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domingo, 28 de março de 2010

A mulher de verdade segundo a Bíblia

No artigo anterior falou-se a respeito das características do verdadeiro padrão de homem segundo a Palavra de Deus que, como vimos, é bem diferente da idéia de masculinidade que o mundo propõe como estilo de comportamento. Com os padrões de feminilidade, a sociedade moderna fez uma inversão de valores semelhante, e é isso que será abordado aqui.

As mais fiéis seguidoras de Jesus foram as mulheres. Foi uma mulher que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas (Lucas 7:44). Foi também uma mulher a primeira pessoa a quem Cristo aparecer após ter ressuscitado (Marcos 16:9). As mulheres sempre estavam entre aqueles que perseveravam (Atos dos Apóstolos 1:14) e que tinham o coração aberto para a pregação (Atos dos Apóstolos 16:14). Mulheres sempre estavam entre o grupo dos que trabalhavam pelo evangelho (Filipenses 4:3) e, talvez por isso, à mulher é comparada a igreja, como uma esposa fiel e amorosa que se apronta para seu marido (Apocalipse 21:2).

Em face de tudo isso e de diversas outras citações honrosas que a Bíblia faz da mulher, é que podemos perceber o papel de destaque que a mulher tem dentro do contexto bíblico. Não naquilo que a aproxima do homem, mas naquilo que a diferencia. Deus criou homem e mulher, cada um com um papel, e sendo honrado (a) na medida em que se ajusta ao fim que foi criado (a) por Deus.

Mas, como sempre, o mundo perverteu os valores e padrões anunciados na Bíblia. As jovens do nosso tempo sofrem de um outro problema: a falta de padrão. A nossa “moderna” sociedade tem ensinado que o papel que a mulher sempre desempenhou na família até o inicio do século passado está ultrapassado. Ensina-se que deve ser ignorado o passado e se construir um novo modelo de mulher, avessa à submissão e a qualquer tipo de dependência do sexo masculino.

Muito disso começou como o corrompido movimento feminista, iniciado há cerca de um século atrás e agravado a partir da década de 60. No início, as mulheres buscavam apenas exercer a cidadania, através do voto. Mas em um segundo momento, as mulheres passaram a exigir uma “igualdade social” com os homens, o que consistiu numa reação das mulheres ao papel que desempenhavam no passado. Assim como Lúcifer achou que poderia ser igual a Deus e tentou usurpar ser igual a Ele, as feministas também quiseram ser iguais aos homens. Tanto o anjo de luz quanto as mulheres erraram. Aquele, por achar que deveria ser mais do que realmente era e estas por ignorarem a posição de honra que a própria Bíblia deu a elas, achando enganosamente que se desfrutassem de um papel exatamente igual ao do homem poderiam ser mais realizadas, negando assim os padrões estabelecidos desde a Criação.

Como a experiência sempre mostra que o ser humano jamais pode fazer algo melhor (ou sequer igual) ao que Deus idealizou, as conseqüências desse movimento têm sido funestas. O feminismo trouxe consigo um aumento significativo dos índices de homossexualismo, depressão e descontentamento entre as mulheres. Foi exatamente a partir da segunda fase do feminismo que a nossa sociedade experimentou uma das piores fases de decadência moral de sua história, culminando nos últimos cinquenta anos em tudo aquilo que temos visto hoje.

Dentro dessa falsa idéia de igualdade, as mulheres passaram a ser fruto dos modelos impostos pela mídia, nas propagandas de grandes lojas, nas entrevistas de modelos famosas e principalmente nas novelas, que mostram mulheres que se orgulham de ser independentes, mas ao mesmo tempo tratam seus próprios corpos como objeto de conquista e levam uma vida deprimida e vazia. A ilusão de um enganoso feliz último capítulo, faz as mulheres acharem que esse é o melhor modelo a ser seguido.

Ensina-se que a mulher de verdade deve ser, antes de tudo, independente. Constrói-se o mito de que a mulher só se realiza e só é reconhecida socialmente se trabalhar fora de casa. Além disso, ensina-se que a mulher deve ter um estilo tão permissivo e leviano quanto os homens do mundo. Para o mundo, a mulher deve ser autoritária e submeter todos os homens aos seus pés.

Mas será esse o tipo de mulher que a Bíblia recomenda? Será esse o modelo cristão de feminilidade? É óbvio que não. Então vejamos algumas das características da mulher de verdade segundo a Bíblia.

A mulher deve ser boa dona de casa: A Bíblia ensina que a mulher deve saber cuidar de sua casa. Em Provérbios, a Bíblia diz que a mulher está sempre pronta a dar de comer aos de casa a qualquer hora do dia (Provérbios 31:15) e não come o pão da preguiça (Provérbios 31:27).

Deve cuidar da sua aparência e família: Além de ser boa dona de casa, a mulher de verdade cuida bem da sua própria aparência e daqueles que dela dependem, providenciando para que eles estejam sempre bem vestidos (Provérbios 31:21-22).

Deve edificar com sabedoria: Ainda segundo Provérbios, a mulher deve saber edificar sua casa com sabedoria, sabendo a hora certa de falar (Provérbios 31:26). Enquanto a mulher sábia edifica o lar, a tola o destrói (Provérbios 14:1).

Deve ser companheira e auxiliadora idônea: Desde a Criação da mulher, Deus estabeleceu que a mulher seria uma companheira idônea do homem (Gênesis 2:18). E isso não coloca a mulher em posição de desonra, mas em lugar de honra e de importância única e insubstituível. A obra da Criação estava incompleta até que a mulher foi criada e com ela veio a mais bela das instituições: a família.

Deve ser mãe: O mais importante papel da mulher é ser mãe. Antes que sociedade se corrompesse, esse era o sonho de toda mulher. A mulher entende a importância de seu papel quando se torna mãe. Todos os grandes homens, e mesmo Jesus Cristo, foram gerados do ventre de uma mulher.

