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domingo, 19 de setembro de 2010

Devo acreditar no Pr. Piragine e aceitar que a igreja deve ter predileções ou rejeições entre partidos políticos?

Tem circulado na internet um vídeo que trata do posicionamento político de um pastor, chamado Pascoal Piragine. Seu discurso, claramente político e com pouquíssima argumentação religiosa (como deveria ser a de um pastor), chama a atenção por se posicionar não contra a política ou contra a corrupção, mas apenas contra um único partido político em específico. Muitos pastores têm assistido a esse vídeo e, sem uma análise mais profunda ou pesquisa sobre o tema, tem reproduzido as mesmas críticas parciais de Piragine em suas igrejas, a exemplo do que fez o pastor de minha igreja local no último domingo. Por isso, pesquisei um pouco melhor sobre tais assuntos, assisti ao vídeo em questão, e mandei um e-mail a ele sobre as parcialidades desse vídeo, e-mail com o qual ele concordou quase que integralmente. Dada a importância do tema, publico aqui os trechos principais do e-mail, para que aqueles que lerem também possam ser melhor esclarecidos e terem base para formarem opinião, ao invés de aceitarem uma opinião previamente manipulada, como a de Piragine. Confiram abaixo o texto do e-mail:

“Em face de tudo o que o senhor falou no último domingo sobre política, gostaria de fazer algumas considerações, baseadas no que ouvi e do que tenho conhecimento, até para que o senhor tome nota de fatos talvez não conhecidos. Creio que ao terminar de ler, o senhor poderá formar uma opinião mais fundamentada sobre os temas abordados e Deus poderá falar com o senhor sobre a veracidade das coisas que lhe direi.

Em primeiro lugar, fiquei feliz de ver o senhor chamando a igreja a se posicionar nas eleições. A igreja não pode mesmo ser massa de manobra de ninguém, tem que saber votar, escolhendo homens de Deus, que vão defender aquilo que nós cremos, e não os interesses de uma geração corrompida.

Todavia, vi que as criticas do senhor foram contaminadas por certa parcialidade. A mesma que vi num vídeo que tem circulado pela internet, do Pr. Piragine, do Paraná. Por isso, acredito que o senhor tenha visto esse vídeo e baseado suas críticas, ao menos em parte, pelo que esse pastor disse. Portanto, quero falar de alguns equívocos que esse pastor paranaense cometeu, e que inclusive deverão levá-lo a responder por isso diante da Justiça.

Primeiramente, fiquei “com o pé atrás” ao ver que esse pastor disse estar fazendo parte de “um movimento de católicos e cristãos, contra a iniquidade”. Isso, pelo menos para mim, soou estranho. Não é bíblico que estejamos unidos a outras religiões. Os apóstolos não se associavam às religiões romanas, e deveríamos ser como eles. Para mim isso soou estranho por cheirar ao chamado “movimento ecumênico mundial”, que tem unido pessoas que deveriam ser tão diferentes, como o papa atual e seu predecessor e um dos nomes em evidência no cristianismo internacional, Rick Warren, que é apenas um dos lideres cristãos mundiais envolvidos. Movimento esse que parece estar levando muitos a uma direção de aceitação de uma “religião mundial” que a Bíblia menciona. Todavia, não estou aqui para falar disso. Maiores informações e com maior propriedade, sobre esse assunto, podem ser lidas em http://www.espada.eti.br/n1606.asp, http://www.espada.eti.br/n2311.asp e http://www.espada.eti.br/rc145.asp.

Em seu vídeo, Piragine comete um estranho erro. Ele erra ao conceituar erroneamente a palavra “iniquidade”. A própria Bíblia trata da iniquidade pelo seu sentido denotativo, de injustiça (ver Sl. 14:4, Hb. 1:9 e II Ts. 2:12), e não de “costume com o pecado”, como ele quer dizer. Isso tanto é verdade que ele não cita nenhum versículo sobre tal palavra. A iniquidade, como injustiça social, é que deveria ser tratada de forma mais delicada em nosso pais, o 3º em desigualdade social em todo o mundo.

Sem abrir a Bíblia, Piragine usa como principal artifício um vídeo que já circulava na internet, sobre as imposições do PNDH-3, e o direciona levianamente para atingir o PT. Digo levianamente porque ele usa de um vídeo para o fim que lhe apraz, sem informar o porquê do vídeo ter sido feito. Creio que o senhor sabe o que é esse PNDH-3, mas falarei algumas coisas que talvez o senhor não conheça a respeito.

O programa nacional de direitos humanos é uma carta de intenções, que foi formulada no primeiro mandato do governo FHC, e recebeu nova formulação agora, estando em discussão no Congresso Nacional. O que pouca gente sabe é que em 1993, uma senadora do PSDB, suplente de FHC (que saiu em 1992 para ser Ministro de Itamar Franco antes de suceder o mineiro na presidência), apresentou projeto tentando legalizar o aborto, desde 1993. A suplente, de nome Eva Blay, apresentou o Projeto de Lei no Senado n° 78/1993, revogando todos os artigos do Código Penal que criminalizavam e penalizavam a prática do aborto. Projeto esse que, graças a Deus, não foi aprovado.

O PNDH II (íntegra aqui), também assinado em 2002 por FHC (e não por Lula) previa ampliação dos casos de aborto legal, na página 16, defendendo a ampliação da legalização do aborto, da forma:

179. Apoiar a alteração dos dispositivos do Código Penal referentes ao estupro, atentado violento ao pudor, posse sexual mediante fraude, atentado ao pudor mediante fraude e o alargamento dos permissivos para a prática do aborto legal, em conformidade com os compromissos assumidos pelo Estado brasileiro no marco da Plataforma de Ação de Pequim.

Assim, culpar o PT por tentar legalizar o aborto é uma acusação infundada, imputando a esse partido algo que foi iniciado no governo de FHC, pelo seu partido, que também é o de José Serra. O mesmo José Serra que, enquanto ministro, editou atos normativos regulando a interrupção de gravidez nos órgãos de saúde pública (http://www.cfemea.org.br/pdf/normatecnicams.pdf). O PNDH-3 é apenas o desdobramento de uma política internacional (Plataforma de Ação de Pequim), com a qual FHC se comprometeu pelo país e Lula simplesmente, querendo ou não, em nome do bom senso, é obrigado a concordar, para que as relações internacionais e a confiança do país não sejam estremecidas no exterior.

