüência: não amar esse mundo! É claro que você que está lendo esse texto agora está pensando consigo mesmo: “Eu não amo esse mundo!”. Contudo, é preciso lembrar que amor se demonstra com ações.

Já vi na História vários exemplos de pessoas que amaram a vinda de Cristo mais do que sua própria vida. Nos tempos medievais, milhões de pessoas foram levadas à fogueira por amarem somente a Jesus Cristo e não se submeterem a padrões de vida ou a tradições religiosas do mundo. Esses sim são reais exemplos de pessoas que amaram a vinda do reino de Cristo para as suas próprias vidas!

No mundo de hoje, cada vez mais conformado com a apressada vida em que levamos, onde o dinheiro é a prioridade e quase não sobra tempo livre para passarmos com as coisas de Deus e com a nossa própria família, esse amor pelo evangelho de Jesus Cristo e pela sua vinda têm se esvaído do coração de muitos (Mateus 24:12), sem que muitos de nós sequer percebamos.

O sonho de muitos cristãos deixou de ser “buscar os melhores dons” e passou a ser “buscar os melhores bens”. Nos tempos dos meus avós, você conhecia um servo de Deus de longe! Você via uma irmã de vestido longo e cabelo grande ou um irmão de terno com a Bíblia debaixo do braço e geralmente andando de bicicleta e logo sabia que ela servia a Deus. Para muitos, eram como “bichos-do-mato”, tamanha era a diferença dos demais! Não estou aqui defendendo doutrina (pois a meu ver, seguir parâmetros estabelecidos por igrejas não salva ninguém), mas algo muito maior do que isso: o desejo em que as pessoas antigamente tinham de ser diferentes do mundo! Tais pessoas sabiam que não deveriam ser iguais aos outros, pois se assim fossem, acabariam se tornando parte desse mundo e dificilmente retornariam aos preceitos bíblicos, já tão difíceis de serem seguidos pela nossa natureza pecaminosa.

Mas hoje a coisa mudou. Os cristãos de hoje em dia querem ser notados, não por sua fé, mas pela posição em que ocupam, pela roupa que vestem, pelas palavras que falam. Muito me entristece ver políticos se dizendo ser pastores e vice-versa, cometendo o mesmo pecado de Saul, que quis ser rei e sacerdote (I Samuel 13). Outros, usam de um “evangelho de conveniência”. Dentro da igreja são crentes fervorosos, mas fora dela negam sequer que estão freqüentando uma igreja. Querem estar dentro da igreja e dentro do mundo, como se isso fosse possível.

As próprias pregações, que outrora priorizavam o pecado e o arrependimento, hoje teimam em repetir somente dinheiro e prosperidade. Tenho ouvido nas igrejas de hoje mais o “Deus te dará a cem por um” do que o “Arrependei-vos!”. Isso tem feito com que muitos servos de Deus sejam submetidos à vergonha de se afastarem da presença de Deus por causa do dinheiro (1 Timóteo 6:10).

Podemos analisar, a título de exemplo, mais algumas passagens:

“E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda.” (1 João 2:28)

“Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda?” (1 Tessalonicenses 2:19)

“Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” (Hebreus 13:5)

“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Mateus 6:21)

João, um dos maiores conhecedores do amor de Deus de toda a história, já dizia sobre a necessidade de estarmos firmes em Cristo e afastados do mundo, pois aqueles que não fizerem isso, correrão o risco de serem enganados na vinda de Cristo. Vejam a gravidade disso. O que é perfeitamente compreensível, já que, não há como julgarmos o mundo se d’Ele fizermos parte (1 Coríntios 6:2). A Bíblia condenou a ganância, pois aqueles que são tomados por ela ou seduzidos pelos desejos de poder entre os homens, têm sua atenção e sua vida tomada por isso e acabam se esquecendo das coisas de Deus.

A plenitude da verdadeira prosperidade de Deus será por nós alcançada quando dermos prioridade ao que de fato nos fará ser prósperos. Os tesouros que devem ser cultivados não são bens terrenos, mas aqueles que nos farão amontoar “brasas vivas sobre nossas cabeças” (Romanos 12:20). E esses não vêm segundo aquilo que recebemos, mas de acordo com o que damos. Precisamos ter nossa esperança em Jesus Cristo, pois só n”Ele teremos o tesouro eterno, que a traça não corrói e que não é perdido quando o nosso fôlego se esvair.

Paulo amava a vinda de Cristo justamente porque ele conhecia e entendia isso. Ele deve ser o exemplo a ser por nós perseguido: o de um homem que correu a carreira que foi proposta, deixou a vida tranqüila de seus bens para sair pregando a verdade de Deus (até morrer, inclusive como mártir) e de um homem que via sua própria morte como lucro (Filipenses 1:21), pois sabia que estar com Cristo seria muito melhor! Esse foi o exemplo de homem que amou a vinda de Deus! Será que você tem amado o reino de Deus a esse ponto?

Para encerrar esse artigo, gostaria de lhe convidar a uma última reflexão: Como tem sido as suas orações diárias? Você tem pedido a Deus que lhe dê aquele carro importado que você sempre sonhou? Você tem orado por aquele apartamento-cobertura para você ser “bem visto” por seus amigos ou amigas? Ou você tem todo dia clamado a Jesus Cristo por Sua vinda pois não agüenta mais viver na iniqüidade desse mundo? Não estou aqui condenando o desejo de crescer na vida, de ter uma vida regalada, mas sim a posição de importância que isso possa ocupar em nossa vida e em nossas orações. Se pedimos mais tais coisas do que as próprias coisas de Deus, estamos trocando o incorruptível pelo corruptível (1 Coríntios 9:25).

Pense sobre isso e sobre o que você tem feito para Deus; se você tem ansiado mais pela volta d’Ele ou pelos sonhos materiais que o mundo oferece. Talvez seja a hora de mudar um pouco os nossos conceitos e atitudes em nome do amor de Deus em nossas vidas e da nossa própria salvação.

"Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 João 2:15)