Deve ser intercessora: A mulher deve ser alguém que intercede por seu esposo e por sua família. Ela não se cansa de orar incessantemente por eles, e “sua lâmpada não se apaga de noite” (Provérbios 31:18).

Deve ser temente ao Senhor: Por fim, a mulher de verdade é temente ao Senhor.

“Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.” (Provérbios 31:30).

Esse é o padrão de mulher segundo a Bíblia: sábia, boa dona de casa, companheira, mãe, intercessora e temente a Deus. Não são os valores que estão em moda, mas são valores eternos, comuns às mulheres que fizeram parte da Bíblia.

Cabe a você mulher analisar qual o melhor modelo a ser seguido. Valeria a pena cair no engano de que a Bíblia está ultrapassada, retrógrada? Será mesmo que a mulher feliz é a mulher independente, que não precisa de homem nenhum e que ignora o modelo de comportamento bíblico? Para todas essas perguntas, a melhor resposta é a negativa. E feliz e virtuosa será a mulher que entender que na Bíblia está o verdadeiro modelo de conduta para a mulher.

“Salvar-se-á, porém [a mulher], dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação.” (1 Timóteo 2:15)

domingo, 14 de março de 2010

O homem de verdade segundo a Bíblia

A nossa sociedade passa por uma crise moral. Como predito pela Bíblia, a iniqüidade tomou conta do coração dos homens e estes perderam sua afeição e tornaram-se egoístas. A família, instituição criada por Deus no Jardim do Éden, não é mais respeitada como nos séculos anteriores. O resultado disso é a falência moral da sociedade, que perdeu suas bases e referenciais.

Uma das razões disso está no fato de que os seres humanos perderam sua identidade. Os homens não são mais verdadeiros e respeitáveis como a Bíblia recomenda que fossem e as mulheres têm rejeitado o modelo de comportamento que a Bíblia estabeleceu como sendo o melhor para elas.

A nossa geração não sabe se relacionar, tampouco tem entendido o papel de cada sexo. Se assim não o fosse, não precisaríamos falar de homossexualismo, homofobia e temas tão desnecessários de serem falados como esses (principalmente se olharmos nossas gerações passadas), fruto de um desajustamento do homem diante do propósito para o qual ele foi criado.

Na criação, Deus estabeleceu dois gêneros: macho e fêmea. Não houve meio termo. Há poucos dias num programa de televisão, um pastor disse, acertadamente, que não existe nenhum gene ou cromossomo que determine que um homem, ao crescer, será atraído por mulheres ou será homossexual. Tudo isso é fruto de escolhas. O homem passa por diversas experiências em sua vida, nas quais ele se vê diante de um comportamento de acordo com a Palavra de Deus de um lado e, de outro lado, de um caminho pecaminoso. Assim, não existe justificativa para que um homem se entregue à prática de pecados sexuais, pois a própria Bíblia diz que o homem foi biologicamente criado para se comportar da forma que a Bíblia prevê que se comporte, no tempo e na forma estabelecida por ela.

Mas sabemos que as exceções a essas regras bíblicas são inúmeras e há milhões de homens em nosso país que não assumem seu papel na sociedade como deveriam assumir, ainda que sejam heterossexuais. As causas que dão origem a isso são inúmeras.

Uma delas é a de que somos filhos de pais que não eram comunicativos. Muitos de nós fomos criados por pais e mães que em nossa infância e adolescência deixaram a desejar ao tratar de assuntos sensíveis na formação de nosso caráter. Por não discernirem o tempo de aconselhar os filhos em assuntos frágeis, como a área sexual, muitos de seus filhos acabam seguindo caminhos errados, como o da prostituição e do homossexualismo.

Além disso, a nossa geração de jovens e adolescentes não sabe o que fazer. Por não saber fazer suas escolhas e por não terem referenciais verdadeiros de caráter e conduta, muitos adolescentes se tornam rebeldes e auto-permissivos demais, não sabendo tomar decisões que acabam alterando significativamente seu futuro, levando muitos a morrerem jovens, no caminho das drogas e das doenças sexualmente transmissíveis. Alguns dos principais ídolos da juventude dos anos 80 e 90 morreram assim – através da AIDS, do suicídio e de overdose – dando os piores exemplos possíveis a jovens que não têm referenciais a seguir.

Some-se a isso o altíssimo índice de divórcio em nossa sociedade, fruto da inversão de valores nesse tempo. Assim como as mulheres já não estão dispostas a respeitar seus maridos, os homens também têm se negado a amar incondicionalmente suas esposas e não têm pensado duas vezes antes de praticar o adultério.

Assim, diferente do modelo de homem descrito na Bíblia, no nosso tempo surge, mesmo dentro da própria igreja, dois mitos de masculinidade: o emasculado e o machão.

Emasculado: é aquele homem que não é inteiramente masculino, abrindo mão de sua posição de masculinidade. Não se trata do efeminado, que é o mesmo que homossexual, e que a própria a Bíblia afirma que sequer será salvo (1 Coríntios 6:10). Este tipo de homem é geralmente frágil, inseguro e vulnerável. É o tipo de homem que não se altera jamais, mas também é indeciso e fraco em momentos que precisam tomar decisões difíceis. Muitos casamentos não têm sucesso porque os homens não assumem sua posição, como homens de verdade. São homens às vezes simpáticos, bons líderes na igreja, mas não possuem a vitalidade necessária para dirigir sua família.

Esse tipo de homem nasce do mito do eterno galã e cavalheiro. Como a esse homem falta o poder de decidir oportunamente e de ser firme quando necessário, ele acaba sendo um homem que jamais contraria a mulher e que está sempre disponível para servi-la. Assim, acabam não tendo liderança e não são respeitados por suas esposas, já que não demonstram autoridade de chefe de família. São quase tão doces quanto uma mulher, mas por outro lado são covardes, que se omitem do seu papel de líderes de sua família.