O pastor paranaense diz ainda que 2 deputados foram expulsos do PT e que nenhum deputado do PT pode votar contra o aborto. Mente em ambos! Os deputados citados foram apenas suspensos e se desligaram do PT por opção própria, para se juntar ao PV. Além disso, o Estatuto do PT assegura ao filiado o direito de se desvincular de decisão coletiva por motivo de convicção religiosa. Isso está no inciso XV do artigo 13 do estatuto do partido, em que consta:

“Art. 13. São direitos do filiado:

XV – excepcionalmente, ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo, por decisão da Comissão Executiva do Diretório correspondente, ou, no caso de parlamentar, por decisão conjunta com a respectiva bancada, precedida de debate amplo e público.”

Além disso, o pastor diz ainda que o PT se posiciona a favor do direito da mulher de ter garantida a interrupção da gravidez. Isso é verdade. A posição da PT é essa, mas não obriga os deputados a votarem assim, como mostrei anteriormente. Aí qualquer pessoa pode pensar que se o PT é assim e o próprio PSDB foi quem preparou o caminho na via nacional e na internacional rumo à legalização do aborto, o jeito é votar na Marina, do PV. Mas isso pode ser em um ledo engano, já que o programa de governo do PV (disponível em www.cdlimperatriz.com.br/pvimperatriz/programapv.doc) defende claramente:

- A liberdade sexual e o homossexualismo (quando cita “defender a liberdade sexual, no direito do cidadão dispor do seu próprio corpo e na noção de que qualquer maneira de amor é valida e respeitável”)

- O aborto (pois no tópico 7 de seu programa defende a “legalização da interrupção voluntária da gravidez”, assim como o PT)

- A legalização controlada das drogas (pois em sua plataforma o partido diz que “uma nova política internacional provavelmente passará pela legalização e fornecimento, controlado pelo Estado, como forma de solapar e inviabilizar economicamente os grandes cartéis da droga”)

O que se conclui é que os 3 candidatos a presidente estão, direta ou indiretamente, ligados a iniciativas e/ou a partidos pró-aborto e pró-homossexualismo. José Serra inclusive já se disse favorável a tal casamento, e inaugurou hospitais próprios para travestis em São Paulo como governador. É por isso que entendo que a igreja não deve se posicionar contra esse ou aquele partido, ou contra esse ou aquele candidato, pois todos os que alçam a presidência, mostraram, cedo ou tarde, que não têm compromisso com o evangelho.

Pegar o PT de Lula como bode expiatório para tentar ganhar eleição é um filme reprisado de sessão da tarde. Os mais adultos como o senhor, pastor, certamente se lembram de 1989, ano em que as igrejas do Brasil em massa apoiaram Collor, sob o boato de que, se vencesse, Lula ia fechar as igrejas, perseguir os cristãos, mudar a letra do hino nacional, dentre tantas outras acusações. Por isso, diversos pastores famosos rejeitaram de púlpito o PT e apoiaram Collor. O resultado disso não tardou. Todos nós vimos o que Collor fez em poucos anos no Brasil e como ele terminou seu mandato, sendo obrigado a sair pela porta dos fundos do Planalto após ter lesado milhões de brasileiros e a economia do país. Vimos também, mesmo em face dessas acusações, como Lula entrou em 2003 e pegou um país que, mesmo tendo privatizado suas principais estatais no governo anterior, estava com altos níveis de desemprego e influenciado pela crise da Argentina que abateu também o Brasil, fazendo com que FHC não conseguisse fazer a sucessão.

Lula pegou o Brasil estagnado em 2003 e deixa o país agora, em 2010, ao fim do seu mandato com os mais altos níveis de aprovação popular da história de um presidente, fruto de um crescimento econômico e social que melhorou a vida de muitos brasileiros. De um país sem esperança, para um país que está bem visto lá fora e sendo contado para ser o próximo país a entrar no grupo dos países desenvolvidos. Assim, os frutos de Collor, FHC e Lula, falam por eles.

Eu não voto em Lula, e sim em Marina. Mas reconheço que Lula fez uma boa gestão como presidente. O PT merece ser criticado, mas como mostrei aqui, naquilo que o PT é combatido, os demais partidos também carregam características comuns. Por isso, por esses partidos serem todos tão semelhantes entre si, entendo que a igreja não é melhor lugar para criticar esse ou aquele partido, pois criticar um, subentende-se ser favorável ou estimular o voto ao outro. E o apoio de uma igreja a políticos não pode ser nominal, como faz Piragine, que estabelece o terrorismo para impor suas convicções, usando a igreja como massa de manobra, através de mentiras. Piragine, que foi procurado pela imprensa no Paraná após a publicação de seu vídeo, recusou-se a dar entrevista ou sequer a emitir uma nota, sob a desculpa de que estaria saindo em viagem, o que prova não ter ele agido de forma prudente ao falar do PT pois, se tivesse razões para tanto, teria se pronunciado com provas do que diz.

Reitero, pastor, que não voto em Dilma em 1º turno e não sou petista ou partidário de qualquer partido político. Falo como um servo fala a um superior quando o vê em erro. Sou contra qualquer união entre religião e Estado, pois isso sempre fragiliza a confiabilidade da igreja a longo prazo. Parece-me que Deus sempre permite que as fraquezas de políticos que se dizem cristãos sejam expostas, para que as igrejas entendam que apenas Cristo, e não homens, merece nossa plena confiança. Que aprendamos isso, como igreja, antes da eleição.

Convido o pastor a refletir e verificar as fontes e inclusive assistir vídeos relacionados no YouTube. Estou na nossa igreja pois sempre a admirei como uma igreja que nunca se envolveu com política, mantendo-se sempre fiel a sua visão. Uma igreja que não é levada por ventos nem pela pregação da moda, como essa desse pastor paranaense. E espero que a nossa igreja assim permaneça. Deve-se incentivar o cristão a votar com prudência, mas sem manipulá-lo a ir contra um ou outro partido, pois todos fazem parte de um jogo, de idéias praticamente iguais, que quase nunca divergem em pontos essenciais. É engano pensar que existe um partido melhor do que outro. É preciso ter sabedoria de não se posicionar de púlpito, pois rejeitar o PT, é, na atual conjuntura, concordar com PSDB, de homens como FHC, Marconi Perillo e Aécio Neves (ambos conhecidos por sua truculência contra seus opositores, a exemplo de Jorge Kajuru). Por isso, entrar em política é pisar em terras movediças demais e compromete todos aqueles que o façam.

