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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carlton Pearson e a negação do inferno

Vivemos num mudo de apostasia, onde o pecado e a iniqüidade têm tomado conta da mente dos homens, cauterizado suas consciências e facilitado o caminho para que estes fiquem cada vez mais conformados e distantes de Deus, sendo assim presas fáceis à ensinos enganosos, que fazem com que seu entendimento seja confundido pela mentira.

Esse cenário faz com que as pessoas cristãs do nosso tempo aceitem um “evangelho de conveniência”, onde as pessoas crêem e praticam somente o tipo de doutrina que mais atenda aos seus desejos carnais e que não os confrontem. Conseqüência direta disso é a velocidade em que se abrem novas igrejas nas grandes cidades e a rotatividade dos membros entre elas. Nesse novo modelo, a pessoa fica na igreja até que esta comece a pregam algo que elas não queiram concordar. A partir daí, elas buscam outra igreja que volte a massagear o ego delas.

Só que muito daquilo que agrada aos crentes mais carnais são mentiras que batem de frente com a verdade pregada na Bíblia. Um dos atuais expoentes dessas “mentiras que confortam” é um pastor californiano chamado Carlton Pearson.

Pearson era um pastor pentecostal dos anos 90 que enfatizava a prosperidade material em suas pregações, mas não deixava de lado os fundamentos da fé cristã, quais sejam, o de que todos nós nascemos pecadores e estamos condenados ao inferno até que aceitemos Jesus Cristo.

Até que um dia, como quase todos aqueles que criam heresias, Pearson teve uma “reveladora experiência pessoal”. Ele havia começado a estudar a Bíblia nos idiomas em que ela foi escrita e começou a vê-la não como a verdadeira Palavra de Deus, mas apenas como “um livro sobre Deus escrito por homens”.

A partir de então, passou a contestar a idéia da existência do inferno, como descrita na Bíblia. Segundo ele, não daria para amar um deus que estaria torturando a avó dele no inferno. Ele alega que em meio a suas dúvidas, ele teria ouvido uma voz que lhe disse que o inferno é aqui na terra. Voz na qual ele teria acreditado.

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” (1 Timóteo 4:1)

Depois disso, ele passou a mudar suas pregações, alegando desde então que a existência de um inferno para homens não passa de paganismo e de pura superstição.

Várias publicações evangélicas americanas passaram a condená-lo e sua igreja teve uma uma sensível diminuição no número de membros após a introdução dessa heresia. Diminuíram também os convites para conferências e eventos que ele antes recebia de outros pastores.

Mesmo em face disso, ele tem insistido nessa pregação e sua igreja tem voltado a crescer. Em uma de suas pregações, ele afirmou:

“Podemos passar por um inferno, mas ninguém vai para o inferno. Minha esperança é que as pessoas aprenderão a se amar, a se aceitar e a se celebrar. Isso é algo bem dramático, mas penso que salvará o planeta”. (Carlton Pearson)

Todavia, a negação do inferno não é tão simples assim. Se aceitamos a idéia de que o inferno não existe, isso trará uma decorrência: a de que não faz sentido os cristãos lutarem contra o pecado e pregarem o Evangelho da salvação aos pecadores. E o próprio Pearson tem também apoiado práticas que a Bíblia condena.

Recentemente, Pearson liderou centenas de pastores evangélicos americanos num comício para pressionar o Congresso americano a aprovar uma lei antipreconceito homossexual. Ele também é autor do livro “O Evangelho da Inclusão”, que tem alcançado grande aceitação entre os ativistas homossexuais. Nele, Pearson defende o universalismo. Segundo essa corrente de pensamento, a morte/ressurreição de Cristo já pagou o preço para que toda a humanidade tenha a vida eterna (sem necessidade de que alguém se arrependa de pecados e receba salvação), não é necessário que alguém creia em Jesus Cristo para que seja salvo e toda a humanidade irá para o céu, independente de sua religião.

Depois de abrir as portas de sua igreja para tantas heresias absurdas e assim perder o apoio de quase todas as lideranças evangélicas que estavam com ele, Pearson encontrou apoio na comunidade judaica e no movimento homossexual, os quais ele passou a defender.

Além desses dois grupos, Pearson ainda encontrou outro aliado ainda mais inusitado: o Vaticano. Isso porque a Comissão teológica internacional, principal órgão conselheiro sobre questões doutrinárias da Santa Sé, tem afirmado que os cristãos podem ter a certeza que o inferno estará vazio! Para o Vaticano, até mesmo os maiores pecadores poderão ser absolvidos e mandados ao paraíso. Antes mesmo de Pearson ter sua “revelação”, o papa João Paulo II já defendia que todo homem está “cristificado” pela encarnação e então todos são salvos. Na opinião do falecido papa, o inferno provavelmente estará vazio. Todos estão salvos.

No meio de tanta heresia, o que nós sabemos é que a Bíblia não deixa margem para nenhuma dúvida de que o inferno é real! Senão, vejamos algumas passagens bíblicas sobre o tema:

“Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.” (Lucas 12:5)

“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno,” (Marcos 9:47)

“Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mateus 23:33)

A existência do diabo e do inferno não só é uma verdade bíblica, como é um elemento primordial dentro do cristianismo. Se não houvesse nenhuma ameaça de condenação do homem ao inferno, não haveria sentido algum no sacrifício de Jesus Cristo (afinal, de que a Sua morte nos salvaria, senão da condenação eterna), que desceu à terra para que o homem pudesse ser salvo. Um dos versículos mais importantes da Bíblia fala justamente disso:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

A verdade é simples e fácil de ser entendida. Deus enviou seu Filho ao mundo para que Ele desse Sua Vida e para que todos aqueles que crerem n’Ele fossem livrados da condenação (Marcos 16:16), e alcançassem a vida eterna.