É verdade que o homem às vezes deve ser gentil e tenro, mas ele deve discernir o tempo de falar grosso e ter posição, mesmo porque as mulheres, até mesmo por terem corpos com ciclos diferentes, costumam ser mais instáveis emocionalmente e precisam de homens que as amem e saibam tomar decisões pelas quais eles se tornem responsáveis por elas.

O maior exemplo de liderança masculina foi Jesus Cristo. Soube tratar os pobres, e também os mestres, com a mesma humildade. Mas também expressou suas emoções, chorando quando seu amigo Lázaro faleceu e expulsando os cambistas do templo quando estes comerciavam ali.

Machista: o homem machista é exatamente o modelo oposto do anterior. São homens que sempre agem de forma varonil. Esse homem é bravo, autoritário. As pessoas o vêem como o machão, “o dono do pedaço”, mas muitos deles acabam não sabendo tratar suas esposas com amor. Esse tipo de homem pensa que é um homem de verdade, mas na verdade não é.

Muitas vezes, é a própria mídia que gera um tipo de homem como esse. Homens fisicamente fortes, que tem dinheiro e que tem que mostrar pra todo mundo que é “macho”. Aprendem na TV que devem ser melhores que os outros homens para terem todas as mulheres e, quando as conseguem, acabam tratando-as como se fossem mercadorias que lhes pertencessem. Mas a verdade é que a mulher, assim como não se satisfaz com um homem emasculado, também não fica satisfeita com um homem que a oprime, que a subjuga a todo tempo e que não sabe atender as suas necessidades como esposa e como mulher.

Mas afinal, qual é o padrão de homem segundo a Bíblia? A resposta está no equilíbrio.

“Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com amor.” (1 Coríntios 16:13-14)

Esse é o modelo de homem que a Bíblia recomenda. Aquele que é varonil, forte, mas em todos os seus atos manifesta o amor.

Além disso, o homem segundo a palavra de Deus não está preso aos mitos do mundo, como o daquele que diz que “homem não chora”. É claro que o homem não deve ser “chorão”, mas ele pode e deve chorar quando for conveniente, assim como Cristo também chorou quando se entristeceu (João 11:35).

Antes de fazer a obra de Deus, deve o homem também saber governar sua casa, pois aqueles que não sabem governar sua casa adequadamente, também não saberão fazer discípulos de uma forma que agrade ao Senhor (1 Timóteo 3:5).

Por último e mais difícil, todo homem que quer se casar e constituir uma família, deve estar disposto a amar sua esposa de uma forma incondicional, a ponto de dar a vida por ela se for necessário, como o próprio Cristo fez por amor à igreja (Efésios 5:25).

Assim, homens de verdade não são aqueles que se impõem pela força, sujeitando suas esposas com um autoritarismo exacerbado. Também não é aquele que não tem postura firme e que “deixa a esposa mandar”. O verdadeiro homem, dentro do padrão de Deus, é equilibrado, sóbrio (1 Timóteo 3:2) e moderado (Tito 1:8). É firme, mas sabe ser tenro. Lidera sem ser áspero. É seguro sem ser ignorante. E é forte sem perder a sensibilidade.

Os filhos e esposas de nosso tempo esperam pela figura do homem como Deus o estabeleceu, a sua imagem e semelhança. Que não é autoritário, mas possui autoridade sobre sua família na medida em que se comporta como aquele que sabe que é responsável, diante de Deus e dos homens, por toda a sua família.

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” (1 Timóteo 5:8)

domingo, 29 de novembro de 2009

O evangelho da vida através da morte

Não existe geração de vida sem que haja morte. Essa foi uma das mais importantes lições de Cristo, demonstrada através de sua morte na cruz. Nunca existiu e tampouco chegará a existir uma demonstração maior de amor do que o sacrifício de Jesus Cristo (João 15:13).

Em sua vida, sabemos que Jesus escolheu 12 homens para multiplicar o evangelho na terra. Esses homens não eram discípulos de Cristo somente porque andavam com Ele por todos os lugares que passava, mas porque foram homens nos quais Cristo olhou e viu disposição semelhante à que Ele tinha: a de entregar suas próprias vidas pela salvação de outras pessoas. E por estarem dispostos a não amarem suas vidas, se entregaram em favor da expansão do reino. Nenhum dos apóstolos morreu em camas quentes, de velhice ou morte natural, ao lado dos seus parentes. Morreram sim das formas mais tristes possíveis. Presos, exilados, crucificados em posições humilhantes. Esse foi o destino que recebeu os primeiros discípulos de Cristo.

Se a história da igreja primitiva foi banhada de sangue, no passar dos séculos a situação não mudou muito. Em Roma, cristãos eram mortos de formas bizarras, devorados por animais, queimados vivos. Na Idade Média, a religião se institucionalizou, perverteu-se, e voltou-se justamente contra os verdadeiros servos de Deus. E ainda nos dias de hoje, em dezenas de países do grupo da “igreja perseguida”, continua sendo derramado sangue de homens que amam a obra de Deus e que, como os apóstolos, se dispõem a dar seus próprios corpos pela salvação de outras pessoas.

Estes homens, que deram um verdadeiro testemunho de entrega, através de suas próprias vidas, são lembrados em Apocalipse:

“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.” (Apocalipse 6:9-11)

Repare que estes homens que morreram em favor do evangelho estão em posição de honra. Adquiriram o direito de repousarem tranquilos após a morte e receberem vestes brancas.

Mas a pergunta que surge é: e nós? Será que podemos bater no peito e declarar, a nós mesmos, que somos verdadeiros discípulos de Cristo? Aqui se requer uma análise mais detalhada.