Que Deus fale com o senhor e que Ele te use para falar à igreja, no próximo domingo, algo realmente imparcial e de acordo com a soberana vontade d’Ele, e não apenas reproduzir suas impressões sobre um vídeo que o senhor tenha visto e achado que parece verdade, pois a verdade não estará sempre na boca de todos os pastores, mas sim na Palavra de Deus, que nos dá o exemplo de Daniel, que sequer comeu daquilo que vinha dos “políticos” da época.”

domingo, 20 de junho de 2010

Os quatro pecados que impedem o fluir de Deus

Sabemos que o pecado não perdoado nos impede de ter plena comunhão com Deus. Além disso, sabemos também que não existe “hierarquia entre pecados”, ou seja, não há uma classificação de pecados em mais leves e mais graves. Existem pecados diferentes e que, por isso, possuem conseqüências diferentes. Mas todos eles nos afastam de um relacionamento pleno com Deus.

Assim, precisamos ser purificados dos pecados da carne. Mesmo não havendo pecados mais graves que outros, existem pecados que, por suas conseqüências, fazem com que o nosso canal de comunicação com Deus fique “entupido”, de forma que Deus não terá a oportunidade de fluir através de nós. A maioria das pessoas luta com quatro pecados da carne, os quais devem ser vencidos antes que o cristão seja capaz de operar ativamente com Deus.

1. O pecado do ódio. Uma das ordenanças de Cristo à igreja é a de que ela permaneça em oração e que evite o sentimento de ódio (1 Timóteo 2:8). Por quê? Porque o ódio impede o fluir de Deus, já que esse sentimento sempre está associado a um pecado ou a ausência de perdão, que também não deixa de ser um pecado. Quando odiamos outra pessoa, estamos colocando nós mesmos e nossos próprios conceitos no centro. O ódio caminha em direção oposta ao amor. Se a Bíblia nos diz que temos que amar ao próximo como a nós mesmos, e que o nosso Deus é amor, se nutrimos tais sentimentos em nosso coração, estamos negando a própria natureza de homens nascidos de novo que somos. Por isso a nossa comunicação com o Pai fica impedida.

Um comportamento não perdoador é o inimigo número um da nossa fé. Mágoas e ressentimentos com relação a pessoas nos prendem a elas. Todavia, o ódio destrói muito mais a pessoa que alimenta em si tal sentimento do que aquele que é odiado, mesmo porque este às vezes sequer sabe que está sendo odiado por alguém. Assim como temos que sujar nossas mãos de barro antes de jogá-lo em alguém, o ódio machuca primeiro aquele que carrega tal sentimento.

Além disso, a Bíblia compara o sentimento de ódio ao homicídio. Aquele que odeia uma pessoa está “matando” ela dentro de si. Na verdade, os homicídios reais nada mais são do que sentimentos de ódio que são externados contra a vida de uma pessoa.

“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 João 3:15)

Em nossa vida cristã, precisamos ser canal de benção na vida das pessoas. Contudo, nossas palavras e atitudes sempre irão refletir somente aquilo que está em nosso coração. Será impossível estar em contato com o Senhor e transmitir o amor dele a outras vidas se o nosso coração estiver contaminado com sentimentos de ódio. Apenas quando o ódio é substituído pelo perdão e pelo amor, podemos expressar o verdadeiro amor de Cristo para as pessoas.

2. O pecado do medo. O medo é outro grande inimigo do nosso crescimento espiritual. Se a pessoa carrega em si um temor específico, o poder da destruição começará a fluir a partir dele.

Existem diversos tipos de medos, que podem surgir dos mais diversos tipos de circunstâncias. Existem cristãos, por exemplo, que tem medo de manifestações demoníacas. Assim, se ele se deparar com alguém possesso, ele procurará meios de não orar sobre essa pessoa. Deixa, portanto, de reconhecer a autoridade que a nós é dada por Deus (Lucas 10:19)

Nós como seres humanos temos a infeliz tendência de olhar para as circunstâncias com nossos olhos e com nossos sentidos. Só que fazendo isso, Satanás nos destruirá com o medo. O medo sempre é fruto de uma olhar natural sobre as coisas. Se fechamos os olhos naturais e olhamos para Deus, a nossa fé é exercida e não há espaço para temores. Estando no amor d’Ele, não há motivos para ter medo.

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)

Logo, as pessoas devem ser instruídas a desistir do temor do seu ambiente e de suas circunstâncias. Se não o fizerem, não poderão desenvolver a fé nem Deus fluirá através delas.

A Bíblia diz que Deus não nos deu espírito de temor, mas de amor (2 Timóteo 1:7). O único temor que devemos ter é o de Deus (Provérbios 1:7).

Uma das recomendações que Deus sempre deu, desde os patriarcas até aos apóstolos, era a de que eles não temessem as dificuldades que haveriam de passar, pois Deus era com eles. Deus só age onde não há medo. Para que Ele venha a agir, o medo e a ansiedade devem ser substituídos pela paciência e pela fé (Salmos 40:1).

O temor nos liga a nossas dificuldades e limitações, e não àquilo que podemos ser em Cristo.

3. O pecado da inferioridade. Sempre que olhamos as circunstâncias, temos o hábito errado de nos sentir pequenos, impotentes. Também o sentimento de inferioridade é demonstração de falta de fé. É necessário que cada um entregue seu complexo de inferioridade a Deus e se permita ser reconstruído pelo amor d’Ele.

O complexo de inferioridade é muito destrutivo. Além de minar nosso potencial, nos torna vulneráveis e nos faz sujeitos a ameaças externas. Quem tem “complexo de inferioridade” sempre terá a tendência de se achar incapaz de tomar decisões e passos de fé, pois a inferioridade traz consigo o pessimismo. Não devemos nos sujeitar às circunstâncias, e sim ao nosso Deus.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

Existe uma verdade que sempre deve estar em nossa mente: a de que nada é impossível ao que crê. Essa é uma palavra que, declarada, nos faz sentir fortalecidos em Deus.