Todo crente precisa ter essa certeza: a de que sem o sacrifício de Jesus Cristo e sem a sua ressurreição, não teríamos acesso à salvação pela fé, como temos hoje. Isso é uma das bases de nossa crença. Através da sua morte, fomos comprados para Deus a preço de sangue (Apocalipse 5:9) e libertos de um inferno, que é real.

“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Efésios 2:5)

O problema da negação do inferno feita por Pearson está no fato de que essa negação carrega implícita a negação do poder redentor do sacrifício de Cristo! Igrejas e pastores que flertam com idéias como essas estão levando seus fiéis a serem enganados. Além de estarem também abrindo as portas para o Anticristo, que será aceito por pessoas como Pearson, que estejam dispostas a negociarem o evangelho, negando a eficácia do sacrifício de Cristo e da existência de um juízo de Deus sobre todo homem.

“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho.” (1 João 2:22)

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27)

“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” (2 Pedro 3:7)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Obama e Jesus Cristo

O respeitado jornal dinamarquês “Politiken”, em mais-que-infeliz comparação, afirmou recentemente que o presidente norte-americano, Barack Obama, é maior que Jesus Cristo.

O mesmo jornal ainda foi além na exaltação a Obama. Citou que o presidente americano “é provocativo ao insistir em estender a mão, onde outros só vêem animosidade”. Diz ainda que embora “seus resultados tangíveis em curto prazo sejam escassos”, suas palavras “permanecem na consciência de sua audiência e têm efeitos de longo prazo”. A publicação ainda o exalta pelo fato de o presidente poder se identificar com os fracos e vulneráveis, pois veio também de origem humilde e por isso pode defendê-los. Sobre a comparação Cristo-Obama, o editorial complementa afirmando que “seria natural chegar-se à idéia de uma comparação entre Jesus e Obama. Se fizesse tal comparação, é certeza que Obama levaria vantagem”.

Tais afirmações são tolas, blasfemadoras, mas não assustam aqueles que já estão acostumados a assistir a TV e ler os nossos jornais de forma crítica, pois os meios de comunicação de massa são intermitentes em suas tentativas de afetar a imagem do cristianismo e de ridicularizar seus seguidores. É característica dos homens do nosso tempo o desrespeito a Deus, pois a própria Bíblia dizia que os homens seriam assim (2 Timóteo 3:1).

Mas reportagens como essa trazem à tona uma questão: seria Barack Obama o anticristo, predito na Bíblia? Antes de responder essa pergunta, analisemos algumas características do presidente que o aproximam daquele rei que é citado na Bíblia.

O Anticristo, que não é identificado na Bíblia sob esse título, mas como “besta”, “homem do pecado” ou “filho da perdição”, é descrito em várias passagens da Bíblia, tanto no Novo como no Velho Testamento. As principais que falam a seu respeito estão em Daniel, 2 Tessalonicenses e Apocalipse:

“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” (2 Tessalonicenses 2:3-4)

“E este rei fará conforme a sua vontade, e levantar-se-á, e engrandecer-se-á sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas espantosas, e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito. E não terá respeito ao Deus de seus pais, nem terá respeito ao amor das mulheres, nem a deus algum, porque sobre tudo se engrandecerá. Mas em seu lugar honrará a um deus das forças; e a um deus a quem seus pais não conheceram honrará com ouro, e com prata, e com pedras preciosas, e com coisas agradáveis.” (Daniel 11:36-38)

“E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação. E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:1-8)

A partir dessas passagens transcritas, é possível entender algumas características pessoais que esse homem terá. E também possível ver que, em Barack Obama, algumas delas podem se encaixar perfeitamente.

Um delas é a de que o anticristo será um excelente conciliador, com uma bela retórica, capaz de agradar os seus ouvintes por completo, ainda que sustentem opiniões opostas entre si. Terá portanto um grande poder de convencimento, capaz de trazer o mundo todo para seu lado, já que a Bíblia diz que ele terá “poder sobre toda tribo, língua e nação”, algo que hoje é pouco imaginável num mundo como o nosso, de tantas diferenças e permeado dos mais diversos conflitos religiosos. Mas não podemos discordar que esse trabalho de conciliação será extremamente facilitado se aquele que o faz for um governante de um respeitado país e que possua reconhecimento internacional, características do presidente americano.

Além de falar muito bem e conseguir trabalhar com sucesso na convergência de opiniões, vemos que o anticristo terá grande carisma com as pessoas. Esse carisma será tão grande que fará com que todas as pessoas não-salvas da terra o adorem através de uma estátua (Apocalipse 13:8), assim como é praticado em muitas religiões do mundo, nas quais o culto aos deuses são feitos diante de esculturas que os representem. Algo que não é tão difícil de acontecer se esse homem tiver um discurso que seduza os grandes banqueiros e mega-empresários do mundo, pois são estes mesmos homens que detém as ações majoritárias na maioria das grandes empresas de comunicação do mundo, que têm um imenso poder de influenciar a opinião pública a ter costumes cada vez mais absurdos se comparados às gerações anteriores. Em nossos dias, o poder que os discursos de Barack Obama têm alcançado, a ponto de influenciar o comportamento das cotações nas bolsas de valores do mundo todo com suas palavras, é mais uma mostra de que ele pode também se enquadrar em mais essa característica.