Um primeiro ponto que merece ser destacado é o de que todo aquele que deseja ser discípulo de Cristo, tem que estar disposto ao sacrifício, diário e contínuo de suas próprias vontades. Veja o que o próprio Cristo disse:

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me.” (Mateus 16:24)

Tomar a cruz é carregar um peso de algo que pode ser maior do que a sua própria vida. Quando Cristo literalmente carregou sua cruz ao Monte Calvário, Ele nada mais estava carregando o madeiro no qual Ele próprio seria pregado e morto. Qualquer um que quiser levar uma vida “carregando sua cruz”, deve saber que está levando uma vida que o levará para a morte física, na medida em que deverá deixar os projetos, desejos, sonhos da vida para trás. Isso não quer dizer que quem segue a Cristo não pode ter nenhum bem material e levar uma vida miserável, mas sim, que todo aquele que deseja ser discípulo de Cristo não pode ter o seu coração nestas coisas. Outrossim, tem que estar disposto a renunciar tudo o que tem se isso for necessário para a salvação de outras pessoas.

Paulo ensinou a Tito que o verdadeiro discípulo deveria renunciar à impiedade e a toda a concupiscência mundana (Tito 2:12). Jesus Cristo, antes dele, já havia sido ainda mais enfático: ninguém que não estiver disposto a renunciar tudo que tem não poderia ser discípulo d’Ele (Lucas 14:33).

Além do sacrifício, a Bíblia nos ensina também a lição do amor ao próximo. Veja o que Cristo dizia:

“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.” (Marcos 12:29-33)

Repare que toda a lei do Velho Testamento pôde ser reduzida a apenas dois mandamentos: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo. Quem leva uma vida de sacrifício na terra, negando aquilo que é do mundo, está demonstrando que ama a Deus. Mas demonstrar apenas o amor a Deus não é suficiente.

Cristo não ensinou o sacrifício puro e simples, mas um sacrifício motivado. Não se trata de fazer penitências ou violentar a si mesmo, mas de um sacrifício em benefício de outras pessoas. Quando amamos ao próximo como a nós mesmos, não nos ficamos tranqüilos com a idéia que nós estamos salvos e outras pessoas não. Se você ama duas pessoas de forma igual, você quer que ambas tenham benefícios semelhantes. Os que se negam a trabalhar pela salvação de outros, não é discípulo, porque ser discípulo é entender que a salvação da alma do seu próximo vale tanto, que se for preciso dar a sua própria vida por ela, você dará.

Entretanto, pouca gente está disposta a amar o evangelho de Cristo e a vida de outras pessoas a ponto de oferecer a sua própria vida para isso. Existem muitos “cristãos por conveniência”, que não demonstram uma fé verdadeira, como a de Paulo, que mesmo nunca tendo visto a Cristo, creu n’Ele e não se intimidava diante da morte (Filipenses 1:21). E essa é uma marca de uma fé genuína: ela resiste à morte.

Cristo não nos livrou do peso da lei simplesmente por ser bonzinhos conosco ou por amar mais a nós do que aos judeus, mas para nos dar uma tarefa não menos fácil do que seguir a lei: o encargo de amar a vida dos outros. Só experimenta uma vida cristã real e íntima aquele que entende que a maior prioridade de Deus não é abençoá-lo, mas usar a sua vida para abençoar outras pessoas.

Na Alemanha nazista, muitos judeus não estavam dispostos a morrer nos campos de concentração ou nas câmaras de gás de Hitler. Assim, muitos preferiram se esconder ou pior, se vestiam como nazistas para escapar da perseguição e restarem vivos após a guerra. Negavam de onde vieram e o que acreditavam para continuarem vivos. E assim faz hoje a maioria dos cristãos. Querem continuar sendo cristãos, mas não querem pagar o preço que o verdadeiro discípulo paga, de sacrifício contínuo e de amar a vida daquele que às vezes sequer conhece.

Deixar de pregar o evangelho, de levar uma vida de sacrifício e de amar o próximo, é uma negligência de graves conseqüências. Milhões de pessoas no mundo deixarão de ser salvas porque outros milhões de cristãos terão se prendido numa “vida cristã” egoísta, que não terá ido além da mera busca de atendimento de mesquinhas necessidades pessoais. A Bíblia diz que aqueles que não serão salvos, não o serão porque não receberam o amor da verdade para se salvarem (2 Tessalonicenses 2:10). Muitos não são salvos, porque simplesmente jamais puderam ver o que é esse amor, porque os cristãos que ele conheceu em vida não lhe mostraram isso. O amor de Deus só é expresso aos homens através de seus servos, e o número de salvos deixará de crescer na medida em que os filhos de Deus se esquecerem do seu principal papel: levar o amor de Deus para aqueles que não o conhecem.

Não é fácil viver uma vida de renúncias. Negar a si mesmo não é tarefa simples num mundo cheio de facilidades e ofertas sedutoras como o nosso. Mas asseguro que muito mais difícil e dolorosa do que qualquer transitória vida de sacrifício, será chegar na eternidade e não ter frutos dos quais se orgulhar, nem vestes brancas para receber.

“O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)

Por fim, uma última pergunta: você ama mesmo a Cristo? Antes de responder a essa pergunta e mesmo antes de entoar cânticos prontos dizendo que ama a Deus, entenda o que isso significa, e que se isso realmente for verdade em seu coração, você certamente será cobrado e testado pelo que disse. O amor não se manifesta sendo falado, mas em ações práticas e eficazes. E a única forma de demonstrar o amor a Deus é através da disposição em seguir um evangelho que gera vida à custa da morte daquele que ama às verdades da palavra que segue..

“Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.” (Mateus 10:39)

domingo, 1 de novembro de 2009

Não andeis ansiosos

Há pequenos trechos na Bíblia que nos trazem muitas lições. E uma das partes da Bíblia que mais nos ensina a respeito como lidar com a ansiedade e aprender a ter fé na provisão de Deus está no livro de Filipenses:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)

Desses dois versículos transcritos podemos então tirar no mínimo 4 importantes lições, que são características de uma fé madura em Cristo.

1. Não andeis ansiosos: A primeira parte do versículo 6 diz que não devemos andar inquietos, ansiosos por coisa alguma. Mas o que é exatamente a ansiedade?

Em sucintas palavras, ansiedade é um comportamento humano “que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis”.