Mas muitos podem dizer que a Bíblia afirma que devemos procurar ser o menor, ou ainda, diminuir a nós mesmos. Mas ser o menor nos fala de adquirir para nós a posição de servo. E diminuir a nós mesmos diz respeito a termos uma postura de humildade, sempre preferindo em honra aos irmãos (Romanos 12:10), e não a nós mesmos. Nenhuma dessas idéias é compatível com a de nos achar inferiores a tudo e a todos.

Temos que, como Paulo, entender que não somos nada, que a nossa vida não tem valor, mas que também há em nós um Espírito que nos faz ser capazes para toda boa obra (2 Timóteo 2:21).

4. O pecado da culpa. Enquanto a pessoa estiver abatida por sentimentos de culpa, Deus jamais fluirá através dela. Precisamos fazer as pessoas compreender que, quando se sentem indignas e cheias de culpa, simplesmente podem ir ao Senhor, e Ele as limpará.

O pecado nos separa de Deus. Mas a culpa é exatamente o sentimento que tenta nos remeter à condição de quem ainda carrega o peso do pecado, ignorando o perdão que já nos foi concedido. É como aquele presidiário que, mesmo após ter cumprido toda a sua pena, continua recluso no presídio por achar que seu crime foi mais grave do que pensou o juiz, sem se lembrar do fato que a sua dívida já foi paga com a sociedade.

Ao livrar-se de seu sentimento de culpa, manifestando entendimento do perdão de Deus e da liberdade que temos para sujeitar todas as acusações do Diabo, o poder de Deus poderá fluir.

“Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o SENHOR.” (1 Coríntios 4:4)

domingo, 6 de junho de 2010

O princípio da honra

“Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão.” (2 João 1:8)

O versículo citado nos fala que existe uma recompensa que é obtida por esforço, e que devem ser tomadas precauções para que essa recompensa seja recebida de forma completa. Ora, se há uma recomendação para buscarmos um galardão inteiro, é sinal de que há um galardão “pelas metades”. Cristo fala algo mais detalhado a respeito desse galardão:

“Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo. E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.” (Mateus 10:40-42)

Assim, para recebermos a Cristo, é necessário que recebamos aqueles que foram enviados por Ele, tanto o profeta quanto o justo, para que recebamos todo o galardão que nos é proposto.

Receber aqui significa honrar. E honrar é ouvir, respeitar, admirar, dar crédito ao que eles diziam. Nessa passagem, Cristo outorgou aos seus discípulos a mesma posição que Ele tinha: a de anunciador da mensagem de Deus. Por isso, as pessoas deveriam honrá-lo, recebendo a cada um deles como se estivessem recebendo ao próprio Cristo.

Mas a Bíblia nos conta que até o próprio Cristo, em determinadas situações, não foi honrado como deveria:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” (Marcos 6:4-5)

No próprio lugar onde Cristo nasceu, as pessoas não o reconheciam. Por terem lhe visto crescer, conhecendo seus pais e irmãos, as pessoas não davam a Ele a mesma honra que recebia quando Ele pregava em outras cidades. Por isso, a Bíblia conta que ali não foram feitas obras maravilhosas.

Entre os judeus o problema foi ainda maior, pois eles se negaram receber a Cristo como Messias. Mesmo sendo o Enviado de Deus, Cristo estava numa “embalagem” de homem simples e humilde e por isso os judeus não aceitaram o presente que Deus havia enviado a eles. Diante disso, Cristo afirmou:

“Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.” (Mateus 23:39)

Ou seja, como os judeus não honraram a Cristo quando Ele se mostrou como um homem simples e acessível, eles agora só voltarão a vê-lo quando derem a Ele a devida honra! A honra de reconhecerem a Ele como aquele que é bendito e que vem em nome do Senhor.

Do que foi falado até aqui, é possível concluir duas coisas: a primeira é a de que Cristo precisa ser honrado para que possa agir; a segunda é a de que, como o próprio Cristo afirmou, os seus discípulos, que são enviados em Seu Nome, tem que ser honrados e recebidos assim como o próprio Cristo!

E esse segundo ponto é sem dúvida o mais difícil de ser aplicado. Os membros das igrejas de hoje estão acostumados a reconhecer os pregadores que vêm de fora, bem como o principal pastor da congregação local, mas poucos reconhecem devidamente os seus líderes imediatos, ou ainda, os membros que lhe são mais próximos. Recebem o galardão de profeta, mas não recebem o galardão de justo, pois não honram aqueles que Deus colocou ao seu lado, para falar da parte d’Ele em suas vidas. Existem então, cinco motivos pelos quais as pessoas resistem honrar seus líderes mais próximos e receberem o galardão completo.

O primeiro deles está na idéia de que o líder não corresponde ao padrão que consideramos aceitável. Isso acontece sempre que o líder tem características das quais não gostamos. Aí deixamos de olhar aquilo que Ele nos fala, para olhar aquilo que achamos que é um defeito. Com João Batista aconteceu isso. Os judeus não o viam com bons olhos porque ele era um homem rude, pouco sociável, de palavras duras. Também não aceitavam a Cristo porque, apesar de ser um homem sociável, manso e humilde, era um homem de origem modesta e que andava com pecadores. Assim, os judeus não aceitariam ninguém que não correspondesse ao tipo de Messias que eles esperavam. Não estavam interessados naquele em que Deus queria enviar, mas sim, naquele que viesse da forma que lhes agradassem.

O segundo motivo é porque pensam que o homem de Deus não é digno de honra. O exemplo de Ana e Eli nos fala a respeito disso. Eli era um péssimo sacerdote. Deus falou a Samuel com 5 anos de idade, mas não falava com Eli. Portanto, ele talvez não fosse o modelo de líder ideal. A Bíblia diz que Eli, ao ver Ana clamando a Deus, a repreendeu duramente, pensando que ela estivesse bêbada. Mas a posição de Ana não foi de repreender ao sacerdote, como muitos de nós poderia fazer, mas sim de honrá-lo, chamando de senhor (1 Samuel 1:15). Por se sentir honrado, Eli liberou sobre ela a benção.