A Bíblia diz também que ele não terá respeito às religiões (2 Tessalonicenses 2:4), se opondo a elas. Ao ler essa passagem citada, me lembro de um vídeo que assisti na internet (http://www.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88), em que o atual presidente americano, já no início do seu discurso, nega veementemente que título de “nação cristã” ainda se enquadre no país que ele governa. Adiante, no mesmo vídeo, o presidente ainda ridiculariza a Bíblia, ao citar, sem a menor contextualização e com uma ironia sarcástica, o sacrifício de Abraão e o sermão na montanha, criticando os textos e causando risos na platéia ao reduzir sua importância prática. Sua capacidade de convencimento através de seu discurso conciliatório das mais diversas religiões – evidentemente sem respeitar os princípios de nenhuma delas – é mais uma característica que aproxima o presidente da imagem bíblica do anticristo.

Um último ponto que cito aqui é que, assim como Obama, o anticristo muito provavelmente será alguém que ocupe um alto cargo político, de governo. Ao descrevê-lo, Daniel o chama de “rei” (Daniel 11:36). Na descrição de Apocalipse, é representado com chifres e diademas (Apocalipse 13:1), o que na Bíblia aponta para poder e autoridade. Logo, o anticristo certamente será um governante, que terá um nível de influência política que alcance países de todo o globo, o que o permitirá ser alçado à posição de líder mundial. E, como sabemos, não há posição política mais importante e de maior influência no mundo do que o cargo de presidente dos Estados Unidos, atualmente ocupado por Barack Obama.

Em face de tudo isso que foi analisado, é tempo de respondermos à pergunta inicial. E na resposta não há certeza. Não sabemos se Obama será o anticristo, mesmo porque a Bíblia faz apenas alusões a ele e suas características, não dando informações precisas de quem será ele ou de qual será sua origem. Mas o que podemos perceber é que poderia perfeitamente ser Obama, já que ele se aproxima, e muito, das poucas descrições bíblicas a respeito do anticristo. Eu pessoalmente não acredito que o atual presidente americano seja o homem a que a Bíblia se refere, mas entendo que aquele que o for, terá todas essas características citadas em comum com Obama.

È claro que não é nossa tarefa fazer especulações ou arriscar palpites sobre quem será o anticristo, pois o pouco que foi dito sobre ele na Bíblia foi para ser totalmente revelado apenas àqueles que estarão aqui em seu governo e terão a Bíblia como referencial, para que vejam que o governante de seu tempo se enquadra no que a Bíblia previu. Por isso, a descrição da Bíblia sobre o anticristo serve muito mais para “confirmar o presente” (no tempo em que esse homem já tiver sido revelado), do que para “prever o futuro”.

O que deve ser tirado de lição é que devemos estar atentos com as notícias e com o que se passa no mundo, para que não sejamos enganados. E também vigiarmos, pois vendo o que acontece aí fora e o que está escrito na Bíblia, temos cada vez mais concretas provas de que o dia da ira do nosso Deus está muito próximo.

“Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem.” (Lucas 21:36)

“Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17)

domingo, 27 de dezembro de 2009

“Deus, um delírio” e outras mentiras de Dawkins

No artigo anterior, falamos a respeito da crítica que o estudioso ateísta-darwinista Richard Dawkins (autor de “Deus, um delírio”) faz ao cristianismo em sua obra mais conhecida. Rebatemos seu discurso justamente na sua base – a Teoria da Evolução – a qual ele estudou muitos anos e escreveu várias obras a respeito, e da qual tirou a inspiração para seu fundamentalismo ateísta. Mostramos inclusive que essa mesma teoria já se encontra corroída até pela própria ciência moderna. Agora, nesse artigo, continuaremos a analisar outras críticas não menos infelizes que Dawkins fez em seu livro.

O autor pauta suas críticas quase que exclusivamente nas condutas humanas em nome de Deus, mas em momento algum consegue provar aquilo a que se propôs: a verdade da afirmação de que Deus não existe. É claro que houveram homens que perverteram a religião e usaram-na como ferramenta para promover a injustiça, baseada em motivos egoísticos. Mas nenhum ato humano pode invalidar a existência de Deus, mesmo porque os homens são falhos e plenamente passíveis de cometer erros.

Em outra crítica, o autor rebate a validade das experiências pessoais como prova da verdade da fé. Mas é preciso entender que a própria fé é um ato pessoal e a pessoa dificilmente terá experiências de fé, sem que antes ela mesma tenha escolhido crer, já que a fé é fundamentada em uma certeza de algo abstrato (Hebreus 11:1). E homens tão contaminados de egoísmo, injustiça e iniqüidade como os de nosso tempo, definitivamente não costumam estar dispostos a crer, amar e aceitar uma verdade que poderá implicar em renúncia de seus prazeres (2 Tessalonicenses 2:10).

