domingo, 1 de março de 2009

Fé, amor e renúncia

O amor se prova pela renúncia. Quando amamos de verdade uma pessoa, renunciamos muitos momentos com outras pessoas para ficar ao lado da pessoa amada. O amor faz com que deixemos de lado muitas coisas que para os outros parecem ser importantes demais, mas para nós não é.

Como uma decorrência disso, o amor envolve prioridades. Como seres humanos não-imparciais, por mais que tentemos negar, não podemos amar de forma igual duas ou mais pessoas ou coisas. Há momentos em que nós temos que fazer escolhas difíceis. E é exatamente nesse momento que demonstramos aquilo que amamos mais. Assim acontece na vida e a própria Bíblia cita um exemplo bastante conhecido:

“Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe. E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me. Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico. E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Lucas 18:20-25)

O exemplo do jovem rico vale muito para os nossos dias. Como ele, não faltam pessoas na igreja de hoje capazes de cumprir todos os requisitos de um religioso fiel. Nas igrejas, há pessoas e mais pessoas dispostas a falar que é cristão, a pular, cantar, gritar, falar em línguas, profetizar, pregar, chorar. Mas há poucas, muito poucas pessoas dispostas a renunciar aquilo que amam na terra para servir a Deus. Não hesitamos em estudar um pouco mais, arrumar um emprego a mais, assumir um compromisso a mais, ainda que isso diminua o nosso tempo com Deus. E ainda somos capazes de dizer que amamos a Deus acima de todas as coisas. Contradizemos a nós mesmos ao dizermos que amamos a Deus e não provamos isso ao não renunciar praticamente nada!

Existe algo que todos nós precisamos entender: Deus é auto-suficiente, e é o único que não depende de nada nem de ninguém para continuar existindo, seja de nós, dos anjos ou de qualquer ente por Ele criado. Absolutamente nada. Dele é tudo aquilo que existe de precioso ou de importante que a você possa “pertencer” (Ageu 2:8). Os homens, bons ou maus, só estão vivos porque ele permite isso. Por mais que você tenha casas, carros ou diversas posses, coisas simples como uma pequena célula cancerosa que se multiplique, um pequeno vírus que se alastre no seu corpo, ou até mesmo um passo errado que leve você a tropeçar numa escada, pode levar você a “perder” tudo aquilo que você acha que é seu. Por isso, não há nada que pertença a você, que você possa dar a Deus, simplesmente porque nada do que está conosco pertence a nós, por mais rico que você possa parecer aos homens. O salmista ainda faz essa mesma pergunta (“Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?”). Uma pergunta que todos nós também deveríamos fazer. E é por isso, por não sermos donos absolutos de nada que está em nossas mãos e pela impossibilidade de dar algo a Deus, é que a única coisa que podemos fazer a Deus, como prova de nosso amor por Ele, é renunciar aquilo que Ele mesmo tem nos dado. Podemos renunciar as primícias da renda que Ele nos dá, ou parte do tempo dos dias que ele nos acrescenta para passarmos na Sua presença, ou ainda renunciarmos a nós mesmos, aos nossos prazeres e vontades e submetermos à vontade d’Ele. A quantidade de vezes que fazemos renúncias desse tipo é então proporcional ao amor que temos ou que estamos dispostos a oferecer a Ele. Se não fazemos nada semelhante isso, a dura verdade é que não amamos a Deus, pois não demonstramos isso, ou que o nosso amor a Ele não passa de discurso.

Convido você nesse momento a fazer uma análise sincera nas suas atitudes no último ano. Quais foram as decisões importantes que você tomou no ano passado? Em quantas delas você se decidiu, não pela conveniência, mais por aquela opção que te aproximava mais a Deus, que te dava mais tempo com Ele, e não contrário? Pergunto mais: será que em todos os meses do ano você foi fiel a Cristo com suas finanças, conforme o que está escrito na Bíblia? Em quantas dessas decisões você consultou a Deus antes de tomá-las? A resposta a essas perguntas pode nos dar a noção aproximada da prioridade que damos a Deus em nossas vidas.