O terceiro motivo é que as pessoas acreditam que não foi Deus quem colocou o líder em posição de autoridade. Mas a Bíblia diz em Romanos 13:1 exatamente o contrário. As autoridades que são constituídas sobre nós, assim o são por Deus. Exemplo disso foi Saul. É costume pensar que foi o povo que pediu um rei e que por isso foi o povo quem escolheu a Saul. Mas não foi. A Bíblia diz que Saul foi escolhido por Deus (I SM. 15:11). Um escolhido que perdeu o trono justamente por ter deixado de honrar a Deus, cumprindo fielmente suas palavras.

O quarto motivo é que as pessoas imaginam que o ato de honrar um líder é um ato indigno. Muitos vêem como um ato de mera bajulação, mas a verdadeira honra não significa isso. Uma das atitudes que demonstra isso é daquela mulher de Marcos 14:3, que ungiu a cabeça de Jesus com um perfume muito caro. As pessoas que viram esse ato, talvez enxergaram uma bajulação ou um desperdício, de algo que poderia ser vendido e doado aos pobres. Mas o próprio Cristo os repreendeu. Não porque é ilegítimo ajudar aos pobres, mas sim, por não ser em vão despendermos esforços para honrarmos os que são enviados da parte de Deus.

Um último motivo é o fato de que as pessoas se sentem superiores ou até melhores do que seus líderes. Comportamento esse que é totalmente contrário à Palavra de Deus, que recomenda que nós tenhamos a todos como superiores a nós mesmos (Filipenses 2:3). Andar com Cristo é assumir uma constante posição de servo. Nós só aprendemos com as pessoas quando nos colocamos em posição menor ou igual a elas. Se olhamos aos outros como superiores, não daremos ouvidos ao que elas dizem e não aprendemos nada com elas. Por isso, é fundamental ter uma postura de servo e honrar aos outros antes mesmo de julgá-los.

Diante disso tudo, vemos que a honra não é um sentimento, mas uma decisão. Uma decisão de aceitar que as pessoas que Deus colocou próximas a nós são valiosas e precisam ser honradas, como o próprio Cristo é honrado por nós. No Novo Testamento, é ensinado que nós demonstramos a maneira que amamos e honramos a Cristo da mesma maneira que fazemos tais coisas aos irmãos mais simples que estão perto de nós (Romanos 13:9; 1 Timóteo 6:1; 1 Coríntios 12:23-25). Honrar então significa uma atitude, algo que precisa ser mostrado diariamente e mesmo nos momentos que implicar em renúncia. Mais importante que o galardão de profeta, é o galardão de justo, pois esse é diário e mais difícil de ser alcançado.

“Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, e atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? (...) Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores.” (Tiago 2:2-4;8-9)

“Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.” (1 Samuel 2:30b)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carlton Pearson e a negação do inferno

Vivemos num mudo de apostasia, onde o pecado e a iniqüidade têm tomado conta da mente dos homens, cauterizado suas consciências e facilitado o caminho para que estes fiquem cada vez mais conformados e distantes de Deus, sendo assim presas fáceis à ensinos enganosos, que fazem com que seu entendimento seja confundido pela mentira.

Esse cenário faz com que as pessoas cristãs do nosso tempo aceitem um “evangelho de conveniência”, onde as pessoas crêem e praticam somente o tipo de doutrina que mais atenda aos seus desejos carnais e que não os confrontem. Conseqüência direta disso é a velocidade em que se abrem novas igrejas nas grandes cidades e a rotatividade dos membros entre elas. Nesse novo modelo, a pessoa fica na igreja até que esta comece a pregam algo que elas não queiram concordar. A partir daí, elas buscam outra igreja que volte a massagear o ego delas.

Só que muito daquilo que agrada aos crentes mais carnais são mentiras que batem de frente com a verdade pregada na Bíblia. Um dos atuais expoentes dessas “mentiras que confortam” é um pastor californiano chamado Carlton Pearson.

Pearson era um pastor pentecostal dos anos 90 que enfatizava a prosperidade material em suas pregações, mas não deixava de lado os fundamentos da fé cristã, quais sejam, o de que todos nós nascemos pecadores e estamos condenados ao inferno até que aceitemos Jesus Cristo.

Até que um dia, como quase todos aqueles que criam heresias, Pearson teve uma “reveladora experiência pessoal”. Ele havia começado a estudar a Bíblia nos idiomas em que ela foi escrita e começou a vê-la não como a verdadeira Palavra de Deus, mas apenas como “um livro sobre Deus escrito por homens”.

A partir de então, passou a contestar a idéia da existência do inferno, como descrita na Bíblia. Segundo ele, não daria para amar um deus que estaria torturando a avó dele no inferno. Ele alega que em meio a suas dúvidas, ele teria ouvido uma voz que lhe disse que o inferno é aqui na terra. Voz na qual ele teria acreditado.

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” (1 Timóteo 4:1)

Depois disso, ele passou a mudar suas pregações, alegando desde então que a existência de um inferno para homens não passa de paganismo e de pura superstição.

Várias publicações evangélicas americanas passaram a condená-lo e sua igreja teve uma uma sensível diminuição no número de membros após a introdução dessa heresia. Diminuíram também os convites para conferências e eventos que ele antes recebia de outros pastores.

Mesmo em face disso, ele tem insistido nessa pregação e sua igreja tem voltado a crescer. Em uma de suas pregações, ele afirmou:

“Podemos passar por um inferno, mas ninguém vai para o inferno. Minha esperança é que as pessoas aprenderão a se amar, a se aceitar e a se celebrar. Isso é algo bem dramático, mas penso que salvará o planeta”. (Carlton Pearson)

Todavia, a negação do inferno não é tão simples assim. Se aceitamos a idéia de que o inferno não existe, isso trará uma decorrência: a de que não faz sentido os cristãos lutarem contra o pecado e pregarem o Evangelho da salvação aos pecadores. E o próprio Pearson tem também apoiado práticas que a Bíblia condena.