O autor defende ainda que muitos seguem a Deus numa fé covarde (do tipo “vou seguir Ele ainda sem saber se ele existe, porque se eu não crer e se Ele existir, terei problemas na eternidade; já se eu crer e ele não existir nada acontecerá”). E segundo o autor, esses não podem ser salvos, porque não tem mais méritos do que os que não crêem porque não tem provas. Só que o autor erra ao afirmar que estes que assim o fazem serão salvos, mesmo porque Deus não recompensa os que negociam com Ele, sem ter uma fé sincera (Hebreus 11:6). Pelo contrário, Deus se relaciona somente com os que O seguem por amor, e desejo de negar a si mesmos, não por simples conveniência. A salvação só é obtida mediante a fé, e aquele que diz que crê mas ainda duvida da existência do que diz crer, está apenas enganando a si mesmo, pois não tem fé e sequer nasceu de novo, o que é um pré-requisito para a salvação.

O autor usa ainda uma outra fórmula mais do que batida: a crítica do ideal de justiça do Velho Testamento, considerado duro demais por um Deus que afirma amar os seus filhos e pesado demais se comparados com o nosso ideal de justiça. Mas, o autor ignora a existência da palavra “dispensação”, que é a maneira como Deus trata com o homem durante um determinado período de tempo. E no tempo do Velho Testamento, a aplicação da justiça de Deus não era mais dura do que a justiça dos homens daquela época. Em todos os tempos, Deus sempre usou de medidas de justiça compatíveis com a justiça aceitável pelos homens de cada época. Comparar a justiça do passado com a atual e querer que ambas sejam semelhantes, é ignorar a própria intertemporalidade dos conceitos de justiça, direito e moral.

Dawkins rebate ainda a religião sob a ótica científica, afirmando que a ciência não suporta existências imateriais. Para ele, é impossível provar a existência de algo que não pode ser empiricamente demonstrado, como é a fé. Mas a própria Bíblia afirma que a fé não é algo humano, que possa ser demonstrado cientificamente. Muito pelo contrário, é diferente de mera certeza natural e é algo que vem de Deus (Efésios 2:8), e que por isso é imaterial. Mas essa imaterialidade não a faz ser falsa ou deixar de existir. Faz sim com que o homem natural, sem discernimento espiritual, não a compreenda claramente.

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (1 Coríntios 2:14)

Além disso, jamais a ciência provará a existência de algo contra qual se propôs e se baseou desde suas origens, que é a existência de Deus. Reconhecer a existência de Deus implicaria em revogar grande parte da ciência e do conhecimento humano, o que seria inaceitável para os que vivem na dependência da ciência ou que gastaram vários anos de suas vidas em estudos científicos.

Dawkins também afirma que a religião surge como resposta a uma lacuna que há em nós que achamos que tem que ser preenchida por Deus. O autor compara essa lacuna à necessidade que uma criança tem de ter um “amigo imaginário”. O mais interessante é que o autor reconhece que há mesmo uma lacuna em nós e que a existência humana depende de algo imaterial. Apesar de reconhecer que as pessoas que crêem em Deus têm esse espaço preenchido, ele teima em afirmar que essa lacuna pode ser preenchida pela ciência. Só que faltou a ele explicar como a ciência resolve a questão de se saber pra onde se vai depois da morte. Pois ao contrário dos que crêem na completude da ciência, os que acreditam em Deus têm certeza do lugar que irão quando morrerem.

Nas últimas páginas, o próprio autor escreve que “o que vemos do mundo real não é o mundo real intocado, mas um modelo do mundo real, regulado e ajustado por dados sensoriais”. Assim, o que ele mesmo vê não passa de uma impressão da realidade, e que por isso ele poderá estar enganado. O autor se atenta só ao que vê, e desconhece algo muito maior, que não é visível aos olhos (2 Coríntios 4:18), mas que é perfeitamente demonstrável naquilo que é visível até mesmo por ele em seus estudos (Romanos 1:20).

Como eu já esperava antes mesmo de abrir o livro, a obra passa longe de qualquer sombra de imparcialidade ou de qualquer análise séria e fundamentada sobre valores religiosos. Dawkins desfere golpes na religião citando apenas exemplos doentios, de pessoas que perverteram a fé, mas sequer cita o que a prática religiosa faz de bom e o que traz de retorno para a sociedade. O autor se aperfeiçoa em citar números de pesquisas que lhe servem para combater a religião, mas em momento algum o cita nenhuma pesquisa sobre a quantidade de casas de recuperação de drogados mantidas por igrejas evangélicas, a quantidade de famílias no mundo que são mantidas por arrecadações sociais dentro das igrejas, tampouco o número de pessoas que deixam seus lares para pregar o evangelho e prestar apoio e lugares inóspitos do mundo.

Como não poderia deixar de fazer, o autor considera a religião como dispensável. Para ele, os “ateístas podem ser felizes, ponderados, morais, e intelectualmente realizados”. Com isso, é possível concordar. A própria Bíblia diz que esse seria o “estado de espírito” dos homens que negam a Deus e que as coisas aconteceriam assim no mundo em nosso tempo:

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios. Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. (1 Timóteo 4:2)

Qualquer um que ignore a existência de Deus e que viva de acordo com sua vontade, pode encontrar efêmeras alegrias no mundo e levar uma vida baseada em mentiras. Aleister Crowley, um dos maiores satanistas (ou filósofo ocultista, como é chamado pelos livros) que já passaram pela terra, dizia, em posição totalmente contrária à Bíblia (Romanos 13:8) que os homens poderia fazer o que quiserem, pois tudo seria permitido e seria toda a Lei. E é nessa errada concepção de moralidade que a nossa geração vive (Hebreus 3:10) - uma prova de que estamos na apostasia dos últimos dias.