O amor de Deus por nós também é exigente. Assim como Deus provou o seu amor aos homens da forma mais intensa que poderia fazer, oferecendo a vida de Seu próprio Filho (João 3:16), Ele também requer que nós façamos algumas renúncias. Requer que renunciemos àquilo que o mundo oferece (Tito 2:12), à nossa tranqüilidade (2 Timóteo 3:12) e até mesmo às nossas próprias vidas (Mateus 16:24).

Sobre o amor a Deus, cabe aqui mais uma observação: o amor a Deus está intimamente ligado à fé que temos n’Ele. Veja:

“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.” (Gálatas 5:6)

Fé e amor andam juntos. Não há fé sem amor, seja ao próximo ou a Deus. Um dos motivos que nos leva à falta de renúncia é a nossa falta de fé. Por mais que possa parecer estranho, mas uma parcela significativa das pessoas que estão nas igrejas não têm certeza absoluta da existência de Deus, de que Jesus Cristo morreu na cruz e da eficácia desse sacrifício. Estes estão ali talvez porque amigos ou familiares estão ali também, por medo de ir para o inferno, por se sentirem bem ali ou talvez esperando que Deus se revele isso a ele para que se convença da Sua Existência. Prova disso, é a grande quantidade de pessoas que vão à igreja, mas não tem interesse nenhum em se envolver no trabalho ou assumir encargos na obra de Deus. Pela fé destes ser infrutífera, não firmadas na verdade da palavra de Deus, muitos desses sucumbem, dia após dia, e saem por aí falando coisas absurdas sobre a igreja de Deus. Por não entenderem a verdade de Deus sobre a renúncia às primícias do fruto de seu trabalho, falam que os líderes são ladrões e só querem roubar o dinheiro dos fiéis. Assim, estes que outrora se disseram cristãos, acabam por engrossar as fileiras daqueles que se tornaram inimigos do evangelho de Deus.

Há ainda um outro grupo de pessoas na igreja. É o grupo daqueles que estão plenamente convencidos de que Deus existe e que Jesus Cristo morreu na cruz por nossos pecados. Mas param por aí. Não tomam atitudes que demonstrem que a sua fé é real e que é capaz de fazer diferença na sua vida e na vida dos outros, fazendo com que a sua fé não tenha a menor eficácia (Tiago 2:17). Nisto reside um outro problema: o da fé que não gera frutos, pois não está acompanhada do amor, que é um elemento que deve estar presente em tudo aquilo que fazemos a Deus e ao próximo, pois é a demonstração da inspiração de Deus em nossas atitudes, já que Ele mesmo é, em sua essência, o amor (1 João 4:12).

Em face disso, permita-me uma última pergunta: Você estaria pronto para dias em que o seu amor e a sua fé sejam provados? Pode estar muito perto o tempo de você tenha que renunciar a sua própria vida por amor a Jesus Cristo. E aí, você daria sua cabeça a prêmio, ou agiria como o jovem rico, que não quis optar por aquilo que para ele certamente pareceu como trocar o “certo pelo duvidoso”? Pense nas escolhas que você hoje tem feito e se você realmente tem uma fé e um amor tão amadurecido a ponto de renunciar a tudo e a todos pelo amor a Deus e ao Seu Evangelho, pois esse dia da renúncia pode chegar mais cedo do que você pode estar pensando. Quem hoje renuncia pouco, certamente não estará pronto para renunciar tudo no futuro. No próximo artigo, falaremos um pouco mais sobre isso.

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” (Hebreus 12:1-2)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Jerusalém, o "relógio" do fim dos tempos

É indiscutível a importância de Jerusalém dentro do contexto bíblico. Algumas passagens da Bíblia evidenciam isso, ao citar Jerusalém como a Cidade do Grande Rei (Mateus 5:35) e ao recomendar para que se ore pela paz naquela cidade (Salmos 122:6). Além disso, a própria cidade santa preparada por Deus para o seu povo, leva também o nome de Jerusalém (Apocalipse 21:2).

Cumprindo a profecia bíblica (Zacarias 9:9), Jesus Cristo entrou em Jerusalém no lombo de um jumentinho. Mesmo isso estando expressamente escrito nas Escrituras Antigas, os judeus não o reconheceram como Rei e Messias. Por isso, a vinda de Jesus Cristo em carne e osso serviu muito mais como meio de salvação para os gentios do que para o Seu povo (Atos dos Apóstolos 28:28 e Lucas 19:10).