Recentemente, Pearson liderou centenas de pastores evangélicos americanos num comício para pressionar o Congresso americano a aprovar uma lei antipreconceito homossexual. Ele também é autor do livro “O Evangelho da Inclusão”, que tem alcançado grande aceitação entre os ativistas homossexuais. Nele, Pearson defende o universalismo. Segundo essa corrente de pensamento, a morte/ressurreição de Cristo já pagou o preço para que toda a humanidade tenha a vida eterna (sem necessidade de que alguém se arrependa de pecados e receba salvação), não é necessário que alguém creia em Jesus Cristo para que seja salvo e toda a humanidade irá para o céu, independente de sua religião.

Depois de abrir as portas de sua igreja para tantas heresias absurdas e assim perder o apoio de quase todas as lideranças evangélicas que estavam com ele, Pearson encontrou apoio na comunidade judaica e no movimento homossexual, os quais ele passou a defender.

Além desses dois grupos, Pearson ainda encontrou outro aliado ainda mais inusitado: o Vaticano. Isso porque a Comissão teológica internacional, principal órgão conselheiro sobre questões doutrinárias da Santa Sé, tem afirmado que os cristãos podem ter a certeza que o inferno estará vazio! Para o Vaticano, até mesmo os maiores pecadores poderão ser absolvidos e mandados ao paraíso. Antes mesmo de Pearson ter sua “revelação”, o papa João Paulo II já defendia que todo homem está “cristificado” pela encarnação e então todos são salvos. Na opinião do falecido papa, o inferno provavelmente estará vazio. Todos estão salvos.

No meio de tanta heresia, o que nós sabemos é que a Bíblia não deixa margem para nenhuma dúvida de que o inferno é real! Senão, vejamos algumas passagens bíblicas sobre o tema:

“Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.” (Lucas 12:5)

“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno,” (Marcos 9:47)

“Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mateus 23:33)

A existência do diabo e do inferno não só é uma verdade bíblica, como é um elemento primordial dentro do cristianismo. Se não houvesse nenhuma ameaça de condenação do homem ao inferno, não haveria sentido algum no sacrifício de Jesus Cristo (afinal, de que a Sua morte nos salvaria, senão da condenação eterna), que desceu à terra para que o homem pudesse ser salvo. Um dos versículos mais importantes da Bíblia fala justamente disso:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

A verdade é simples e fácil de ser entendida. Deus enviou seu Filho ao mundo para que Ele desse Sua Vida e para que todos aqueles que crerem n’Ele fossem livrados da condenação (Marcos 16:16), e alcançassem a vida eterna.

Todo crente precisa ter essa certeza: a de que sem o sacrifício de Jesus Cristo e sem a sua ressurreição, não teríamos acesso à salvação pela fé, como temos hoje. Isso é uma das bases de nossa crença. Através da sua morte, fomos comprados para Deus a preço de sangue (Apocalipse 5:9) e libertos de um inferno, que é real.

“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Efésios 2:5)

O problema da negação do inferno feita por Pearson está no fato de que essa negação carrega implícita a negação do poder redentor do sacrifício de Cristo! Igrejas e pastores que flertam com idéias como essas estão levando seus fiéis a serem enganados. Além de estarem também abrindo as portas para o Anticristo, que será aceito por pessoas como Pearson, que estejam dispostas a negociarem o evangelho, negando a eficácia do sacrifício de Cristo e da existência de um juízo de Deus sobre todo homem.

“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho.” (1 João 2:22)

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27)

“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” (2 Pedro 3:7)

domingo, 28 de março de 2010

A mulher de verdade segundo a Bíblia

No artigo anterior falou-se a respeito das características do verdadeiro padrão de homem segundo a Palavra de Deus que, como vimos, é bem diferente da idéia de masculinidade que o mundo propõe como estilo de comportamento. Com os padrões de feminilidade, a sociedade moderna fez uma inversão de valores semelhante, e é isso que será abordado aqui.

As mais fiéis seguidoras de Jesus foram as mulheres. Foi uma mulher que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas (Lucas 7:44). Foi também uma mulher a primeira pessoa a quem Cristo aparecer após ter ressuscitado (Marcos 16:9). As mulheres sempre estavam entre aqueles que perseveravam (Atos dos Apóstolos 1:14) e que tinham o coração aberto para a pregação (Atos dos Apóstolos 16:14). Mulheres sempre estavam entre o grupo dos que trabalhavam pelo evangelho (Filipenses 4:3) e, talvez por isso, à mulher é comparada a igreja, como uma esposa fiel e amorosa que se apronta para seu marido (Apocalipse 21:2).

Em face de tudo isso e de diversas outras citações honrosas que a Bíblia faz da mulher, é que podemos perceber o papel de destaque que a mulher tem dentro do contexto bíblico. Não naquilo que a aproxima do homem, mas naquilo que a diferencia. Deus criou homem e mulher, cada um com um papel, e sendo honrado (a) na medida em que se ajusta ao fim que foi criado (a) por Deus.

Mas, como sempre, o mundo perverteu os valores e padrões anunciados na Bíblia. As jovens do nosso tempo sofrem de um outro problema: a falta de padrão. A nossa “moderna” sociedade tem ensinado que o papel que a mulher sempre desempenhou na família até o inicio do século passado está ultrapassado. Ensina-se que deve ser ignorado o passado e se construir um novo modelo de mulher, avessa à submissão e a qualquer tipo de dependência do sexo masculino.

Muito disso começou como o corrompido movimento feminista, iniciado há cerca de um século atrás e agravado a partir da década de 60. No início, as mulheres buscavam apenas exercer a cidadania, através do voto. Mas em um segundo momento, as mulheres passaram a exigir uma “igualdade social” com os homens, o que consistiu numa reação das mulheres ao papel que desempenhavam no passado. Assim como Lúcifer achou que poderia ser igual a Deus e tentou usurpar ser igual a Ele, as feministas também quiseram ser iguais aos homens. Tanto o anjo de luz quanto as mulheres erraram. Aquele, por achar que deveria ser mais do que realmente era e estas por ignorarem a posição de honra que a própria Bíblia deu a elas, achando enganosamente que se desfrutassem de um papel exatamente igual ao do homem poderiam ser mais realizadas, negando assim os padrões estabelecidos desde a Criação.