O livro em si é fraco, de argumentos repetitivos e por isso, de leitura cansativa. Mas vende. Vende porque, como disse, o tema agrada todos aqueles que querem viver suas vidas sem religião, sem culpa. Todo homem que nega a Deus, que se agrada da mentira e que quer fugir da sua própria consciência, pode encontrar alento num livro como esse, e usá-lo como ferramenta para seguir enganando a si mesmo.

Todos nós podemos viver como quisermos, mas existem conseqüências eternas para tudo que fizermos aqui na Terra. Uma vida sem limites, regalada, prazerosa e longe de Deus pode parecer a melhor escolha, mas na sua essência, leva à perdição eterna. Queira você acreditar nisso ou não. Queira você ter fé ou aceitar o atrativo e comodista ateísmo de homens como Dawkins.

Darwin, Dawkins, Crowley e tantos outros homens que negaram a Deus e a obra de Sua Criação, um dia reconhecerão algo que é totalmente contrário ao que disseram em vida, e por isso, esse dia certamente será para eles de profundo arrependimento e lamentação. Mas para nós, que cremos em Deus e que vivemos segundo o Seu Propósito, esse será um dia de grande alegria. Dia pelo qual nós, que cremos, pacientemente aguardamos.

“Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus.” (Romanos 14:11)

domingo, 13 de dezembro de 2009

“Deus, um delírio” e as mentiras de Darwin

Dias atrás, um colega de faculdade, sabendo de minha orientação cristã, me ofereceu o livro “Deus, um delírio”, de Richard Dawkins, para que eu o lesse e “testasse” se minha fé resistia. Acabei aceitando a leitura, mas disse que ia rebater os argumentos do livro posteriormente.

Muitos cristãos evitariam uma leitura como essa ou pastores até a proibiriam. Mas eu acredito que em tudo que se vai fazer na vida, é preciso que sejamos inteligentes e saibamos analisar todos os argumentos, seja de onde eles vierem ou por mais contrários que eles sejam àquilo que nós cremos. Não é ser racional só no trabalho ou nos estudos, mas em pontos onde pouco se fala em pensar demais, como em nossos relacionamentos e até em nossa fé.

A própria Bíblia nos diz que nós devemos, em nossa fé, buscar ser racionais (1 Pedro 2:2), e que devemos examinar tudo, e de tudo tirar aquilo que for bom (1 Tessalonicenses 5:21). Quem não tem uma fé inteligente, dificilmente saberá defender o que acredita diante de circunstâncias adversas, praticar sua fé sabiamente, ou mesmo resistir de forma firme aos ataques do diabo em sua mente.

Há muitos cristãos que não têm conhecimento claro a respeito de sua fé. A meu ver, todos aqueles que se desviaram são parte desse grupo de pessoas, pois todo aquele que realmente nasce de novo, não só tem certeza de sua salvação, mas também tem certeza que está seguindo a verdade. E quem sabe que está seguindo a verdade não se desvia dela para seguir a mentira, a não ser que tenha dúvidas.

Uma fé inteligente passa pelo pleno conhecimento e convencimento próprio da verdade daquilo que está se seguindo. Quem não tem base para aquilo que acredita, não conhece o seu próprio Deus e é apenas parte da multidão.

Para esse grupo de cristãos que citei nos parágrafos anteriores, ler um livro como esse é sim um perigo. Mas não o será para os demais, e para estes eu recomendo a leitura crítica da obra.

Apresentando o tema, o autor faz uso de frases que se tornaram verdadeiros bordões para aqueles que criticam o cristianismo. Entre os citados, estão os de que “a religião só existe porque as pessoas precisam de consolo”, ou que “as pessoas se agarram à religião porque foram iludidas”, ou ainda, a de que “a fé religiosa não depende de justificativas racionais”.

O livro em si difunde uma visão profundamente darwinista. Darwin, autor de “A origem das espécies”, foi o mais notável defensor da Evolução, ou seja, para ele não existiu nenhuma obra de criação divina de seres vivos, como diz a Bíblia, mas sim, cada espécie e seus órgãos evoluíram de forma lenta e gradual ao longo de milhares de anos até chegar na forma que é hoje. Assim, fica claro o paradoxo entre a Bíblia e os darwinistas. Ou se acredita na Bíblia ou na teoria de Darwin.

Assim como o autor combate o fato de toda teoria religiosa partir do pressuposto que Deus existe, o pressuposto do qual ele mesmo baseia sua obra para combater a idéia da Criação é no ideal de que a teoria de Darwin está totalmente certa. Mas não está. Pesquisas mais atuais têm provado que a teoria de Darwin apresenta vários furos, e existem diversos seres cujo organismo simplesmente não pode ter sido formada a partir de evoluções lentas.

Nessa linha de argumentação, há um interessante documentário disponível no YouTube, intitulado “Criaturas incríveis: Criação ou Evolução?” O autor do documentário era um darwinista que, ao analisar a teoria com maior atenção, percebeu que haviam muitas "suposições" (exemplo: de que as rochas são muito antigas) que eram consideradas como verdade absoluta sem que fosse provado sê-lo. Mas algumas dessas suposições jamais poderiam ocorrer aleatoriamente, o que levou o autor a perceber que a teoria de Darwin poderia estar errada, pois partia de premissas falsas.

Prosseguindo em seus estudos, o estudioso encontrou criaturas específicas cuja própria sobrevivência depende de duas ou mais capacidades únicas que precisam combinar-se simultaneamente, não podendo evoluir uma antes da outra, pois isso implicaria na própria morte da criatura.