A Bíblia relata que após ter visitado o Templo de Jerusalém, Jesus Cristo previu sua destruição:

E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (Mateus 24:1-3)

Menos de meio século após Jesus Cristo ter proferido estas palavras, no ano 70 d.C., a cidade de Jerusalém (e o seu Templo) foi tomada pelo Império Romano e destruída quase que por completo. A partir de então os judeus perderam o domínio sobre o território que para eles era sagrado, se espalhando ao redor do mundo. Situação que se arrastaria por quase 1.900 anos.

Em 1948 e em 1967 aconteceram dois fatos que mudaram um pouco o curso da história. No primeiro, Israel voltou a existir como nação independente na região da antiga Judéia, onde os judeus habitavam no tempo que Cristo veio á terra. No segundo, a cidade de Jerusalém voltou ao domínio do povo de Israel. Contudo, nenhum desses dois processos aconteceu como fruto de acordos de paz. Muito pelo contrário. Desde então, o território de Israel passou a ser palco de conflitos constantes entre invasores (judeus) e expropriados (palestinos).

Acreditam os judeus que o Seu Messias – descendente do rei Davi (1 Reis 9:5) – se apresentará para eles em Jerusalém, trazendo a paz predita pelo próprio Davi (1 Crônicas 23:25). Por isso, a partir do século passado se desenvolveu o entres os judeus uma “certeza”: a de que quanto mais cedo eles se estabelecerem na Cidade Sagrada, mais rápido virá o Messias, enviado de Deus para a paz que eles acreditam agora estar próxima.

Aí você deve estar se perguntando: O que eu como cristão tenho a ver com isso? Se é um confronto entre judeus e muçulmanos, logo nós cristãos não temos nenhuma relação com essa briga, pois não estamos interessados em habitar em Jerusalém, mas sim na Nova Jerusalém. A lógica parece ser essa, mas não é por aí.

Repare nos 3 primeiros versículos de Mateus 24, acima transcritos. Os apóstolos, admirados com a beleza das estruturas do Templo de Jerusalém, mostravam-o a Jesus, esperando que Ele também se admirasse daquilo que o povo judeu havia construído séculos antes para oferecer sacrifícios à Deus. Mas se decepcionaram ao ouvir de Cristo que tudo aquilo seria simplesmente derrubado! Eles então entenderam que Jesus não estava falando de uma reforma ou da simples derrubada de um templo antigo para se construir um novo. Fica claro pelo versículo 3 que eles entenderam que Jesus Cristo se referia ao tempo da sua 2ª Vinda e do fim do mundo como nós o conhecemos. O tema fica ainda mais claro também para nós ao analisarmos o livro de Ezequiel:

Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém. E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todo o povo da terra.” (Zacarias 12:2-3)

Eu acredito que no momento em que Jesus Cristo disse que ali em Jerusalém não restaria pedra sobre pedra, alguns apóstolos devem ter se lembrado dessa passagem de Ezequiel. Analisando essa passagem e o questionamento dos apóstolos no Monte das Oliveira, depreende-se que a Bíblia não está se referindo exclusivamente à destruição do ano 70 d.C., empreendida pelo Império Romano, mas de um confronto muito maior, que envolveria todos os povos da terra!

Portanto, há de se fazer aqui duas conclusões: a primeira, de Mateus, é a de que o templo de Jerusalém será destruído e a segunda, de Ezequiel, de que haverá uma Guerra Mundial, de proporções jamais vistas, no fim dos tempos.

Aí você deve estar questionando? O templo de Jerusalém não foi destruído há mais de 1.900 anos? È verdade, foi sim. Mas muitos estudiosos das profecias bíblicas, ao meu ver com razão, acreditam que, como eu disse antes, Jesus Cristo não estava falando da destruição operada pelos romanos, mas da destruição do templo reconstruído nos últimos dias. E isso não é uma hipótese, mas algo evidenciado na Bíblia:

“O qual [conf. versículo anterior, o “homem do pecado” ou “filho da perdição”] se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” (2 Tessalonicenses 2:4)

Ou seja, o Anticristo ordenará que o Templo seja reconstruído! Não para que sejam oferecidos sacrifícios a Deus como de costume dos antigos (Êxodo 29:42), mas para que o Anticristo substitua o sacrifício contínuo pela abominação, chamando a adoração de todos os povos a si (Daniel 11:31).