Como a experiência sempre mostra que o ser humano jamais pode fazer algo melhor (ou sequer igual) ao que Deus idealizou, as conseqüências desse movimento têm sido funestas. O feminismo trouxe consigo um aumento significativo dos índices de homossexualismo, depressão e descontentamento entre as mulheres. Foi exatamente a partir da segunda fase do feminismo que a nossa sociedade experimentou uma das piores fases de decadência moral de sua história, culminando nos últimos cinquenta anos em tudo aquilo que temos visto hoje.

Dentro dessa falsa idéia de igualdade, as mulheres passaram a ser fruto dos modelos impostos pela mídia, nas propagandas de grandes lojas, nas entrevistas de modelos famosas e principalmente nas novelas, que mostram mulheres que se orgulham de ser independentes, mas ao mesmo tempo tratam seus próprios corpos como objeto de conquista e levam uma vida deprimida e vazia. A ilusão de um enganoso feliz último capítulo, faz as mulheres acharem que esse é o melhor modelo a ser seguido.

Ensina-se que a mulher de verdade deve ser, antes de tudo, independente. Constrói-se o mito de que a mulher só se realiza e só é reconhecida socialmente se trabalhar fora de casa. Além disso, ensina-se que a mulher deve ter um estilo tão permissivo e leviano quanto os homens do mundo. Para o mundo, a mulher deve ser autoritária e submeter todos os homens aos seus pés.

Mas será esse o tipo de mulher que a Bíblia recomenda? Será esse o modelo cristão de feminilidade? É óbvio que não. Então vejamos algumas das características da mulher de verdade segundo a Bíblia.

A mulher deve ser boa dona de casa: A Bíblia ensina que a mulher deve saber cuidar de sua casa. Em Provérbios, a Bíblia diz que a mulher está sempre pronta a dar de comer aos de casa a qualquer hora do dia (Provérbios 31:15) e não come o pão da preguiça (Provérbios 31:27).

Deve cuidar da sua aparência e família: Além de ser boa dona de casa, a mulher de verdade cuida bem da sua própria aparência e daqueles que dela dependem, providenciando para que eles estejam sempre bem vestidos (Provérbios 31:21-22).

Deve edificar com sabedoria: Ainda segundo Provérbios, a mulher deve saber edificar sua casa com sabedoria, sabendo a hora certa de falar (Provérbios 31:26). Enquanto a mulher sábia edifica o lar, a tola o destrói (Provérbios 14:1).

Deve ser companheira e auxiliadora idônea: Desde a Criação da mulher, Deus estabeleceu que a mulher seria uma companheira idônea do homem (Gênesis 2:18). E isso não coloca a mulher em posição de desonra, mas em lugar de honra e de importância única e insubstituível. A obra da Criação estava incompleta até que a mulher foi criada e com ela veio a mais bela das instituições: a família.

Deve ser mãe: O mais importante papel da mulher é ser mãe. Antes que sociedade se corrompesse, esse era o sonho de toda mulher. A mulher entende a importância de seu papel quando se torna mãe. Todos os grandes homens, e mesmo Jesus Cristo, foram gerados do ventre de uma mulher.

Deve ser intercessora: A mulher deve ser alguém que intercede por seu esposo e por sua família. Ela não se cansa de orar incessantemente por eles, e “sua lâmpada não se apaga de noite” (Provérbios 31:18).

Deve ser temente ao Senhor: Por fim, a mulher de verdade é temente ao Senhor.

“Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.” (Provérbios 31:30).

Esse é o padrão de mulher segundo a Bíblia: sábia, boa dona de casa, companheira, mãe, intercessora e temente a Deus. Não são os valores que estão em moda, mas são valores eternos, comuns às mulheres que fizeram parte da Bíblia.

Cabe a você mulher analisar qual o melhor modelo a ser seguido. Valeria a pena cair no engano de que a Bíblia está ultrapassada, retrógrada? Será mesmo que a mulher feliz é a mulher independente, que não precisa de homem nenhum e que ignora o modelo de comportamento bíblico? Para todas essas perguntas, a melhor resposta é a negativa. E feliz e virtuosa será a mulher que entender que na Bíblia está o verdadeiro modelo de conduta para a mulher.

“Salvar-se-á, porém [a mulher], dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação.” (1 Timóteo 2:15)

domingo, 14 de março de 2010

O homem de verdade segundo a Bíblia

A nossa sociedade passa por uma crise moral. Como predito pela Bíblia, a iniqüidade tomou conta do coração dos homens e estes perderam sua afeição e tornaram-se egoístas. A família, instituição criada por Deus no Jardim do Éden, não é mais respeitada como nos séculos anteriores. O resultado disso é a falência moral da sociedade, que perdeu suas bases e referenciais.

Uma das razões disso está no fato de que os seres humanos perderam sua identidade. Os homens não são mais verdadeiros e respeitáveis como a Bíblia recomenda que fossem e as mulheres têm rejeitado o modelo de comportamento que a Bíblia estabeleceu como sendo o melhor para elas.

A nossa geração não sabe se relacionar, tampouco tem entendido o papel de cada sexo. Se assim não o fosse, não precisaríamos falar de homossexualismo, homofobia e temas tão desnecessários de serem falados como esses (principalmente se olharmos nossas gerações passadas), fruto de um desajustamento do homem diante do propósito para o qual ele foi criado.

Na criação, Deus estabeleceu dois gêneros: macho e fêmea. Não houve meio termo. Há poucos dias num programa de televisão, um pastor disse, acertadamente, que não existe nenhum gene ou cromossomo que determine que um homem, ao crescer, será atraído por mulheres ou será homossexual. Tudo isso é fruto de escolhas. O homem passa por diversas experiências em sua vida, nas quais ele se vê diante de um comportamento de acordo com a Palavra de Deus de um lado e, de outro lado, de um caminho pecaminoso. Assim, não existe justificativa para que um homem se entregue à prática de pecados sexuais, pois a própria Bíblia diz que o homem foi biologicamente criado para se comportar da forma que a Bíblia prevê que se comporte, no tempo e na forma estabelecida por ela.

Mas sabemos que as exceções a essas regras bíblicas são inúmeras e há milhões de homens em nosso país que não assumem seu papel na sociedade como deveriam assumir, ainda que sejam heterossexuais. As causas que dão origem a isso são inúmeras.