Ao longo do filme, o autor vai citando e explicando vários exemplos de animais que reuniam em si duas ou três dessas capacidades impossíveis de terem evoluído juntas. Dentre elas estão o complexo e exclusivo sistema circulatório da girafa, o mecanismo de defesa do besouro bombardeador, o modo de vida e reprodução do pássaro incubador australiano, a estrutura da cabeça do pica-pau e da língua do pica-pau verde europeu, as estruturas das patas da lagartixa, que são apenas mostras de características impossíveis de terem surgido ao acaso.

Em seu livro, Dawkins chega até a citar o besouro bombardeador, afirmando que sua existência não prova a teoria da criação. Mas a existência do besouro e de outros tantos animais impossíveis de terem “evoluído”, dá um tiro mortal em qualquer teoria evolucionária. Se tais animais têm características que não podem ter surgido lentamente, não resta a menor dúvida de que eles foram objeto de uma criação, ou seja, foram projetados e criados por uma inteligência superior. Diante de provas tão materiais, nenhum cientista que se preza pode negar que esses animais (e, portanto, os demais) foram criados, e não “evoluídos”. O próprio Darwin, que certamente desconhecia esses animais, já reconhecia que se eles existissem, sua teoria estava furada. Veja o que ele mesmo disse:

“Se fosse demonstrado que qualquer órgão complexo existisse e que ele não pudesse ter sido formado por numerosas, sucessivas e pequenas modificações, minha teoria absolutamente ruiria”. (Charles Darwin)

Já mostramos que existem vários “órgãos complexos” que derrubam de vez a teoria de Darwin ou qualquer arremedo de estudo que se baseia na idéia de que os animais surgiram de evoluções graduais. Por isso, nenhum cientista conseguiu provar até hoje, e nem conseguirá provar, que o mundo não foi obra de uma criação por uma inteligência superior. Pelo contrário, repito que essas criaturas incríveis, provam seguramente que foram fruto de uma obra de uma mente criadora e inteligente demais.

Mas ai você pode se perguntar: se isso é tão claro e lógico, por que os cientistas não vêm a público e reconhecem isso? Por que eles não aceitam o Criacionismo e encerram a discussão? A Bíblia responde:

“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos." (Romanos 1:18-22).

Os homens teimam em fazer exatamente o que está descrito nos versículos acima: eles sabem e entendem claramente a verdade da criação, mas recusam-se a glorificar a Deus reconhecendo a sua Criação, preferindo transformar essa mesma verdade em injustiça, enganando os demais (2 Timóteo 3:13).

Por serem injustos, os cientistas simplesmente suprimem a prova, ocultam uma verdade que implicaria na negação de teorias às quais eles dedicaram longos anos de seus estudos. Ao se depararem com essas criaturas, que provam o Criacionismo, eles se perguntam: “será que isso evoluiu mesmo ao longo do tempo de forma lenta e gradativa, ou será que isso surgiu de uma vez do jeito que é hoje?”. Quando descobrem que não há como descrever tais criaturas por meio da evolução, aí resta somente uma opção: a de aceitar que talvez haja mesmo um projetista, um criador. Então decidem: eu não quero ir por aí. Aí então, escondem as provas. Os livros simplesmente ignoram esses pontos que a teoria de Darwin não explica, mesmo porque se explicasse, não haveria motivos para que o livro fosse sequer escrito.

Em seu livro, Dawkins reconhece ainda que “a natureza é uma estrutura magnífica que só compreendemos de modo muito imperfeito”. De fato, fugindo da ótica bíblica, a compreensão que Ele mesmo tem também sobre o mundo e a existência de Deus está eivada de imperfeição.

Ver todos esses furos da evolução é enxergar a beleza da criação de Deus. Um Deus que de tão onisciente, sabendo que no futuro o homem duvidaria que o mundo foi obra de Suas Mãos, colocou tais criaturas na Terra para garantir que os homens soubessem o quão absolutamente impossível é para este mundo e todos os seus habitantes terem surgido pelo acaso evolucionário.

Dois grandes cientistas, Louis Pasteur e Einstein, são autores de frases que se tornaram conhecidas e que merecem ser citadas:

“Um pouco de ciência nos aproxima de Deus. Muito nos afasta.”

“Sem a religião, a ciência é capenga; sem a ciência, a religião é cega.”

Com as duas frases podemos concordar. Um estudo científico pobre, parcial mesquinho e limitado sempre tentará negar a existência de Deus, mas essa negação não subsistirá se a análise for baseada na verdadeira busca imparcial da verdade. Também a ciência jamais conseguirá explicar de forma autônoma, e independente e diferente, aquilo que a Bíblia já explicou. Assim também uma fé em Deus deixará de ser cega na medida em que buscar a prova de sua validade também nas coisas naturais, nas obras da Criação de Deus, que Ele mesmo deixou para evidenciar a Sua Glória aos homens.

Podemos estar certos de que todo conhecimento científico que tente combater a existência de Deus ou a maravilhosa obra de Sua Criação, não terá como fugir de dois destinos: ou chegará a um ponto onde não poderá avançar, de forma lógica, e provar o objetivo da pesquisa, ou simplesmente chegará a certezas baseadas em falsas suposições, como fazem até hoje os que insistem acreditar em Darwin.