É muito comum vermos nas igrejas muitas pessoas ansiosas, que se preocupam demais com aquilo que elas acham ser necessário para elas. Muitos dizem “preciso de oração porque eu sou muito ansioso”. Mas a ansiedade não se resolve com oração somente. Para que a pessoa deixe de ser ansiosa, é necessário que ela esteja disposta a mudar seu comportamento, sua forma de ver as situações que vive, e ter um coração ensinável por Cristo para aceitar que ter ansiedade é uma falha em si mesma que depende de sua vontade para ser resolvida. O mundo tenta nos impor a idéia de que a ansiedade é uma doença, mas para o cristão, a ansiedade não passa de uma postura que reflete falta de fé e de confiança na provisão de Cristo. É hipócrita o que diz que acredita e confia no cuidado e na provisão de Deus, mas apresenta traços de ansiedade em sua vida (1 Pedro 5:7). A ansiedade se opõe a uma fé madura e genuína em Cristo.

Uma outra característica comum em pessoas ansiosas é que elas também desejam coisas que elas ainda não estão preparadas para receber (Lucas 12:26). No nosso mundo, onde tudo tem que ser fácil e “para agora”, as pessoas aprenderam a valorizar muito mais o que elas ainda não conseguiram em detrimento do que elas já receberam. A ansiedade é fruto de um sentimento incompatível com outra necessidade muito mais importante que temos, que é a de crescermos de forma gradual, sem tentar queimar etapas necessárias ao nosso aprendizado em cada situação da vida. A ansiedade nos faz perder o prazer e a chance de aproveitarmos o tempo da oportunidade, o agora, para aprendermos o valor da espera e fazermos a Vontade de Deus sem se preocupar com aquilo que ainda não é para o nosso tempo ou para o qual ainda não estamos prontos. Afinal, a coisa certa no momento errado, é a coisa errada.

2. Ter nossas petições conhecidas diante de Deus pela oração e súplica: Além de evitar comportamentos ansiosos, Paulo nos ensina a apresentar TUDO aquilo que queremos diante de Deus.

O ato de pedir, seja a Deus ou aos homens, possui dois princípios implícitos: o primeiro é de que só faz pedidos aquele que reconhece que precisa de alguma coisa. Quando uma pessoa pede algo a outra, ela está reconhecendo que precisa daquilo, e que não tem condições de obter isso sozinha, por suas próprias forças; o segundo princípio é o de que nós só pedimos a quem entendemos que pode nos ajudar.

Por isso, sempre que colocamos nossos pedidos diante de Deus, estamos reconhecendo implicitamente que precisamos do Seu favor em cada uma das petições apresentadas e, mais do que isso, reconhecemos que Ele poderá nos atender.

Há pessoas que tentam “reduzir ao necessário” as suas orações. Uns só pedem bênçãos materiais, pois erradamente acreditam que a edificação de sua vida espiritual depende somente de atos voluntários de sua parte. Outros só fazem “pedidos espirituais”, pois acreditam que não se deve pedir nada material a Deus, pois “Deus sabe todas as coisas” ou “em tudo devemos dar graças”.

É claro que as pessoas são diferentes, mas a regra geral não é nenhuma das descritas no parágrafo anterior. Pelo contrário. A Bíblia nos ensina que tudo o que queremos deve ser colocado na presença de Deus. Não só porque Ele é quem tem o poder de abençoar e por isso nos atenderá, mas porque quando colocamos algo em oração, estamos submetendo a nossa vontade à de Deus, na medida em que nos dispomos a ouvir de Deus uma resposta d’Ele, ainda que não seja compatível com a nossa vontade. Muitas vezes o próprio Espírito fala ao nosso coração se a vontade de Deus é a mesma que estamos pedindo, ou se Ele tem para nós projetos diferentes, e maiores, do que aqueles que temos colocado diante d’Ele. Assim, apresentar todos os nossos desejos diante de Deus implica em afirmação de total dependência de Deus, em todas as áreas de nossas vidas.

Ao lado da paciência, que é oposta à ansiedade, está a perseverança na oração (Romanos 12:12). Só persevera na oração aquele que realmente espera pela resposta de Deus no tempo d’Ele. Não raro Deus usa o tempo para nos provar. Há situações em que para nos abençoar, Deus precisará saber se a nossa fé é limitada e facilmente sucumbe ao pequeno sinal de que se deve esperar mais do que pensa, ou se estamos realmente esperando pacientemente n’Ele.

3. Com ação de graças: Além de pedir e esperar sem ansiedade, existe uma outra característica daquele que confia: ele agradece antes mesmo de ver aquilo que ele pediu se concretizando.

Existem também determinadas situações em que a nossa confiança em Deus só será demonstrada quando apresentarmos um coração grato. Não um falso agradecimento, que vem só dos lábios. Mas um agradecimento genuíno, daquele que sabe que receberá de Deus.

Uma dos sinais da pessoa que tem um coração grato é que ela se compromete com o tempo de Deus. Quem realmente espera com gratidão não “exige” que a bênção seja imediata, mas está disposto a recebê-la com alegria no tempo que lhe for dada. E há provas suficientes para afirmarmos que Cristo valoriza um coração grato, assim como valorizou o único dentre 10 leprosos que foi curado e voltou para agradecer (Lucas 17:18).

O agradecimento é também um ato pelo qual nós glorificamos à Deus pelo que Ele nos dá. Deus terá prazer em abençoar aquele que agradece antes de receber, pois saberá que este reconhecerá que não conseguiu sozinho, mas sim que foi Deus quem lhe abençoou.

Não basta perseverarmos na oração. Precisamos também orar em ação de graças. Isso é um princípio bíblico (Colossenses 4:2)!

A fé verdadeira é baseada na certeza daquilo que se espera, sem que tenhamos visto antes (Hebreus 11:1). E é fato que o homem só agradece em duas situações: depois que já recebeu ou quando já tem certeza que receberá. E não há demonstração alguma de fé senão na segunda situação.