Outro dia soube que em Israel, existem hoje técnicas tão avançadas de construção civil que os judeus garantem ser possível reconstruir o grandioso templo de Salomão novamente em apenas um mês, bastando que haja desejo para tanto, pois preparados eles já estão.

Mas como eu disse anteriormente, a construção desse templo não pode ser iniciada de imediato, pois o território de Jerusalém ainda é motivo de confrontos político-religiosos. No Monte do Templo, local onde os judeus acreditam que o Templo de Salomão foi construído, está edificado hoje o Domo da Rocha e a Mesquita de Al-Aqsa, que são construções sagradas dos muçulmanos. Nisso mora o problema. Não haverá reconstrução de templo algum sem a destruição dessas estruturas muçulmanas ou sem acordos de paz que permitam isso.

A paz, como você deve estar acompanhando nos telejornais, é impossível porque o território é sagrado para ambos os lados e todos nós sabemos que os muçulmanos não têm amor algum a suas próprias vidas quando o assunto é defender aquilo que eles consideram como sagrado. Por isso é que a guerra é inevitável para o templo seja novamente reconstruído!

Agora ficou fácil entender porque Jerusalém é, como acertadamente previu Ezequiel, “copo de tremor” e “pedra de tropeço” para os povos da terra! O mais interessante é que Ezequiel afirma que todas as nações da terra se ajuntarão contra Jerusalém. E no cenário internacional atual, isso não está muito longe de acontecer. Á exceção dos Estados Unidos, nenhum dos demais países da comunidade internacional vêem com bons olhos as ações militares empreendidas pelos judeus na região de Israel nas últimas décadas. O lado palestino parece ser nitidamente “o mais fraco”, já que eles é que estão dia após dia sofrendo esbulho de um território que pertenceu a eles nos últimos séculos. Por isso, quando os embates se intensificarem a um ponto de se tornar um estado de guerra constante (e acredite, não estamos longe disso), a tendência é que os Estados Unidos se alinhe à Israel e todos os demais países se coloquem do lado palestino, dando origem a uma 3ª Guerra Mundial. Uma guerra de proporção jamais vista, que certamente matará bem mais do que os 45 milhões da 2ª Guerra Mundial!

E é exatamente esse cenário de guerra que fará com que surja o Messias que os judeus esperam, ou o Anticristo. Esse homem trará uma paz temporária, efêmera (1 Tessalonicenses 5:3), mas que enganará quase toda a Terra. Fará com que o mundo se “conscientize” de que as religiões só trazem a Guerra, de que todas elas são falsas, apenas mitos, sustentados em ilusões, criadas como estratégias de dominação e que só geram fanatismo, guerras e mortes. Substituirá então todas as religiões pelo culto filosófico e “racional” do homem ao próprio homem como deus, e facilmente convencerá os homens disso, pois estes estarão aterrorizados com as conseqüências brutais que a diversidade e intolerância religiosa trouxe (Lucas 21:26). Assim, não haverão então muitas dificuldades para o Anticristo enganar o mundo (2 Tessalonicenses 2:11) e fazer com que os povos o cultuem em lugar de Jesus Cristo!

Agora, se todo esse processo de acontecimentos é inevitável, cabe a nós cristãos vigiarmos (1 Pedro 4:7). A recomendação que sempre deixo é a de que continuemos servindo a Deus cada dia mais e melhor, procurando não nos desviar dos caminhos da justiça divina (Apocalipse 22:11). Mas recomendo também atenção aos fatos e notícias do que tem acontecido no mundo, pois é nele que se cumprem as profecias escritas na Bíblia. Profecias essas que nos dão a exata noção da proximidade do fim dos tempos, do momento em que seremos justificados e da hora em que este mundo experimentará da justiça do Deus Verdadeiro e que os homens negaram. Comparando as Sagradas Escrituras com o mundo de hoje, está claro que estamos entrando nos tempos do fim. Com os olhos em Deus e na sua palavra e atentos aos acontecimentos do mundo, veremos então, respectivamente, as profecias e o seu cumprimento. E assim seremos sábios e não correremos o risco de sermos enganados nem pegos de surpresa com a Sua Vinda.

“Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão.” (Daniel 12:10)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Não desprezeis as profecias

O título deste artigo é a transcrição do que está escrito em 1 Tessalonicenses 5:20. Entendo eu que Paulo está fazendo um alerta, não só aos seus contemporâneos, mas a todos os cristãos que porventura viessem a ler suas cartas. O apóstolo recomenda a diligência, atenção. Nós como cristãos, apesar de vivermos num tempo onde o mundo parece desintegrar seus valores morais, que eram aceitáveis como padrão por vários séculos, precisamos ser diligentes em nossas vidas, não sendo levados pela conduta aparentemente normal da maioria. Devemos nos inquietar, e termos atenção em tudo aquilo que fazemos, para que não sejamos condenados por fazer a obra do Senhor de forma “relaxada” (Jeremias 48:10).

O interessante é a recomendação que Paulo faz no versículo seguinte ao transcrito no título: “Examinai tudo. Retende o bem”. É engano pensar que a nossa interpretação dos acontecimentos e profecias deve partir somente daquilo que lemos na Bíblia. Pelo contrário, nosso “exame” deve passar por tudo, por aquilo que lemos no texto bíblico e pelos acontecimentos que ocorrem no mundo.

Apesar da Bíblia deixar claro que o dia do Senhor será algo surpreendente, que vai pegar muitos desprevenidos, assim como os que têm sua casa invadida por ladrões em dias em que não se espera (2 Pedro 3:10), o curso dos acontecimentos pode também servir de sinal para o final dos tempos.

Em muitas igrejas já se tem como hábito falar que estamos nos últimos dias justamente por isso. Porque as pessoas estão olhando para o mundo e vendo que os sinais estão se cumprindo exatamente como está escrito na Bíblia. Alguns exemplos disso é o rápido avanço da ciência nas últimas décadas e do avanço nos transportes e meios de comunicação (Daniel 12:4), a prática de pecados cada vez mais abomináveis e blasfemadores pelos homens (Mateus 24:12) e a falência moral dos homens, que tão amantes de si e de seus prazerem, matam e morrem simplesmente para satisfazê-los (2 Timóteo 3:1-5). Outro forte sinal tem sido o agravamento do estado de instabilidade em Jerusalém, que favorecerá o aparecimento do Anticristo com sua falsa paz (1 Tessalonicenses 5:3) e a sua proposta de substituição do sacrifício judaico pela adoração a ele mesmo (Daniel 11:31 e Daniel 9:26).

Assim, há duas coisas que podemos concluir. A primeira é lógica: todas as profecias bíblicas são verdadeiras. Tudo que ali está escrito, cedo ou tarde, no nosso ou nos tempos seguintes, haverá de se cumprir (Marcos 13:31). A Bíblia é absoluta, não existindo nenhum tipo de tradição ou escrito humano em nível superior ou sequer igual a ela em se tratando de profecias. Profecias que estão em toda a Bíblia, não só em Apocalipse ou no Novo Testamento, mas também em livros do Velho Testamento, como em Daniel, Zacarias (Zacarias 9:9) e Isaías (Isaías 42:1), profetas que anunciaram que o Messias e rei de Israel, Jesus Cristo, viria à Terra como homem.

A segunda é que podem existir profecias feitas por homens que se cumpram, quando estes estão inspirados por Deus. Como saber se uma profecia de fato foi inspirada por Deus? Simplesmente confrontando-a com a verdade bíblica. Se não se contradizer a Bíblia e seus princípios, tal profecia PODERÁ ser verdadeira. Este é o primeiro teste de veracidade de uma profecia. O segundo será o teste do tempo. Até porque existem profecias que até parecer ser boas e não ferem princípios bíblicos, mas não se cumprem simplesmente porque foram palavras humanas, não reveladas por Deus a um profeta por Ele inspirado.

Um exemplo de profecia que PODE ser verdadeira ainda hoje, e que atravessou os séculos sem ser comprovado erro, é a chamada “profecia de São Malaquias”.