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo.” (2 Coríntios 10:4-5)

No próximo artigo, falaremos um pouco mais da obra “Deus, um delírio” e as suas falsas acusações ao Cristianismo.

domingo, 21 de junho de 2009

A "incompreendível" justiça de Deus

Navegando alguns minutos no conhecido portal de vídeos YouTube, podemos encontrar uma infinidade de vídeos que de alguma forma criticam severamente a legitimidade da justiça de Deus. Existem inclusive usuários nesse site que mantêm canais (páginas com vídeos de um mesmo usuário) com o único propósito de combater a existência de Jesus Cristo e as verdades da Bíblia.

Outros ainda se excedem. Blasfemam, falam que Deus é um assassino, que Ele não existe e ainda se existisse, Ele não seria a personificação do amor, mas um Ser totalmente tomado pelo de ódio à raça humana. Com certo escarnecimento, alguns chegam também a dizer que o nível de maldade do diabo descrito na Bíblia é irrisório, se comparado à de Deus.

Os argumentos de alguns parecem até serem sólidos. Mas todo falso argumento não subsiste diante de um debate. Por isso, ao contrário destes, que adoram usar frases de efeito e versículos soltos e descontextualizados da Bíblia, apresentarei aqui de forma contextualizada algumas das acusações levantadas por estes contra a justiça de Deus, para que entendamos se o Deus que acreditamos é realmente como muitos que não O conhecem pretendem que seja.

Uma das críticas feitas é a respeito do tipo de justiça que Deus aplicou no caso de Jó. Dizem que Deus foi injusto ao penalizar um homem que sempre foi fiel a Ele com a perda de todos os seus bens e, principalmente, com a perda de todos os seus filhos. Ressaltam que Jó, além de ser um servo fiel, era também sobremodo submisso, já que agradeceu a Deus mesmo após Ele ter feito-o sofrer sem motivo prévio.

Muitos que não conhecem a Bíblia poderiam ficar aturdidos ao verem um vídeo desses. Teria sido Deus mesmo injusto? Afinal, Deus devolveu os bens de Jó em porção multiplicada, mas e os filhos? Esses não voltam à vida. Poderia Deus ceifar a vida de todos eles e ainda assim estar agindo de forma justa? Aos olhos naturais parece que não, mas leia antes o que Paulo diz a respeito da morte:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Filipenses 1:21)

Paulo, como cristão, sabia que a morte não era um castigo, mas lucro. Ele entendia uma idéia que até mesmo os cristãos de hoje resistem: a de que a morte é melhor que a própria vida, pois nos transfere de um mundo de sofrimentos para outro de glória e vida eterna. E a Bíblia nos assegura que não prova da morte aqueles que guardam a palavra de Deus (João 8:52). Seguramente, eu como servo de Deus, se estivesse no lugar de Jó e perdesse todos os meus filhos, mas tivesse a certeza que todos eles foram salvos, eu poderia até ficar triste com a solidão e a falta que sentiria de meus filhos pela morte deles por alguns dias. Mas ficaria feliz e satisfeito com a certeza de encontrar toda a minha descendência na glória eterna com Deus. Assim, quem entende a morte na perspectiva cristã, sabe que ele está longe de ser um mal para os que estão em Cristo.

Outra critica que se faz é a respeito da diferença da justiça de Deus no Velho Testamento e a nossa justiça, humana. Dizem que Deus fez com que muitos fossem mortos ou submetidos a duras penas, que hoje não são compatíveis com os nossos “direitos humanos”.

Mais uma vez, os argumentos parecem ser consistentes. Mas existe algo que muitos não conhecem: o direito intertemporal, ou seja, a diferença da noção de justiça, que varia ao longo do tempo. Assim, o que é uma pena justa hoje, pode não ser assim considerada há milhares de anos atrás, simplesmente porque a forma de pensar e a cultura dos homens variam de acordo com o tempo e o local. Se muitos países não aceitam a pena de morte hoje, o homem de 4.000 anos atrás a via como uma pena comum a um homicida. Um caso real e que serve de exemplo é o Código de Hamurábi. Esse Código, aceito e respeitado por volta de 1.700 a.C., previa penas duras aos que cometessem crimes duros, diretamente proporcionais aos crimes cometidos. Assim, quem causava a morte de alguém, deveria ser morto e assim por diante inclusive para crimes menores.

Esse tipo de lei que os homens daquele tempo aceitavam como padrão de justiça, não era muito diferente da noção de justiça descrita nas páginas do Velho Testamento. E cabe lembrar que a aplicação de ambas as leis chegaram a coexistir em épocas semelhantes.

A justiça de Deus ainda “evoluiria” antes da humana. Em tempos onde o Império Romano ainda se utilizava da pena de morte, Jesus Cristo já recomendava o abandono das leis vingativas, de retribuição de pena ao agressor igual ao dano infringido por ele (Mateus 5:38-42). Assim, não subsiste o argumento de que Deus é injusto, pois a sua justiça não é aplicada de forma arbitrária por Ele, mas sim de forma proporcional inclusive se comparada à justiça do homem em seu tempo. Deus não agiu nos tempos da lei com seu povo com a mesma graça com que opera hoje. Nem o faria da via contrária, não seria benevolente demais com homens de justiça mais dura, pois estes também não o veriam como justo.