4. Ter nosso coração guardado na paz de Deus. O que evita ser ansioso, permanece em oração e com um coração grato, também espera, com paz no coração, a resposta para suas orações no tempo de Deus. Assim, ter um coração guardado na paz de Deus será uma conseqüência na vida daquele que aprendeu as três lições anteriores.

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hebreus 4:16)

O que espera em Deus tem certeza que será ajudado “no tempo oportuno”. E nós não tempos o poder de antever nosso futuro e por isso não sabemos quando é chegado o melhor tempo para sermos abençoados. Tendemos sempre a achar que estamos prontos para recebermos todas as bênçãos, mas Deus sabe que as coisas não são assim, pois Ele, além de conhecer o futuro, também conhece o coração humano melhor do que o próprio homem (Jeremias 12:3). E você pode estar certo de que Deus será fiel para com seus verdadeiros servos e saberá – muito melhor do que você - a hora certa para abençoá-lo se esperares pacientemente n’Ele.

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28)

domingo, 18 de outubro de 2009

O valor de um bom conselho

O homem não dá o valor que merecem os conselhos. Popularmente se diz que “se conselho fosse bom não eram dados, mas vendidos”. Mas se o homem não valoriza muito os conselhos de outras pessoas, Deus recomenda que muitas vezes devíamos dar ouvidos ao que os outros tem a dizer.

Se Deus não desse tanto valor à importância dos conselhos, certamente não teria inspirado o homem para que escrevesse livros como Provérbios e Eclesiastes, formados quase que exclusivamente por conselhos e recomendações, nem tampouco teria feito com que o homem os colocasse na Sua Palavra.

Por isso que precisamos tanto da comunhão da igreja e do discipulado. Andando junto aos irmãos e compartilhando nossos problemas com eles, saberemos o que o outro pensa de nossos problemas, e o que ele vê de positivo ou negativo neles. Geralmente o outro, que está fora da nossa realidade, vê nos nossos problemas, aspectos que não percebemos, pois temos tendência de ser cegos quando nossos sentimentos e emoções são afetados.

Quem anda sozinho, erra mais fácil. Eu diria que quem anda só, é como o cavalo que anda com aquela viseira (ou “tapa”), que nele é colocada para puxar carroça. O cavalo, ao contrário do homem, não possui os olhos próximos entre si, mas um em cada lado da fronte. Portanto, apesar de ver de forma mais “desorganizada”, tem um campo de visão mais amplo. O dono coloca a viseira para que ele enxergue só o que lhe aparece na frente, o que dá ao animal mais foco na dianteira. Mas ao mesmo tempo que ele ganha em foco, ele perde em referência, pois com a viseira, o cavalo não terá mais a capacidade de ver as ameaças que vem dos lados. Assim é quem anda só, sem ouvir os conselhos. Tem a visão limitada e não consegue ver certos tipos de ameaças e problemas que o ser humano não vê sem ser alertado pelo outro. Como um cavalo com uma viseira colocada em seus olhos.

Não interessa qual o homem, sua posição social, idade ou religião. Todos precisam de conselhos. Jesus Cristo dizia que até mesmo um rei precisava tomar conselho antes de tomar decisões difíceis (Lucas 14:31).

A falta de um bom conselho faz muitos homens tropeçarem. E foi exatamente isso que aconteceu com Absalão. Através de parte de sua história, descrita em II Samuel 17, podemos tirar pelo menos 6 lições importantes a respeito do valor dos conselhos.

1. Devemos seguir o conselho correto. Absalão não seguiu o conselho correto. Apesar de Husai ser um homem sábio, ele não era um profeta de Deus. Por isso, por mais sábio que possa parecer um homem, não podemos sempre guiar nossa conduta pelo que ele fala se ele não for um profeta de Deus. O conselho correto geralmente vêm sempre das mesmas pessoas. Pessoas que tem autoridade sobre nossas vidas e nos conhece, geralmente são as mais qualificadas para nos dar conselhos. Nossos pastores e líderes na igreja e nossos pais (principalmente se forem cristãos) são bons exemplos. O problema é que muitas vezes ouvimos conselhos diferentes, cada um nos recomendando coisas opostas ao outro. Existem situações que são de difícil resolução, que dependem muitas vezes de oração, para se ter revelação da Vontade de Deus. Mas outras são resolvidas facilmente, bastando olhar a Bíblia. A Palavra de Deus nos recomenda, por exemplo, que não devemos andar sob o conselho de ímpios (Salmos 1:1; Provérbios 12:5). Se um ímpio nos diz para fazer algo, e as pessoas que nos acompanham na igreja recomendam algo diferente, quase sempre o melhor conselho vem da igreja.

Além dos que estão na igreja, pessoas próximas de nós podem ser usadas por Deus para nos dar um bom conselho. E geralmente essas pessoas são mais velhas, têm maior experiência de vida (às vezes até passaram por problemas semelhantes), e por isso podem nos aconselhar sabiamente. O próprio Moisés se deparou com uma situação de dúvida e acertou ao seguir o conselho de seu sogro (Êxodo 18:24).

2. Devemos pensar bem antes de seguir conselhos que nos agradam. Absalão se deparou com dois conselhos: o de Husai e o de Aitofel. Aitofel propôs uma ação imediata dos exércitos de Absalão contra Davi, enquanto Husai propôs que Absalão adiasse o combate, para que houvesse tempo de Absalão formar um exército mais numeroso, que lhe desse uma vitória mais expressiva, e promovesse sua imagem frente o povo. Como sabemos, Absalão, certamente por vaidade, seguiu o conselho de Husai.