Uma delas é a de que somos filhos de pais que não eram comunicativos. Muitos de nós fomos criados por pais e mães que em nossa infância e adolescência deixaram a desejar ao tratar de assuntos sensíveis na formação de nosso caráter. Por não discernirem o tempo de aconselhar os filhos em assuntos frágeis, como a área sexual, muitos de seus filhos acabam seguindo caminhos errados, como o da prostituição e do homossexualismo.

Além disso, a nossa geração de jovens e adolescentes não sabe o que fazer. Por não saber fazer suas escolhas e por não terem referenciais verdadeiros de caráter e conduta, muitos adolescentes se tornam rebeldes e auto-permissivos demais, não sabendo tomar decisões que acabam alterando significativamente seu futuro, levando muitos a morrerem jovens, no caminho das drogas e das doenças sexualmente transmissíveis. Alguns dos principais ídolos da juventude dos anos 80 e 90 morreram assim – através da AIDS, do suicídio e de overdose – dando os piores exemplos possíveis a jovens que não têm referenciais a seguir.

Some-se a isso o altíssimo índice de divórcio em nossa sociedade, fruto da inversão de valores nesse tempo. Assim como as mulheres já não estão dispostas a respeitar seus maridos, os homens também têm se negado a amar incondicionalmente suas esposas e não têm pensado duas vezes antes de praticar o adultério.

Assim, diferente do modelo de homem descrito na Bíblia, no nosso tempo surge, mesmo dentro da própria igreja, dois mitos de masculinidade: o emasculado e o machão.

Emasculado: é aquele homem que não é inteiramente masculino, abrindo mão de sua posição de masculinidade. Não se trata do efeminado, que é o mesmo que homossexual, e que a própria a Bíblia afirma que sequer será salvo (1 Coríntios 6:10). Este tipo de homem é geralmente frágil, inseguro e vulnerável. É o tipo de homem que não se altera jamais, mas também é indeciso e fraco em momentos que precisam tomar decisões difíceis. Muitos casamentos não têm sucesso porque os homens não assumem sua posição, como homens de verdade. São homens às vezes simpáticos, bons líderes na igreja, mas não possuem a vitalidade necessária para dirigir sua família.

Esse tipo de homem nasce do mito do eterno galã e cavalheiro. Como a esse homem falta o poder de decidir oportunamente e de ser firme quando necessário, ele acaba sendo um homem que jamais contraria a mulher e que está sempre disponível para servi-la. Assim, acabam não tendo liderança e não são respeitados por suas esposas, já que não demonstram autoridade de chefe de família. São quase tão doces quanto uma mulher, mas por outro lado são covardes, que se omitem do seu papel de líderes de sua família.

É verdade que o homem às vezes deve ser gentil e tenro, mas ele deve discernir o tempo de falar grosso e ter posição, mesmo porque as mulheres, até mesmo por terem corpos com ciclos diferentes, costumam ser mais instáveis emocionalmente e precisam de homens que as amem e saibam tomar decisões pelas quais eles se tornem responsáveis por elas.

O maior exemplo de liderança masculina foi Jesus Cristo. Soube tratar os pobres, e também os mestres, com a mesma humildade. Mas também expressou suas emoções, chorando quando seu amigo Lázaro faleceu e expulsando os cambistas do templo quando estes comerciavam ali.

Machista: o homem machista é exatamente o modelo oposto do anterior. São homens que sempre agem de forma varonil. Esse homem é bravo, autoritário. As pessoas o vêem como o machão, “o dono do pedaço”, mas muitos deles acabam não sabendo tratar suas esposas com amor. Esse tipo de homem pensa que é um homem de verdade, mas na verdade não é.

Muitas vezes, é a própria mídia que gera um tipo de homem como esse. Homens fisicamente fortes, que tem dinheiro e que tem que mostrar pra todo mundo que é “macho”. Aprendem na TV que devem ser melhores que os outros homens para terem todas as mulheres e, quando as conseguem, acabam tratando-as como se fossem mercadorias que lhes pertencessem. Mas a verdade é que a mulher, assim como não se satisfaz com um homem emasculado, também não fica satisfeita com um homem que a oprime, que a subjuga a todo tempo e que não sabe atender as suas necessidades como esposa e como mulher.

Mas afinal, qual é o padrão de homem segundo a Bíblia? A resposta está no equilíbrio.

“Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com amor.” (1 Coríntios 16:13-14)

Esse é o modelo de homem que a Bíblia recomenda. Aquele que é varonil, forte, mas em todos os seus atos manifesta o amor.

Além disso, o homem segundo a palavra de Deus não está preso aos mitos do mundo, como o daquele que diz que “homem não chora”. É claro que o homem não deve ser “chorão”, mas ele pode e deve chorar quando for conveniente, assim como Cristo também chorou quando se entristeceu (João 11:35).

Antes de fazer a obra de Deus, deve o homem também saber governar sua casa, pois aqueles que não sabem governar sua casa adequadamente, também não saberão fazer discípulos de uma forma que agrade ao Senhor (1 Timóteo 3:5).

Por último e mais difícil, todo homem que quer se casar e constituir uma família, deve estar disposto a amar sua esposa de uma forma incondicional, a ponto de dar a vida por ela se for necessário, como o próprio Cristo fez por amor à igreja (Efésios 5:25).

Assim, homens de verdade não são aqueles que se impõem pela força, sujeitando suas esposas com um autoritarismo exacerbado. Também não é aquele que não tem postura firme e que “deixa a esposa mandar”. O verdadeiro homem, dentro do padrão de Deus, é equilibrado, sóbrio (1 Timóteo 3:2) e moderado (Tito 1:8). É firme, mas sabe ser tenro. Lidera sem ser áspero. É seguro sem ser ignorante. E é forte sem perder a sensibilidade.

Os filhos e esposas de nosso tempo esperam pela figura do homem como Deus o estabeleceu, a sua imagem e semelhança. Que não é autoritário, mas possui autoridade sobre sua família na medida em que se comporta como aquele que sabe que é responsável, diante de Deus e dos homens, por toda a sua família.

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” (1 Timóteo 5:8)