Há também os que criticam as punições de Deus no sentido de que elas são aplicadas sem o que Seu povo o conheça como ele realmente é, de forma física. Ora, aqui não se requer muita análise. Até porque um dos pilares do cristianismo é a fé, e não a crença na manifestação visível e palpável de Deus (2 Coríntios 5:7). Perceba que se Deus se mostrasse de forma visível a todos os homens, não havia nenhum que não O seguiria. Os mesmos que hoje não acreditam n’Ele, se O vissem, seguiriam-no, ainda que por puro interesse ou por medo de desobedecer um Deus que têm a plena certeza de que existe. Assim, de nada valeria a fé em Deus se Ele fosse visível a todos. Nem mesmo seriam identificáveis entre os demais os que servem a Deus por amor e não por medo ou falta de opção.

Mais comum é a contestação de que Deus não é amor pois, se o fosse, não permitiria tantas tragédias que acontecem inclusive com pobres e cristãos. Os que pensam assim, parecem se fazerem cegos à verdade. Erram ao atribuir uma culpa a Deus pelas tragédias que acontecem no mundo, como se não fossem unicamente os homens os responsáveis pelas mortes em guerras e pelas desigualdades sociais, fruto do desejo de incessante acumulação e da avareza. Como culpar a Deus pela fome na África se o desperdício de alimentos pelas empresas alimentícias é absurdo e se o que se gasta apenas em pesquisa espacial é suficiente para alimentar a todos no mundo? Até mesmo a maioria dos desastres naturais ocorre por conseqüência de atos do homem e da forma egoísta e abusiva com que faz uso dos recursos naturais. E Deus não é cego, tampouco injusto ou conveniente com o erro, para que não permita que venham à tona as conseqüências dos atos maléficos exclusivamente humanos. O ser humano só colhe o que planta. O problema é que o ser humano, no auge de seu egoísmo, acha que o sofrimento é só para o outro, e que se o seu vizinho ou um homem de outro país está sofrendo ou não, pouco importa. Dia a dia o homem colhe os frutos de sua avareza, soberba, ingratidão e blasfêmias (2 Timóteo 3:2). E vai continuar colhendo, mesmo que tente enganar a si mesmo ao pensar que a culpa disso tudo é de Deus.

Dentre tantas contestações, uma última merece ser citada: a de que Deus é injusto ao condenar ao lago de fogo aqueles que não são seus servos, tendo em vista que Ele sequer se mostra de forma real a eles. Poderia Deus exercer um julgamento tão duro? Mesmo como cristão convicto, confesso que eu não teria argumentos suficientes para defender uma justiça que, segundo muitos dizem, condena de forma tão dura até mesmo aqueles que nunca nem ouviram falar de Jesus Cristo. Lançar um índio, por exemplo, no lago de fogo, sendo que ninguém nunca pregou o evangelho de Cristo a Ele, seria de fato um ato injusto. Mas o problema é que aqueles que dizem isso se equivocam. Veja o que acontecerá no julgamento que todos haverão de comparecer:

“E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:12-15)

Repare que o julgamento que terá como sentença o lago de fogo não analisará se a pessoa serviu a Deus em sua vida ou se ela nem o conheceu, mas sim as obras de cada um, se foram predominantemente boas ou más. Mesmo os que nunca professaram Jesus Cristo terão uma segunda chance até esse julgamento (tema que será tratado em outro texto), uma prova que a justiça de Deus é ampla e não operam em benefício apenas de seus servos. Mas existem homens que, pelas suas obras em vida, deram provas suficientes de que, além de não poderem, até não se sentiriam bem na Nova Jerusalém. Seria como imaginar Hitler, Nero e tantos outros que praticaram atos horrendos contra cristãos habitando em meio aos santos e reinando com Cristo. Isso sim soaria como injusto. Pelo contrário, Deus ainda reserva um duro fim àqueles que derramaram sangue de seus justos (Apocalipse 19:2).

Diversos outros argumentos que são utilizados por aí para afrontar a Deus poderiam ser de pronto batidos em dois ou três parágrafos. Mais ainda que todas essas falácias fossem rebatidas e que toda a apologética prevalecesse no debate, ainda assim haveriam sempre aqueles que insistiriam em não acreditar nessas verdades. Por que? A Bíblia responde:

“E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.” (2 Tessalonicenses 2:10)

“Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Timóteo 4:2)

Num mundo onde opera tanta injustiça e mentira, nunca aqueles que praticam tais atos compreenderão a justiça do nosso Deus. Jamais poderão estes homens compreender a justiça e a sabedoria de Deus, pois estarão sempre atolados em mentiras e em suas próprias concupiscências, com suas consciências cauterizadas e assim incapazes de aceitar a verdade e um tipo de justiça baseada num valor que há muitos eles já abandonaram: o amor. A estes, e não a nós, a justiça de Deus sempre será incompreendível.

Deus é um deus de amor, não de ódio. Se ele exercerá algum tipo de vingança, não será por ter deixado de amar o homem ou por ter escolhido uns e preterido outros, mas sim, por amar aqueles que o serviram de forma incondicional até o fim de suas vidas e que não retrocederam mesmo diante do martírio. Por estes, Deus exercerá o Seu juízo, contra os injustos que derramaram sangue inocente dos justos filhos de Deus, como Ele mesmo prometeu que faria (Apocalipse 6:10).

Uma pena que nem todos aqueles que tanto confrontam o evangelho de Cristo não terão a mesma sorte de Paulo, que foi “sacudido” pelo próprio Jesus Cristo em tempo hábil para se arrepender de suas práticas, ajudar a salvar a vida de muitos e também livrar a sua própria alma da condenação eterna (Atos dos Apóstolos 9:5).

“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3:13-15)