Mas o erro de Absalão é cometido por muitos de nós. Muitas vezes seguimos o conselho que mais nos agrada ou que coloca nosso ego em evidência. A Bíblia nos diz que mesmo o caminho do insensato parece ser bom aos seus próprios olhos (Provérbios 12:15). Por isso, seguir o conselho que mais nos agrada nem sempre pode ser a melhor opção. É em situações como essas em que mais nos sentimos independentes para tomar decisões sozinhos. Contudo, mesmo que a boa escolha pareça lógica, precisamos de conselhos de pessoas usadas por Deus sempre que nos depararmos com escolhas que influenciarão significativamente o nosso futuro, para que não corramos o risco de sermos levados por nossas duvidosas impressões pessoais.

3. Precisamos de conselho em situações difíceis, por que há situações em que não sabemos tomar a melhor decisão. O desejo que Absalão tinha de abater o exército de Davi e alcançar o trono, o pôs em um dilema no qual ele não conseguiu pensar com sabedoria. Nós como seres humanos, somos constantemente movidos por emoções. Emoções que são aguçadas em situações de pressão, que fazem com que não consigamos pensar direito. Quando pressionado, o homem toma decisões que podem ir até mesmo contra os seus próprios valores morais. A ambição pelo poder, alimentada por Absalão, era tão grande que fez com que ele não se importasse sequer com a vida de seu próprio pai. Só importava a ele usurpar o poder, ainda que isso custasse a própria vida de Davi.

4. Os conselhos de Deus nos livram de problemas futuros. Enquanto Absalão tentava escolher qual era o sábio que tinha o melhor conselho, Davi buscou o bom conselho. Orou a Deus, e pediu que Ele interviesse na questão, e fizesse com que Absalão não seguisse o melhor conselho, pois isso implicaria na morte de Davi. E Deus o atendeu, como atende todos aqueles que dependem do conselho d’Ele para suas vidas. Em 1 Samuel 25:33, Davi agradeceu a Deus por ter enviado a ele Abigail, que o impediu de derramar sangue inocente, vingando com suas próprias mãos.

5. Quem discerne o bom conselho, não tem do que se preocupar. Davi confiava em Deus. Apesar de sua tristeza, ele submeteu-se à Vontade de Deus, ao dizer "faça de mim como melhor lhe parecer". Não buscou sábios, como fez Absalão, mas entendeu que o melhor para sua vida era o cumprimento do propósito de Deus naquele momento. E foi exatamente por ter passado por essa situação, em que teve que fugir de Absalão, que ele pôde escrever o 3º capítulo de Salmos, em que ressaltou a confiança que tinha em Deus.

6. Não há conselho melhor que o de Deus. O meio que Deus usou para livrar a vida de Davi foi permitindo que Absalão seguisse o conselho errado. Todos nós seguimos conselhos errados sempre que não damos ouvidos ao conselho de Deus, pois como somos homens, temos dificuldade de reconhecer os caminhos que são inadequados para nós (Provérbios 16:2). Não há ninguém que nos conheça tão bem, nem que saiba exatamente o que o futuro nos reserva quanto Deus. Por isso é que não encontraremos, em lugar algum, conselhos melhores que o d’Ele. Devemos entregar nossos caminhos a Deus, para sermos guiados pelo melhor conselho e Ele faça acontecer o melhor d’Ele em nossas vidas, como está escrito no livro de Salmos:

“Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará.” (Salmos 37:5)

Dizem que Deus trata com as pessoas de duas formas: pelo “amor” ou pela “dor”. Eu vejo isso de uma forma um pouco diferente. Existem pessoas que seguem a Deus e estão dispostas aceitar os conselhos e a Vontade de Deus para suas vidas. Outros querem andar pelas próprias pernas, não aceitam aquilo que Deus deseja delas, e por isso acabam pagando caro no futuro. Submeter-se à Deus é uma escolha, mas é inegável que os frutos colhidos que uma pessoa que segue as ordenanças de Deus pra sua vida são muito melhores do que os que são colhidos por aqueles que querem seguir aquilo que acham que é certo. Com estes, Deus não trata senão pelo forma dolorosa, através de dores, perdas, vergonhas.

O meu conselho é que você, que lê este artigo, aprenda a conhecer a Vontade de Deus e aceitá-la, ainda que lhe seja exigido que tome decisões drásticas ou faça mudanças que você não planejava. A Bíblia nos ensina que é melhor obedecer do que sacrificar (1 Samuel 15:22) e, de fato, é melhor seguir os conselhos de Deus, do que acreditar na incerteza dos frutos de nossas próprias decisões.

“Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança.” (Provérbios 11:14)

“Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio.” (Provérbios 19:20)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Suponha que um ímpio vá para o céu (J.C. Ryle)

Sábio e edificante texto escrito por John Charles Ryle (1816-1900), a respeito da necessidade de se ter uma vida em santidade para ver o Senhor.

Por um momento, suponha que você, destituído de santidade, tivesse a permissão de entrar no céu. O que você faria ali? Que possíveis alegrias sentiria no céu? A qual de todos os santos você se achegaria e ao lado de quem se assentaria? O prazer deles não é o seu prazer; os gostos deles não são os seus; o caráter deles não é o seu caráter. Como você poderia sentir-se feliz ali, se não havia sido santo na terra?

Talvez agora você aprecie muito a companhia dos levianos e descuidados, dos homens de mentalidade mundana, dos avarentos, dos devassos, dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Nenhum deles estará no céu.

Provavelmente, você ache que os santos de Deus são muito restritos, sérios e individualistas; e prefere evitá-los. Você não encontra nenhum prazer na companhia deles. Mas não haverá no céu qualquer outra companhia.

Talvez você ache que orar, ler a Bíblia e cantar hinos são realizações monótonas e estúpidas, coisas que devem ser toleradas aqui e agora, mas não desfrutadas. Você reputa o dia de descanso como um fardo, uma fadiga; provavelmente, você não gasta mais do que um pequeníssima parte deste dia na adoração a Deus. Lembre-se, porém, de que o céu é um dia de descanso interminável. Os habitantes do céu não descansam, noite e dia, clamando: “Santo, santo, santo é o Senhor, Deus todo- poderoso” e cantam todo o tempo louvores ao Cordeiro. Como poderia um ímpio encontrar prazer em uma ocupação como esta?