Malaquias foi um bispo que viveu no século XII, e que teria tido uma visão na qual a ele apareciam frases ou expressões em latim que referenciavam individualmente cada um dos 112 papas que viriam depois daquele tempo. Muitos estudiosos afirmam que a profecia dele apresenta um alto grau muito alto de exatidão para ser de pronto ignorada.

As evidências ficam mais claras quando se analisam os últimos papas. Ele identifica o papa no 107, como “Pastor et Nauta”, ou “Pastor e Navegante”. Antes de ser papa, o mesmo foi cardeal de Veneza, uma cidade marítima.

O de número 108, correspondente à Paulo VI, foi “Flos Florum” ou “Flor entre Flores”. O brasão deste era composto de 3 flores, com uma delas ao centro.

O de número 109 foi João Paulo I, o qual ele nomeou “De Medietate Lunae” ou “Da Meia-Lua”. Este papa nasceu na diocese de Belluno (que significa Lua Bela) e quando nasceu recebeu o nome de Albino Luciani (Luz Branca). Assumiu o papado em 26 de agosto de 1978, quando a lua aparecia exatamente pela metade (Quarto Minguante), e morreu 33 dias depois, após um eclipse lunar.

O número 110 é o que chama mais atenção. João Paulo II foi chamado por Malaquias de “De Labore Solis” ou “Do Trabalho do Sol”. O fato marcante é que João Paulo II nasceu e foi sepultado em dias em que aconteceram eclipses solares. O segundo, um relativamente raro eclipse anular total.

À Bento XVI, ele associou o nome “Gloria Olivae ou “A Glória da Oliveira”. Na Bíblia, oliveira aponta para Israel e o povo judeu (Romanos 11:16-18). Tal expressão aparece claramente na Bíblia, indicando justamente à glória futura do povo judeu (Oséias 14:6). Outros ainda acreditam que a oliveira estaria apontando para paz, e que Bento XVI governaria em um tempo de paz relativa se comparado ao seu sucessor e aos seus precedentes.

O último papa, a quem chamou de “Pedro, o romano”, ele descreveu de forma mais detalhada, da seguinte maneira:

Em extrema perseguição, o trono da Santa Igreja Romana será ocupado por Pedro, o Romano, que alimentará as ovelhas em meio a muitas tribulações, no fim dos quais a cidade das sete colinas será destruída e o formidável Juiz julgará o povo. Fim."

Como este seria o último papa da profecia, nesse tempo então aconteceria a Grande Tribulação bíblica. Além disso, as palavras associadas a esse papa estão de acordo com Apocalipse 17, ao relatar que de fato, nos tempos da Tribulação, a cidade das sete colinas, Roma, será destruída!

Mais que isso. Malaquias retrata com “precisão bíblica” até o tempo da destruição: “...em meio a muitas tribulações, no fim dos quais a cidade das sete colinas será destruída”. Ou seja, assim como em Apocalipse (que nos capítulos 17 e 18 relata a destruição final e que em seguida - no 19 – já retrata a glória de Deus, colocando então essa destruição no fim da Grande Tribulação), na profecia dele Roma também será destruída apenas no final da Tribulação!

Tamanha coerência com a realidade e com as profecias bíblicas só deixa clara a POSSIBILIDADE que tal profecia, mesmo não estando escrita na Bíblia, pode se cumprir. Toda profecia que não está escrita na Bíblia passa pela prova do tempo, que vem dizer se ela está certa ou errada, para que então fique provada ou não sua legitimidade.

Mas, como procurei enfatizar em letras maiúsculas aqui, o cumprimento dos fatos apresentados não quer dizer que tal profecia está correta ou que deve ser juntada à Bíblia como verdade indiscutível. Mas o cumprimento desta e de outras profecias, ainda que não escritas na Bíblia serve de alerta para estarmos atentos a todos os acontecimento do mundo em nosso tempo e para os compararmos com as profecias que nos são contadas e vendo seu cumprimento, até como forma de edificar a nossa fé e a nossa esperança (Gálatas 5:5).

Reitero que só as profecias da Bíblia são verdadeiras e absolutas. E em todas as que estão ali escritas não devemos duvidar. Às demais, inclusive essa, devemos sempre analisar se são ou não coerentes com as palavras bíblicas, para aí sim acreditarmos ou não nelas como verdade.

Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14)