Você acha que um ímpio sentiria deleite em encontrar-se com Davi, Paulo e João, depois de ter gasto a sua vida na prática daquelas coisas que eles condenaram? O ímpio pediria bons conselhos a estes homens e acharia que tem muitas coisas em comum com eles? Acima de tudo, você acha que um ímpio se regozijaria em ver Jesus, o Crucificado, face a face, depois de viver preso nos pecados pelos quais Ele morreu, depois de amar os inimigos de Jesus e desprezar os seus amigos? Um ímpio permaneceria confiantemente diante de Jesus e se uniria ao clamor: “Este é o nosso Deus, em quem esperávamos… na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25.9)? Ao invés disso, você não acha que a língua de um ímpio se prenderia ao céu de sua boca, sentindo vergonha, e que seu único desejo seria o ser expulso dali? Ele haveria de sentir-se estranho em um lugar que ele não conhecia, seria uma ovelha negra entre o rebanho santo de Jesus. A voz dos querubins e dos serafins, o canto dos anjos e dos arcanjos e a voz de todos os habitantes do céu seria uma linguagem que o ímpio não entenderia. O próprio ar do céu seria um ar que o ímpio não poderia respirar.

Eu não sei o que os outros pensam, mas parece claro, para mim, que o céu seria um lugar miserável para um homem destituído de santidade. Não pode ser de outra maneira. As pessoas podem dizer, de maneira incerta, que “esperam ir para o céu”, mas elas não meditam no que realmente estão dizendo. Temos de ser pessoas que possuem uma mentalidade celestial e têm gostos celestiais, na vida presente; pois, do contrário, jamais nos encontraremos no céu, na vida por vir.

Agora, antes de prosseguir, permita-me falar-lhe algumas palavras de aplicação. Pergunto a cada pessoa que está lendo este artigo: você já é uma pessoa santa? Eu lhe suplico que preste atenção a esta pergunta. Você sabe alguma coisa a respeito da santidade sobre a qual lhe estou falando? Não estou perguntando se você costuma ir regularmente a uma igreja, ou se você já foi batizado, ou se você recebe a Ceia do Senhor, ou se tem o nome de cristão. Estou perguntando algo muito mais significativo do que tudo isso: “Você é santo ou não?”

Não estou perguntando se você aprova a santidade nos outros, se você gosta de ler sobre a vida de pessoas santas, de conversar sobre coisas santas, de ter livros santos em sua mesa, se você sabe o que significa ser santo ou se espera ser santo algum dia. Estou perguntando algo mais elevado: “Você mesmo é um santo ou não?”

E por que eu lhe pergunto com tanta seriedade, insistindo com tanto vigor? Faço isto porque a Bíblia diz: “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Está escrito, não é minha imaginação; está escrito, não é minha opinião pessoal; é a Palavra de Deus, e não a do homem: “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Que palavras perscrutadoras e separadoras são estas! Que pensamentos surgem em meu coração, enquanto as escrevo! Olho para o mundo e vejo a maior parte das pessoas vivendo na impiedade. Olho para os cristãos professos e percebo que a maioria deles não têm nada do cristianismo, exceto o nome. Volto-me para a Bíblia e ouço o Espírito Santo: “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Com certeza, este é um versículo que tem de fazer-nos considerar nossos próprios caminhos e sondar nossos corações; tem de suscitar em nosso íntimo pensamentos solenes e levar-nos à oração.

Você pode menosprezar estas minhas palavras, dizendo que tem muitos sentimentos e pensamentos sobre estas coisas, mais do que muitos podem imaginar. Entretanto, eu lhe respondo: “Isto não é mais importante. As pobres almas no inferno fazem muito mais do que isto. O mais importante não é o que você sente e pensa, e sim o que você faz”.

Você pode argumentar: “Deus nunca tencionou que todos os cristãos fossem santos e que a santidade, conforme a descrevemos, é apenas para os grandes santos e para pessoas de dons incomuns”. Eu respondo: “Não posso encontrar este argumento nas Escrituras; e leio que ‘a si mesmo se purifica todo o que nele [em Cristo] tem esta esperança’” (1 Jo 3.3). “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Você pode argumentar que é impossível ser santo e, ao mesmo tempo, cumprir todos os nossos deveres nesta vida: “Isto não pode ser feito”. Eu respondo: “Você está enganado”. Isto pode ser feito. Tendo Cristo ao nosso lado, nada é impossível. Outros já fizeram isto. Davi, Obadias, Daniel e os servos da casa de Nero, todos estes são exemplos que comprovam isto.

Você pode argumentar: “Se nos tornássemos santos, seríamos diferentes das outras pessoas”. Eu res- pondo: “Sei muito bem disso. Mas é exatamente isso que você deve ser. Os verdadeiros servos de Cristo sempre foram diferentes do mundo que os cercava — uma nação santa, um povo peculiar. E você tem de ser assim, se deseja ser salvo!”

Você pode argumentar que a este custo poucos serão salvos. Eu respondo: “Eu sei disso. É exatamente sobre isso que nos fala o Sermão do Monte. O Senhor Jesus disse, há muitos séculos atrás: “Estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt 7.14). Poucos serão salvos, porque poucos se dedicarão ao trabalho de buscar a salvação. Os homens não renunciarão aos prazeres do pecado, nem aos seus próprios caminhos, por um momento sequer.

Você pode argumentar que estas são palavras severas demais; o caminho é muito estreito. Eu respondo: “Eu sei disso; o Sermão do Monte o disse”. O Senhor Jesus o afirmou há muitos séculos atrás. Ele sempre disse que os homens tinham de tomar a sua cruz diariamente e mostrarem-se dispostos a cortarem suas mãos e seus pés, se quisessem ser discípulos dEle. No cristianismo acontece o mesmo que ocorre em outros aspectos da vida: sem perdas, não há ganhos. Aquilo que não nos custa nada também não vale nada.